terça-feira, 28 de maio de 2013

Homem de Ferro 3 (Iron Man 3) – 2013

24/05/2013 - 22
Nota: 7.0 / 7.7 (IMDB)
Formato: Cinema 3D

Direção: Shane Black
Elenco: Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Guy Pearce, Ben Kingsley, Rebecca Hall, Don Cheadle, James Badge Dale, Stephanie Szostak, William Sadler, Dale Dickey, Ty Simpkins, Miguel Ferrer e a voz de Paul Bettany

Crítica:
A segunda fase dos Vingadores iniciou-se com Homem de Ferro 3 (Iron Man 3) - 2013. A saga do playboy multimilionário, Tony Stark, continua, dessa vez com maior envolvimento de seu par romântico, Pepper Potts, e as várias referências, não mais aos futuros filmes e sim, aos acontecimentos passados nos filmes anteriores, principalmente em Vingadores (Avangers) – 2012.

[SPOILERS...] A história se inicia com Tony Stark em um evento científico, antes de se tornar o Homem de Ferro, onde um cientista “nerd” tenta convencê-lo de se reunir para ouvir suas novas descobertas científicas, mas é claro que Stark o ignora. Voltando aos tempos de hoje, Tony encontra-se em seu laboratório, criando mais uma de suas armaduras, a inovação agora é fazer com que um simples gesto manual faça com que as peças da armadura venham em sua direção  cobrindo seu corpo. Além disso, há a possibilidade da armadura montar sem que haja um corpo, funcionando como um robô.


Logo depois, é apresentado o novo vilão. Vários ataques terroristas estão acontecendo pelo mundo e todos são assumidos, através de vídeos, pelo chefe de uma organização, semelhante à al-Qaeda. Mandarim se mostra um impiedoso e fanático religioso. Seus ataques são feitos por ex-militares estadunidenses, mas seus corpos nunca são encontrados. Em um desses ataques, Happy Hogan, segurança de Stark fica bastante ferido. Revoltado, Stark promete vingança, e em entrevista, chama Mandarim para um confronto. A mansão de Tony é atacada por vários helicópteros e mísseis. Assim, Stark começa uma investigação sobre  Mandarim, seus reais motivos e seu próximo alvo: o presidente dos EUA. [FIM SPOILERS

Fazer sequencias intermináveis de filmes é uma tarefa muito difícil, conseguir colocar o herói sempre em perigo, sem que seja uma repetição dos filmes anteriores, são poucos os que conseguem. Vimos isso na trilogia Batman: Batman Begins - 2005, Batman: O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight) - 2008 e Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises) - 2012. Já com o Homem-Aranha não foi a mesma coisa, percebemos que o terceiro filme da trilogia, Homem-Aranha 3 (Spider-Man 3) - 2007 foi o pior deles e por isso resolveram dar um reboot na sequencia. O mesmo aconteceu com Homem de Ferro 3, que é de longe, o pior dos três filmes.


Homem de Ferro 3 se mantem à altura dos anteriores quando falamos de efeitos especiais, cenas de ação e a força para nos prender a atenção. Mas no que diz respeito à história, o roteiro deixa muito a desejar. Aquelas cenas cômicas, e a irreverência de Tony Stark estão bem chatas agora. Ainda adicionaram um drama forçado, em que Stark tem ataques de ansiedade ao lembra-se dos acontecimentos de Nova York, ou seja, a referência aos Vingadores foi passada desse forma, o que ficou horrível. Há também os poderes do exército vilão, que em nenhum momento explica-se como eles explodem e voltam, e como são derrotados, as vezes com um tiro muito forte, as vezes com uma queda grande. A personagem Maya Hansen (Rebecca Hall) não explica ao que veio, poderia ser totalmente cortada.


O que ficou de positivo foi a maior participação de Pepper Potts, secretária e par romântico de Tony Stark. Gwyneth Paltrow pode mostrar um pouco de seu potencial, e dar uma direção melhor para a personagem. Robert Downey Jr. está no modo automático, interpretando bem, mas sem acrescentar nada, e até, como dito anteriormente, com piadinhas sem graça, que deixa as cenas mais chatas do que são. Ben Kingsley fez um trabalho impecável, nos convence do início ao fim, mas a reviravolta que há com seu personagem, eu, particularmente, não gostei.

De qualquer maneira, é um filme divertido, para se ver no cinema, mas acho que a Marvel ainda poderia levar mais a sério seus filmes de super-herói, mesmo sabendo que com a Disney por trás, isso vai ser cada vez mais difícil.

Obs. 1: Há uma cena adicional após os créditos.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

The Beatles Anthology - 1995

Nota: 9.0 / 9.3 (IMDB)
Formato: DVD

Direção: Geoff Wonfor, Bob Smeaton
Produção: Neil Aspinall, Chips Chipperfield
Elenco: John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr

Crítica:
The Beatles Anthology foi um projeto documental realizado sobre a maior banda de rock de todos os tempos: The Beatles. Uma série de documentários foi lançado para televisão, e conta com os integrantes remanescentes da banda: Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, que se juntaram em 1994 para gravar entrevistas, que juntadas com velhas entrevistas de John Lennon, contam toda a história do grupo, desde a formação, até o fim da banda. Várias imagens inéditas dos Beatles são mostradas, além de músicas completas em shows.

Como parte do projeto, foram lançados três álbuns duplos, onde incluí algumas músicas inéditas e outras músicas já conhecidas, mas em versões diferentes. Dentre as músicas inéditas, a maioria foi gravada na época que a banda estava junta, mas não haviam sido lançadas. Porém duas músicas foram mixadas especialmente para os álbuns: Free as a Bird e Real Love.

Posteriormente, um livro de mesmo nome foi lançado, contemplando as entrevistas e imagens inéditas.


02/03/2013 - Primeiro Episódio - 13
O primeiro episódio conta infância do quarteto, onde nasceram, quem eram seu pais, onde estudavam e como se conheceram. Além de contextualizar como era a situação cultural e musical de Liverpool na época.

Tem alguns fatos marcantes nesse início. Paul e John se conheceram em um festival, quando Paul viu John apresentando e cantando, logo percebeu que poderia ser o músico que estava procurando para sua banda, logo depois já estavam tocando juntos. John sugeriu o amigo Geoge, que também integrou à banda. Eram três guitarristas, e o mais interessantes é que fizeram várias apresenteações sem baterista. Na primeira formação, tiveram passagens rápidas pela banda: Stuart Sutcliffe (baixista) e Pete Best (baterista). Stuart não fez muitos shows, não era bom músico, assim Paul assumiu o baixo. Pete participou mais, mas nas primeiras gravações do primeiro disco foi substituido por Ringo, que já havia tocado várias vezes com os Beatles.

Os Beatles eram de Liverpool, mas o destaque inicial foi dado em Hamburgo (Alemanha), tocando em vários pubs. O sucesso os trouxe de volta pra casa, e seus shows passaram a ser requisitados em Liverpool, principalmente no Cavern Club, onde tocaram dezenas de vezes.

O episódio termina com as primeiras sessões para gravação do primeiro disco. Love Me Do havia alcançado os primeiros lugares nas rádios e revistas especializadas.



15/03/2013 – Segundo Episódio - 15
O segundo episódio conta o início da ascensão dos Beatles, e termina com o desembarque, pela primeira vez, nos EUA.

Com o sucesso espontâneo de Love Me Do e o primeiro disco Please Please Me, os Beatles saíram para turnês intermináveis pela Europa, tudo dentro de uma vã, parecendo uma Kombi. Contam que em uma das viagens o vidro a vã quebrou, estava muito frio, eles se amontoaram um em cima do outro, e o primeiro de cima tinha direito a tomar doses de uísque, mas ainda assim tinham que revezar.

Mostra também as primeiras experiências com a fama, não podiam mais sair para qualquer lugar, seus shows passaram a ser só gritaria, as mulheres ficavam histéricas. Mais interessantes foram os shows realizados na França, em que o público, diferentemente dos outros países, era predominantemente de homens. Em certos momentos chegaram a pensar que se tratava de gays.

Durante esses shows, eles foram batendo recordes e suas músicas ficando sempre em primeiro lugar nas rádios inglesas e européias, chegaram a colocar quatro músicas em primeiro lugar. Mas nos EUA ainda não haviam emplacado nenhuma delas. O empresário da banda, Brian Epstein, tentou de todas as formas colocar uma de suas músicas nas paradas estadunidense, mas nenhuma das que chegaram em primeiro lugar na Inglaterra, conseguiu emplacar nos EUA. Esse era o medo em fazer uma turnê por lá, mas como sabemos isso foi questão de tempo. A turnê foi agendada e coincidentemente nos dias que antecederam a viagem, eles conseguiram o primeiro lugar, que foi essencial para o sucesso dos Beatles no novo mundo.

A segunda parte termina com os Beatles desembarcando no aeroporto Internacional John F. Kennedy com uma multidão esperando por eles.



30/04/2013 – Terceiro Episódio - 21
O terceiro episódio conta como foi a turnê dos Beatles pelos EUA e depois pelo mundo. Os Beatles desembarcam no aeroporto J.F. Kennedy em meio a uma multidão e são levados para o hotel, onde tudo está preparado para uma coletiva. Interessante é que são feitas perguntas ridículas, como: “vocês usam perucas?”. Eles eram metidos a comediantes, todas as perguntas, idiotas ou não, eram respondidas de forma engraçada, ou fazendo uma piada.

A primeira apresentação aconteceu no Ed Sullivan Show, no dia em que se registrou a maior audiência já registrada nos EUA. Dizem que nos minutos em que os Beatles se apresentavam, não foram registrados nenhuma ocorrência policial nos EUA.

Eles conseguiram colocar várias músicas nos primeiros lugares das rádios estadunidenses, seus shows ficavam lotados, era quase impossível ouvir suas músicas pelo barulho e gritaria de suas fãs.

Ao voltar para Inglaterra, foram recebidos da mesma forma que nos EUA, milhares de pessoas foram ao aeroporto para recepcioná-los. Mas logo continuaram com a turnê mundial, e é nesses shows que aconteceu um dos fatos que poucos sabem, a formação da banda foi alterada. Ringo precisou fazer uma cirurgia para retirada das amídalas, e não compareceu aos shows em Amsterdã e Hong Kong, foi substituído por Jimmy Nicol, um ótimo baterista de Londres. Inicialmente George não queria seguir com a turnê: “Se o Ringo não fizer parte do grupo, não são os Beatles. Não entendo por que devemos ir nessa turnê”. Brian Epstein e George Martin tiveram que convencê-lo de que a turnê deveria prosseguir. Na Austrália Ringo voltou para ao grupo. Ao fim da turnê, o grupo volta para Liverpool, sua terra natal.

Nessa mesma época os Beatles realizaram seu primeiro longa metragem, seguindo a onda de filmes dos rock stars estadunidenses, em que o principal deles é Elvis Presley. O primeiro filme é A Hard Days Night, lançando juntamente com o disco de mesmo nome.


quinta-feira, 25 de abril de 2013

Detona Ralph (Wreck-It Ralph) - 2012

13/04/2013
Nota: 7.5 / 7.9 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Rich Moore
Roteiro: Clark Spencer
Vozes: John C. Reilly, Sarah Silverman, Jack McBrayer, Jane Lynch, Alan Tudyk, Mindy Kaling, Ed O'Neill, Dennis Haysbert, Edie McClurg, Rachael Harris, Adam Carolla, Horatio Sanz

Crítica:
Ainda não consegui entender o porquê do filme Valente (Brave) - 2012 ter vencido o Oscar 2013 na categoria Melhor Animação. A história de Detona Ralph não tem nada de novo, mas ainda assim, é muito mais consistente e cativante do que a de Valente. Qualquer comparação que se faça, Valente só venceria no quesito visual da computação gráfica, o restante perderia de muito.

A premissa do roteiro de Detona Ralph é a mesma de Toy Story - 1995, procura dar vida às coisas que fazem parte da diversão de crianças. Um dá vida aos brinquedos e bonecos, na maioria deles nostálgicos, o outro dá vida aos personagens dos jogos eletrônicos, alguns deles dos primórdios dos videos games. Nos dois casos, por se tratarem de personagens antigos, fez aproximar o público adulto da história, sem tirar a essência para o público infantil.


[SPOILER...] A história se inicia com a apresentação do personagem principal: Ralph. Ele é o vilão de um dos jogos mais antigos do fliperama, “Conserta Felix”, que está para completar 30 anos de funcionamento. É um jogo bem semelhante aos jogos de Atari, o objetivo é que Felix escale um prédio para consertar os estragos que Ralph faz, e ao final de cada fase, Ralph é jogado de cima do prédio. [FIM SPOILER]

Dentro dessa contextualização poderemos ver personagens de outros games, como: Pac man e seus fantasmas; Bowser, vilão do Super Mário; Ken, Ryu, M. Bison e Zangief do Street Fighter; entre outros. Apesar de rápidas, essas cenas nos traz boa nostalgia. Zangief aparece em uma sessão de autoajuda para vilões, Ryu está em um bar tomando cerveja. Também podemos perceber que para cada tipo e época do jogo, sua apresentação muda, para os mais antigos, os  movimentos são quadro a quadro e são desenhados com se tivessem grandes pixels. Isso mostra a ótima representação e caracterização dos games conhecidos.

Bem interessante foi a forma como acharam para fazer a ligação entre os jogos. Como as máquinas estavam todas em um fliperama, os cabos de energia funcionam como linhas de trens, o padrão elétrico com uma estação, e a energia elétrica como o próprio trem. Genial!


[SPOILER...] Voltando à história, Ralph está cansado de ser o cara mau, e para provar que pode ser um herói, pretende ganhar uma medalha que somente os heróis ganham. Assim, começa a invadir outros jogos para derrotar inimigos. Numa dessas investidas, consegue uma medalha, mas a perde dentro o jogo “Sugar Rush”, onde conhece a pequena Vanellope, que é considerada um bug dentro do seu jogo, por isso, é proibida de competir nas corridas pelo maldoso rei Candy. Agora Ralph tem que recuperar sua medalha e ajudar Vanellope a competir e vencer uma corrida. [FIM SPOILER]

Desse ponto em diante, as referências visuais acabam e passam a ser mais discretas, com algumas trilhas sonoras conhecidas, e outros detalhes mais discretos.

Como descrevi, a história central não tem nada haver com as referências aos outros jogos, o roteiro foi bem escrito, trazendo uma história original e concisa. Pra mim, superou de longe os últimos filmes da Disney/Pixar.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Valente (Brave) - 2012

10/04/2013 - 19
Nota: 6.5 / 7.5 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Mark Andrews, Brenda Chapman, Steve Purcell
Roteiro: Brenda Chapman, Irene Mecchi
Vozes: Kelly Macdonald, Billy Connolly, Emma Thompson, Craig Ferguson, Julie Walters, Robbie Coltrane, Kevin McKidd, John Ratzenberger

Crítica:
A Pixar conseguiu criar uma reputação incontestável na produção de animações cinematográficas. Valente (Brave) - 2012 é seu 13º longa metragem, com os 11 primeiros bastante aclamados pela crítica. Em seu 12º filme, Carros 2 (Cars 2) – 2011, aconteceram incisivamente, as primeiras críticas negativas, foi um filme feito com características que a Disney coloca nas sequências de suas animações:  filmes realizados pensando apenas financeiramente, os famosos “caça nickels”, aproveitando-se do grande sucesso do primeiro.

Valente não é uma sequência, mas veio com a pressão de fazer a Pixar voltar a realizar uma animação com a mesma qualidade dos primeiros filmes. [SPOILER...] Seu enredo conta a história da primeira princesa da Pixar, Merida, que vive nas montanhosas das terras altas da Escócia. Desde sua infância, Merida demonstra não ser uma princesa tradicional, tanto que em seu aniversário, ainda na infância, seu pai lhe dá um arco e flecha de presente, isso só a faz buscar cada vez mais atividades de meninos, andando de cavalo, treinando tiro ao alvo com flechas etc. Enquanto sua mãe tenta de qualquer maneira transformá-la em uma princesa tradicional, com modos refinados e todas as formalidades de seus antepassados.


Quando ela atinge certa idade, sua mãe a oferece para os pretendentes de cada um das três tribos do reinado. Os candidatos, filhos primogênitos dos chefes das tribos, terão que passar por uma olimpíada para saber quem será o futuro marido de Merida. Propositalmente ela escolhe arco e flecha para a competição. E depois dos três candidatos acertarem o alvo, e um deles, sem querer, acertar o centro, Merida candidata-se para ganhar a sua própria mão. Super treinada, acerta todos os alvos com perfeição, causando revolta à sua mãe.

As duas brigam e Merida corre para a floresta, onde encontrar uma bruxa, que lhe dá um feitiço para fazer a sua mãe mudar de ideia e não forçá-la a casar. Então, Merida oferece um bolo enfeitiçado à sua mãe, e a transforma em um urso.

A história segue com Merida tentando esconder sua mãe urso de seu pai, ao mesmo tempo em que tenta descobrir como quebrar o feitiço. Ao final Merida consegue desfazer o feitiço, as duas se entendem e Merida não é mais obrigada a se casar. [FIM SPOILER]


A história é bem fraca, principalmente a partir da segunda metade, pois a premissa inicial nos deixa com grande expectativa, uma menina que busca de todas as forma seus direitos de liberdade, com a mesma autonomia que fizeram as revoluções feministas. Poderiam transformá-la numa guerreira, ou algo do gênero,  quebrando totalmente as barreiras das tradições da época. Tinha potencial para ser uma história muito melhor e completamente diferente.

Mas partiram para um tema bastante utilizado pelo cinema, o conflito entre pais e filhos. Alguns exemplos são: A Árvore da Vida (The Tree of Life) - 2011, Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right) - (2010), Os Descendentes (The Descendants) - 2011. A adolescência é uma fase de conflitos que todos os seres humanos passam. É a transição da infância para a fase adulta, onde achamos que sabemos tudo, que somos dono do mundo, mas na verdade ainda estamos engatinhando e conhecendo as responsabilidades que implica se tornar adulto. Os pais tem insegurança de soltar os filhos, de deixá-los ir para a vida, e os filhos querem liberdade total, fazer o que quiserem, mas na maioria das vezes, são atitudes inconsequentes.

Hoje percebemos que a fase adolescente está se prolongando, com os pais segurando os filhos dentro de casa, não os deixando ter suas responsabilidades. Ao mesmo tempo, os adulto-adolescentes não querem assumir responsabilidades alguma, continuam na comodidade da casa dos pais, onde não precisam fazer nada, e muito menos pagar alguma conta, nem mesmo as suas. Essa é uma realidade bastante presente no meio em que vivo. Isso é muito triste, "são os filhos de papai", "criados com vó".


Ainda assim, o ponto forte da Pixar ganha bastante destaque, a tecnologia da computação gráfica está cada vez melhor. Os cabelos cacheados de Merida é algo impressionante, tanto na realidade, quanto na textura, os fios de cabelo são independentes. Havia assistido várias animações em que os cabelos são bem feitos, mas nesse, eles chegaram à perfeição.

Acredito que a Pixar ainda tem um grande potencial para voltar a fazer seus excelentes filmes. Algumas sequenciam estão por vir: Universidade Monstros (Monsters University) - 2013 e Procurando Dory (Finding Dory) - 2015. E mais um original: The Good Dinosaur - 2014. Tenho grande expectativa no Universidade Monstros, pois considero seu antecessor, Monstros S.A. (Monsters, Inc.) - 2001, o melhor filme da Pixar.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

As Aventuras de Pi (Life of Pi) - 2012

31/03/2013 - 18
Nota: 8.0 / 8.2 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Ang Lee
Roteiro: David Magee
Elenco: Suraj Sharma (Piscine Molitor "Pi" Patel), Irrfan Khan (Pi adulto), Tabu (Gita Patel, mãe de Pi), Adil Hussain (Pai de Pi), Vibish Sivakumar (Ravi Patel, irmão de Pi), Gérard Depardieu (O cozinheiro), Po-Chieh Wang (O Marinheiro), Andrea Di Stefano (O Padre), Rafe Spall (O Escritor), Shravanthi Sainath (Anandi, namorada adolescente Pi), Andrea Di Stefano (o Sacerdote)

Crítica:
As Aventuras de Pi é um filme baseado no romance escrito por Yann Martel. A história é narrada pelo personagem Pi, que conta sua jornada de sobrevivência a um naufrágio. De origem indiana, a família de Pi é obrigada a se mudar para o Canadá, levando consigo todos os seus pertences, inclusivo os animais do zoológico que são donos em Pondicherry, Índia.

[SPOILERS...] Viajando a bordo de um enorme cargueiro japonês, Pi e sua família: pai, mãe e irmão; são pegos de surpresa em meio a uma tempestade, a qual causa o naufrágio do navio. Pi, que estava na proa do navio, consegue entrar em um dos barcos salva vidas, quando uma zebra pula dentro do barco, jogando-os direto ao mar.


Ao acordar no dia seguinte, já sem a tempestade, percebe que não há mais sinal do navio, e que ainda se encontra em companhia da zebra, mas logo vê que a tripulação do barco é muito maior: uma macaca, uma hiena e um tigre de bengala chamado Richard Parker. Nesse contexto, Pi vê de perto o que é o instinto de sobrevivência animal e a lei do mais forte, logo está apenas em companhia de Richard Parker. [FIM SPOILERS]

Desse momento em diante, Pi passa os dias lutando para sobreviver, e ainda conviver com Richard Parker. Numa analogia, podemos perceber algumas semelhanças com o filme Náufrago (Cast Away) - 2000. O tigre tem o mesmo sentido que Wilson, serve como distração e psicologicamente não o deixa sucumbir para a morte. Além disso, trouxe-me lembranças dos programas do canal fechado Discovery: Eu Sobrevivi e À Prova de Tudo. O primeiro conta histórias de pessoas que sobreviveram a desastres ou fatalidades, que nem todos que estavam junto viveram para contá-las; o segundo é sobre o aventureiro Bear Grylls, que procura mostrar técnicas de sobrevivências em casos extremos. Em vários de seus programas Grylls diz que: "em casos extremos, só sobrevive quem está disposto a sobreviver". E no filme percebemos isso claramente, Pi a todo momento faz de tudo para sobreviver, até as adversidades, que poderíamos dizer, fictícias, ele consegue vencer.


Mas a principal mensagem do filme está na religião para as religiões e na crença em Deus. Ainda menino, Pi busca em várias doutrinas religiosas explicações para o mundo em que vive, assim, acaba por buscar apenas as coisas boas e verdadeiras de cada uma delas. São nessas crenças e fé que Pi se agarra nos momentos mais difíceis de sua jornada, isso demonstra para o incrédulos, céticos ou ateus, que Deus aparece sempre nos momentos difíceis, não porque ele exista, mas sim, por ser nesses mementos onde é difícil enxergar na razão, uma solução para a situação, ou seja, sempre quando nos depararmos com a morte, buscaremos no fundo das consciência, a resposta na fé e em Deus, pois esse é o ponto fraca da ciência e é onde as religiões se amparam. E tudo isso está relacionado com o medo da morte.

Pela história simples e por mexer com um tema tão polêmico: a religião, sem entrar nos méritos de cada uma delas, As Aventuras de Pi mereceu sua indicação ao Oscar na categoria de melhor filme. Além disso, houve as indicações técnicas, que é outro ponto forte do filme, os efeitos especiais é algo inexplicável, algo no nível de Avatar - 2009. O tigre de bengala foi todo feito com computação gráfica, quem não sabe disso, nem percebe, acha que ele é real. A fotografia também tem grande destaque, há imagens de beleza indescritíveis, principalmente quando anoitece, e os raios da lua ganham destaque.


O diretor Ang Lee entrou para lista dos poucos que ganharam dois Oscars na categoria melhor diretor, mas esse prêmio eu discordo um pouco, apesar desse filme ter sido muito bem dirigido. Há outros que merecem maior destaque, digo isso sem assistir a todos indicados, e meus destaques vão para dois diretores que nem foram indicados: Quentin Tarantino, com Django Livre (Django Unchained) - 2012; e Ben Affleck, com Argo - 2012. O que Tarantino vem fazendo pelo cinema é algo admirável, sua filmografia é invejável, mas ainda não ganhou um Oscar por melhor direção, inexplicável! Para Aflleck, consigo me contentar, é um jovem diretor que ainda tem muita coisa para mostra, mas seu Oscar está bem próximo.

Em resumo, As Aventuras de Pi é um ótimo filme, encantador, que nos faz repensar alguns valores de nossa vida, principalmente os religiosos e da fé. Vale a pena assistir.

terça-feira, 26 de março de 2013

Paradise Now - 2005

19/03/2013 - 17
Nota: 7.0 / 7.5 (IMDB)
Formato/Local: Sala de Aula

Direção: Hany Abu-Assad
Roteiro: Hany Abu-Assad, Bero Beyer, Pierre Hodgson
Elenco: Kais Nashef, Ali Suliman, Hiam Abbass

Crítica:
Paradise Now é um filme palestino que tenta nos mostrar um pouco dos conflitos existentes na região de Israel. A guerra santa entre judeus e palestinos acontece a centenas de anos, e ainda hoje, causa milhares de mortes.

De forma geral, a história mostra como os muçulmanos vêm enfrentando o poder econômico e militar judeu, utilizando o terrorismo como arma de guerra. O foco fica em dois  personagens, os palestinos Khaled (Ali Suliman) e Said (Kais Nashif), que se veem envolvidos numa missão suicida como homens-bomba.

[SPOILERS...] O filme se inicia mostrando a simplicidade e amizade dos dois personagens, suas famílias e o dia a dia de uma vida comum. A história deixa claro que o conflito existe, mas que nem todas as pessoas estão envolvidas diretamente com ele. E muitas são contra a forma adotada para sua solução, fazendo terrorismo e assassinado civis que não fazem parte da guerra.

Apesar de serem candidatos a futuros homens-bomba, Khaled e Said são pegos de surpresa quando um dos líderes do terrorismo mulçumanos os convoca para uma missão. Fica bem claro que eles aceitam apenas por ser uma doutrina religiosa imposta pelos terroristas muçulmanos, baseados na interpretação fria do alcorão. Khaled mostra-se confiante na ajuda que sua morte trará para o povo palestino e principalmente para sua família, já Said não, pois seu pai foi um colaboracionista (traidor), e sua morte o fez duvidar dos verdadeiros fins da luta palestina, além de desconfiar das promessas religiosas feitas após a morte: com anjos e paraíso. A cena em que Said pergunta à Khaled se dois anjos irão buscá-lo, exemplifica isso.


A história segue com os preparativos para a missão, com os dois recomendados sobre o seu sigilo, pois passam uma última noite com os familiares, e as despedidas serão realizadas através de filmagens. As bombas são pregadas em seus corpos, tudo feito sob forte discurso religioso e político, reforçando a importância da missão, e os benefícios que ela trará. Após a instrução de como precederem durante a missão e no acionamento das bombas, eles saem, vestidos de terno e gravata. A partir desse momento o filme fica bem tenso, pois as bombas estão implantadas, a sensação é que tudo vai explodir a qualquer momento. Vale ressaltar que parte dessa tensão também é atribuída à falta de trilha sonora, não há música alguma para realçar o drama, isso traz bastante realismo ao filme.

Ao chegar ao ponto de encontro, percebem que algo está saindo errado, um carro e um helicóptero aparecem, a missão é abortada, mas na correria Khaled e Said se separam. O primeiro volta à base terrorista, o segundo se perde, e coloca-se a vagar pelas ruas.

O chefe terrorista acusa Said de traição, assim, Khaled precisa encontrá-lo para mostrar o contrário. Nesse momento o filme passa por um drama, com os dois repensando o idealismo da missão. Khaled, preocupado e focado em encontrar o amigo, começa a se mostrar contrário ao terrorismo. Said apesar do discurso revoltado e racional sobre a situação em que se encontram, concorda em re-executar a missão. Os dois saem novamente, mas Khaled se recusa a continuar, Said o prende no carro e vai para finalizar a missão. [FIM SPOILERS]


O filme trouxe uma realidade que os ocidentais não enxergam nos conflitos em Israel. A generalização é algo que fazemos sem razão alguma. O conflito existe, muitos são aderentes a ele, mas outros não são, existem pessoas que só querem viver, construir sua família respeitando a religiosidade de cada um. E essas pessoas não fazem parte do conflito, mas isso não é respeitado. Ao mesmo tempo, essas mesmas pessoas podem ser envolvidas pelo extremismo irracional político-religioso e se sentirem obrigadas a realizar atos humanamente incompreensíveis, de tirar a própria vida, levando junto outras vidas, de pessoas que ele não tem a mínima ideia de quem sejam.

Essa é uma guerra cega, onde as pessoas passaram a se matar sem uma explicação plausível, tudo em nome de seus Deuses. Mesmo não fazendo parte dessa cultura e não sabendo os reais motivos de cada um, não vejo nenhuma razão para esse genocídio. A situação chegou ao ponto de que os fins não mais justificam os meios.

Obs.: Os textos em itálico foram inseridos após debate e melhor entendimento sobre o filme em 26/03/2013.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Oz: Mágico e Poderoso (Oz: The Great and Powerful) - 2013

16/03/2013 - 16
Nota: 8.0 / 7.0 (IMDB)
Formato: Cinema 3D

Direção: Sam Raimi
Roteiro: Mitchell Kapner, David Lindsay
Elenco: James Franco (Oscar Diggs), Mila Kunis (Theodora), Rachel Weisz (Evanora), Michelle Williams (Glinda/Annie), Zach Braff (Frank/Finley), Joey King (China Girl/Menina da Cadeira de Rodas), Abigail Spencer (Sra. Hamilton), Ted Raimi (Skeptic/Tinker), Bruce Campbell (Gore, o Dark Wizard), Tony Cox (Knuck), Tim Holmes (O Homem Forte), Martin Klebba (Nikko)

Crítica:
Oz: Mágico e Poderoso é o filme que faz prelúdio ao clássico infantil: O Mágico de Oz (The Wizard of Oz) - 1939. Os dois filmes se baseiam na série livros escritos por L. Frank Baum que narram histórias sobre a Terra de Oz, começando por O Maravilhoso Mágico de Oz.

Hollywood está vivendo uma falta de inspiração causada pelo avanço tecnológico e é claro por uma força maior: o capitalismo. Temos pouquíssimos filmes sendo realizados que não sejam baseados em alguma história ou fato que já existe. Isso se deve ao poder da tecnologia, que hoje vem permitindo aos diretores realizarem, cinematograficamente, seus sonhos de criança, trazendo para o cinema as histórias que só podíamos imaginar. E é claro, que também se deve ao fato de envolver bilhões de dólares, pois se não desse dinheiro, nada seria feito. Mas apesar de criticar negativamente essa opção dos estúdios (deixar o cinema bitolado), entendo que algumas vezes eles acertam. Particularmente sobre os prelúdios, são temas que mexem com um sentido que está inato ao ser humano, a curiosidade de descobrir o que realmente aconteceu ou acontece com alguém ou alguma coisa. Historicamente, vivemos em busca de respostas para todos os tipos de perguntas, e é nesse sentido, que às vezes, defendo os filmes que contam as histórias do que aconteceu ou poderia ter acontecido com um personagem específico.

Esse é o caso de Oz: Mágico e Poderoso que conta a história de como o famoso mágico do clássico de 1939, chegou à cidade de Oz. No primeiro, o mágico é o rei de Oz e ninguém o questiona até que Toto (cachorrinho de Dorothy) o desmascara. Mas como o mágico chega à Oz? E como ele se torna rei? Essas respostas estão nesse novo filme, que não conta absolutamente nada sobre Dorothy, o Leão Covarde, o Homem de Lata e o Espantalho, pois segundo minhas pesquisas, os direitos sobre esses personagens são da Warner e não da Disney.


[SPOILERS...] O filme começa em preto e branco, da mesma forma que o anterior, e mostra os participantes de um circo itinerante até que cena foca na apresentação de um mágico, Oscar Diggs (James Franco). Tudo vai bem até receber um pedido inusitado de uma menina, que sentada em uma cadeira de rodas lhe pede que faça sua magia para que ela volte a andar. Ele disfarça e termina o show, sem dizer à menina que sua magia era falsa, assim percebemos que o mágico não tinha ética e muito menos honestidade. Passado esse fato, o mágico se vê perseguido pelo grandalhão do circo, na fuga ele entre num balão de ar, mas se depara com furacão, da mesma forma como aconteceu com Dorothy, ele cai em uma cidade colorida e cheia de criaturas estranhas. 

Quem o acha é Theodora (Mila Kunis), um das bruxas de Oz. Nesse momento o filme se torna um pouco lento, com Theodora explicando a Oscar onde ele estava e qual eram os últimos acontecimentos da cidade.  E que ele era o mágico esperado por todos e por isso se tornaria rei. Além de lhe contar sobre suas duas irmãs: Evanora (Rachel Weisz) e Glinda (Michelle Williams). Oscar se deixa seduzir por Theodora, e lhe promete ser sua rainha. Os dois vão para o castelo de esmeraldas para encontrar a outra bruxa, no caminho conhecem Finley, um macaco voador que jura fidelidade à Oscar, pela ajuda prestada. Ao conhecer Evanora novamente é seduzido, mais ainda, depois que ela mostra um cofre gigantesco com o ouro que pertencerá ao futuro rei. Mas segundo Evanora, para se transformar em rei, também é preciso matar a bruxa má Glinda. 


Assim, Oscar e seu fiel escudeiro saem à caça da terceira bruxa seguindo os tijolos amarelos. No caminho encontram a simpática menina de porcelana, que entra pra o grupo após o mágico colar suas pernas, como mágica. Ao encontrar Glinda, descobre qual é a real identidade das três bruxas. Glinda é a bruxa boa; Theodora, a bruxa má do oeste e Evanora, a bruxa má do leste.

Agora Oscar precisa salvar a cidade de duas bruxas, mesmo sabendo que ele não era um mágico de verdade, Glinda convencê-lo de lutar com seus próprios artifícios, sua falsa magia. Num primeiro momento ele recusa, mas depois aceita e arquiteta o plano para pegar as bruxas más. Ao fim, Oscar consegue convencer a todos que era um mágico de verdade, forjando sua morte e aparecendo em forma de espírito num jogo de imagens e fumaça, semelhante ao antigo filme. As duas bruxas fogem e Oscar de torna o rei de Oz, mas somente na forma sobrenatural. [FIM SPOILERS]


Surpreendi-me com a fidelidade aos cenários e com parte da história ao primeiro filme. Para quem o assistiu, ver os tijolinhos amarelos, os macacos voadores, e a imagem esfumaçada do mágico, foi nostalgia pura. Um roteiro muito bem escrito, sem deixar furos na ligação entre os dois filmes, mesmo com a restrição dos direitos dos personagens. Além disso, os efeitos especiais ficaram excelentes, o macaco Finley foi algo no nível do Smeagol, O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (The Hobbit: An Unexpected Journey) - 2012; e do Cesar, Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of the Planet of the Apes) - 2011.

James Franco teve um bom destaque, pois conseguiu mostrar muito bem a personalidade do mágico: farsante, mentiroso, interesseiro e mesquinho.

De tudo, o que mais me chamou atenção, foi o clima de terror que há na história, acho que conseguiram fazer a primeira história infantil aterrorizante. Colocando-me no lugar de uma criança entre quatro e oito anos, ficaria assustado com as bruxas e suspense que apresentam algumas cenas. Pra mim, foi algo nunca visto.

terça-feira, 12 de março de 2013

O Voo (Flight) - 2012

11/03/2013 - 14
Nota: 7.0 / 7.3 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: John Gatins
Elenco: Denzel Washington, Kelly Reilly, Bruce Greenwood, Nadine Velazquez, Don Cheadle, John Goodman, Brian Geraghty, Tamara Tunie, James Badge Dale

Crítica:
Robert Zemeckis está de volta ao live action, depois de três filmes com captura de movimentos: O Expresso Polar (Polar Express) - 2004, A Lenda de Beowulf (Beowulf) - 2007 e Os Fantasmas de Scrooge (A Christmas Carol) - 2009. Seu último filme com live action foi Náufrago (Cast Away) - 2000.

Neste, Zemeckis trabalha com temas morais, procurando mostrar até onde vai a honestidade humana e como convivemos com a pressão que sociedade exerce sobre nós. O que é certo e o que é errado são conceitos opostos, mas que andam lado a lado, trazendo sérias discussões.

[SPOILERS...] O Voo começa com uma cena mostrando os excessos da vida de William "Whip" Whitaker (Denzel Washington), um piloto veterano que logo percebemos seus problemas com álcool e drogas. A cena se desenrola com o piloto chegando para assumir um voo num dia com tempestade.


A decolagem é extremamente tensa, com Whip fazendo a aeronave subir a máxima altitude para ultrapassar as nuvens carregadas, com bastante turbulência e temor de seu copiloto, Brian Geraghty (Ken Evans), ele consegue, o sol aparece e tudo fica tranquilo.

Para relaxar Whip mistura duas garrafinhas de vodca em seu suco. A cena muda, e mostra o piloto dormindo, com Geraghty no comando do voo. Quando a aeronave apresenta uma pane, Whip acorda com solavancos, toma para si o manche e começa os procedimentos para manter a nave no ar. Tudo indica que não haverá como salvá-los, mas Whip numa manobra instintiva, orienta o copiloto e uma das aeromoças, a executarem tarefas para que ele consiga virar a nave de cabeça para baixo. A manobra é feita, e se sustenta até aproximar-se de um campo aberto. Assim, ele desfaz o giro e executa um pouso forçado. Dos 102 passageiros, 96 sobrevivem, vários com ferimentos leves, outros, mais graves.


Whip acorda no hospital, ao abrir um dos olhos vê que seu amigo Bruce Greenwood (Charlie Anderson) o espera, no dialogo ele o explica que está sendo visto como herói, mas o pessoal do sindicato e um advogado precisam lhe passar maiores explicações sobre as consequências de seus atos. Assim, Whip é informa que exames de sangue foram feitos em todos os tripulantes e que foi detectado álcool e cocaína no seu. Em princípio ele nega, mas o advogado o convence dizendo que preparou sua defesa de forma que tornará seus exames inválidos. [FIM SPOILERS

Nesse contexto a história continua, com Whip sofrendo com alcoolismo, sem admiti-lo, e com o dever moral de dizer a verdade, mesmo com todas as estratégias para inocentá-lo. Se for indiciado, um processo criminal poderá levá-o à prisão perpétua.

As atitudes de Whip são extremamente reais, Washington fez um grande trabalho, sua interpretação de bêbado e depressivo foi algo impressionante, expõe claramente o maior problema dos drogados e alcoólatras: admitir que é um dependente.


Esse tema é bastante atual, a situação de Whip no filme é um caso discutível, pois em certos aspectos ele está certo, em outros, errado. Percebemos isso claramente durante a história, ele salvou 96 pessoas ou matou 6 pessoas? Assim, trazemos a ficção para a vida real, o nosso dia a dia é feito de decisões morais, somos testados a todo o momento, seja para respeitar uma fila, ou até mesmo dar socorro ao atropelar um ciclista. E nesses casos não há dúvidas de qual é o caminho moral. Venho percebendo, que em todas as classes sociais, a moral e a honestidade são sempre deixadas de lado. Vejam nossos governantes, temos algum confiável?

quarta-feira, 6 de março de 2013

Mr. Mojo Risin': A História do L.A. Woman (Mr. Mojo Risin': The Story of L.A. Woman) - 2011

01/03/2013 - 12
Nota: 7.5
Formato: HD

Direção: Martin R. Smith
Elenco: Ray Manzarek, Robbie Krieger, John Densmore, Bill Siddons, Bruce Botnick, Jac Holzman

Crítica:
L.A. Woman foi o último álbum lançado pela banda sessentista, The Doors.  O documentário foi realizado em comemoração aos 40 anos do disco e conta como foi a gravação de cada uma de suas músicas, não há narração, apenas entrevistas com os remanescentes da banda: Ray Manzarek, Robbie Krieger e John Densmore, mais algumas pessoas que participaram da vida dos Doors: Jac Holzman, fundador, executivo-chefe e chefe da Elektra Records, gravadora que realizou todos os discos da banda; Bill Siddons, que foi o gerente da banda de 1968 à 1972; Bruce Botnick, engenheiro de áudio e produtor musical desse último disco.

O documentário se difere bastante do último lançado: When You're Strange: Um Filme Sobre The Doors (A Film About The Doors) - 2009, pois seu foco é mais voltado para o albúm L.A. Woman do que no The Doors e Jim Morrison. Mas ainda assim, há um grande foco em Jim, pois sua morte aconteceu antes do lançamento do disco.


O filme mostra que no primeiro encontro da banda Morrison e Densmore chegaram com uma lista grande de músicas e poesias. As gravações começam, mas parecia que ninguém estava empolgado, os resultados não estavam bons. Jim começa a demonstrar que não era o mesmo, sua vontade em estar com a banda não era a  mesma. Depois dos acontecimentos em Miami, Jim sentiu bastante, foi perseguido pelo governo e pela imprensa, e os Doors não eram mais bem vistos pelo público. Segundo os entrevistados isso refletiu nas letras de suas músicas, em algumas interpretações, dizia que ele queria ir embora, que eles deviam deixá-lo seguir em frente.

O filme passa por todas as músicas, comentando desde a letra até a mixagem final. L.A. Woman é a principal delas, isso é bem demonstrado, uma mistura de blues com rock.


Ao final, falam um pouco sobre a morte de Jim, como aconteceu, quem foi contactado no primeiro momento, e como foi o enterro. Mas tudo bem simplória, sem ênfase.

Foi um documentário realizado para os fãs, não tem muita informação sobre a história da banda, mas tem bastantes detalhes sobre o disco L.A. Woman. Indispensável para quem realmente gosta dos Doors.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Argo - 2012

23/02/2013 - 11
Nota: 8.5 / 8.0 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Ben Affleck
Roteiro: Chris Terrio, Joshuah Bearman
Elenco: Ben Affleck (Tony Mendez), Bryan Cranston (Jack O'Donnell), Alan Arkin (Lester Siegel), John Goodman (John Chambers), Tate Donovan (Bob Anders), Clea DuVall (Cora Lijek), Christopher Denham (Mark Lijek), Scoot McNairy (Joe Stafford), Kerry Bishé (Kathy Stafford), Rory Cochrane (Lee Schatz), Victor Garber (Ken Taylor), Kyle Chandler (Hamilton Jordan), Chris Messina (Malinov), Željko Ivanek (Robert Pender), Titus Welliver (Jon Bates), Bob Gunton (Cyrus Vance), Philip Baker Hall (Warren Christopher), Richard Kind (Max Klein), Michael Parks (Jack Kirby), Tom Lenk (Rodd), Christopher Stanley (Tom Ahern), Taylor Schilling (Christine Mendez), Sheila Vand (Sahar), Devansh Mehta (Matt Sanders), Omid Abtahi (Reza), Karina Logue (Elizabeth Ann Swift), Adrienne Barbeau (Nina)

Crítica:
Ben Affleck está entrando para lista dos diretores mais promissores de Hollywood. Talvez ele seja um dos primeiros diretores que acompanharei a carreira desde o início. É interessante ver que seu dom para dirigir filmes, está fazendo melhorar suas atuações, pois como ator, ainda precisa crescer muito. Sua filmografia como diretor, tem apenas três filmes, mas todos de alto nível, por enquanto, estão impecáveis: Medo da Verdade (Gone Baby Gone) – 2007, Atração Perigosa (The Town) – 2010 e este.

Argo é um filme político, de espionagem, e bem estadunidense, com todo patriotismo que eles gostam, apesar das várias críticas nas entrelinhas. Além de dirigir, Affleck assinou o roteiro e ainda atuou como personagem principal. O roteiro foi baseado no livro Master of Disguise: My Secret Life in the CIA de Antonio J. Mendez, ex-agente da CIA, que Affleck interpreta; e no artigo How the CIA Used a Fake Sci-Fi Flick to Rescue Americans From Tehran escrito por Joshuah Bearman, da revista Wired, após a CIA retirar a operação Argo dos arquivos confidenciais.


A história de Argo é bem simples, seu grande mérito esta na tentativa, até onde sei, bem sucedida. Fez-se fiel aos acontecimentos reais. Os elogios começam com o figurino, a retratação das personagens e as locações. Tudo se remete aos anos 70: os cabelos, as músicas, os mobiliários das casas e escritórios, os carros, até a cor mais pálida das imagens.

Também é de se elogiar, o suspense e tensão passados com uma realidade impressionante nas interpretações. Todos os atores conseguiram nos mostrar o quão a situação era complicada, que a morte estava bem próxima. A parte final nos deixa completamente atentos e tensos, qualquer movimento em falso pode fazer o plano dar errado. É uma sensação inexplicável, o coração acelera, e quando há o desfecho da história, percebemos que estamos dentro do filme, sentindo o que as personagens estão sentindo.

Pra mim, foram essas as duas principais críticas positivas que fizerem o filme ganhar tantos prêmios, inclusive o Oscar 2013 na categoria melhor filme, pois como a história foi real, muitos sabiam seu final, e ainda assim sentimos o drama real das personagens.


[SPOILER...] O ano é 1979, em plena crise entre Irã e EUA. O então xá, Mohammad Reza Pahlavi, está refugiado nos EUA para tratamento de um câncer, mas os militantes islâmicos querem sua extradição a qualquer custo. Ele é acusado de vários crimes, sua volta é aguardada para julgamento e possível enforcamento. Os EUA se recusam a extraditá-lo, iniciando o conflito, que se culmina em protestos e invasão da embaixada estadunidense. Cinquenta e quatro funcionários são feitos reféns, mas seis deles conseguem fugir, sem que ninguém os perceba, assim, se refugiam na casa do embaixador canadense.

Com isso, o serviço secreto estadunidense, a CIA, precisa correr para resgatá-los, pois será questão de tempo para os agentes iranianos descobrirem que alguns funcionários conseguiram escapar. Várias reuniões com a inteligência da CIA são realizadas, os dias vão pasando e nenhum ideia para resgate é vista como possível, até que o agente secreto Mendez, tem "a melhor ideia ruim": criar um filme falso, com uma equipe de produção que visitaria o Irã em busca de locações para o filme. Como não havia outra ideia, a CIA aceitou. Para colocar seu plano em ação, Mendez procurou o premiado maqueador, John Chambers (John Goodman), vencedor do Oscar por Planeta dos Macacos (Planet of the Apes) - 1968 e o produtor Lester Siegel (Alan Arkin). A intenção era simular a produção o mais real possível. Argo seria uma ficção científica no estilo Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança (Star Wars: Episode IV - A New Hope) - 1977, seria mais fácil acreditar em um gênero que estava em alta e era sucesso na época. Tudo foi realizada de forma que fosse um filme real, a imprensa foi incluída, coletivas foram realizadas, posters, sinópse, tudo foi criado. O filme estava em produção.


Com todos acreditando na produção do filme, Mendez partiu para o Irã, com passaportes falsos e uma nova personalidade para cada um dos seis refugiados. O resgate envolveria um treinamento rígido de todos eles, para decorar e convencer sobre suas novas identidades. A partir disso, a trama foca entre os bastidores da CIA e a execução da missão com Mendez e os seis refugiados. Até o desfecho final, melhor parte do filme, a fuga. [FIM SPOILER

As atuações foram excelentes, pois nos convence, do início ao fim, da tensão e do perigo que o seis estavam passando. A atuação de Ben Affleck foi boa, o personagem não exigiu tanto.

Argo é um dos melhores filmes de espionagem que assisti. Mereceu estar na lista dos indicados a melhor filme no Oscar 2013, mas ainda não posso opinar se mereceu vencer, preciso assistir aos outros candidatos.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O Poder do Soul (Soul Power) - 2008

15/02/2013 - 10
Nota: 8.0 / 6.7 (IMDB)
Formato: Blu–Ray

Direção: Jeffrey Levy-Hinte
Elenco: Muhammad Ali, James Brown, Celia Cruz, BB King, Don King, Miriam Makeba, The Spinners, Bill Withers

Crítica:

O Poder do Soul é um documentário filmado em 1974 sobre o festival musical realizado no antigo Zaire, hoje, República do Congo. A ideia do festival era reunir, em algum país da África, os maiores artistas africanos junto com artistas afro-americanos de grande sucesso da época. Os realizadores procuravam investidores para o festival, e chegaram a Don King, famoso empresário de boxe, que estava promovendo a luta que valeria o título mundial de boxe. A ideia dos realizadores era  unificar a luta do com o festival de música. King gostou da ideia, e com sua influência conseguiu um financiador para o evento musical. A grande luta estava marcada para o Zaire, e reuniria os dois maiores boxeadores da época: Muhammad Ali e George Foreman. Ali se encontrava no auge da fama, e usava isso para seus protestos contra a discriminação racial, política estadunidense e mundial.

Nesse contexto o documentário foi realizado, mas não foi finalizado, pois o investidor não entrou mais em contato e o financiamento foi cortado. Depois os realizadores ficaram sabendo que o investidor havia morrido. Somente na década de 2000 eles arrumaram financiadores para finalizarem o filme.

O filme mostra todos os bastidores para preparação do evento. Desde a montagem do palco, até o show em si. As primeiras negociações para o local físico do espetáculo e contratação dos artistas, até o passo a passo para montagem do palco. A luta fica apenas como pando de fundo, mas algumas há entrevistas interessantes com Ali. Em uma deles, ele fala como os EUA estão atrasados nos direitos humanos, com muito racismo e discriminação racial, além do capitalismo ter tomado conta do país. E na África as coisas são bem mais naturais, as pessoas ainda se preocupam com as pessoas.


O artista mais importante da época era James Brown, a todo o momento percebemos o quanto as pessoas o idolatravam, e o quanto ele era solicitado para entrevistas e depoimentos sobre a importância do evento. Outros importantes artistas foram chamados, mas na época ainda não eram tão famosos, um deles é B.B. King. É até estranho vê-lo novo, andando e fazendo seu show em pé, pra mim foi uma das partes mais interessantes do filme.

Um dos pontos altos do documentário são a reunião e a viagem dos artistas afro-americanos, para a África. Eles se reuniram no que parecia um hotel, para uma festa com todos os envolvidos, vários discursos são feitos, e no outro dia, partem para a viagem à África. Dentro do avião a festa continua com muita bebida e música. Ao chegar ao Zaire, mais festa, foram recepcionados no aeroporto por Don King, e levados ao hotel, onde aconteceria a recepção festiva. É ali que Brown e Ali se conhecem, timidamente se cumprimentam e conversam rapidamente.


Tudo estava preparado para o show, com alguns problemas, mas dentro do esperado. Quando vem a notícia de que a luta não poderia acontecer no dia marcado, pois Ali havia se machucado. Cogitaram adiar o festival, mas tudo estava preparado e não havia tempo hábil para adiamento. Assim, deram continuidade para que os shows acontecessem como programados.

A parte documental acaba aqui, a partir daí, é só imagem dos shows, mostra pelo menos uma música, de praticamente, todos os artistas que se apresentaram naqueles dias. Meu destaque vai para James Brown, é claro, e B.B. King, dois monstros da música mundial. Mas ainda há algumas apresentações de grupos que eu não conhecia, além dos artistas africanos, com grande destaque para Miriam Makeba, que apesar das músicas não me agradarem, tem uma crítica mundialmente positiva.


As pouquíssimas imagens dos shows são o ponto fraco do filme. É mostrada praticamente uma música de cada artista, James Brown tem apenas duas, e mais uma nos extras. Sei que a intenção do filme não é mostrar os shows, mas poderiam ter colocamos mais músicas, ou pelo menos lançado outro blu-ray com todas as músicas.

Ainda assim, o documentário é um registro importantíssimo para os adoradores da boa música. É um histórico dos acontecimentos da época, e nos diz como os artistas foram importantes para o fim do racismo.
Com certeza é indispensável para quem é fã da black music.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Para Roma com Amor (To Rome with Love) - 2012

13/02/2013 - 9
Nota: 7.0 / 6.4 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Woody Allen
Elenco: Woody Allen, Alec Baldwin, Jesse Eisenberg, Alison Pill, Robert Benigni, Judy Davis, Alessandra Mastronardi, Ellen Page, Greta Gerwig, Penélope Cruz, Flavio Parenti, Fabio Armiliato, Alessandro Tiberi, Riccardo Scamarcio, Antonio Albanese, Ornella Muti

Crítica:
Woody Allen vem escolhendo as locações de seus filmes em cidades turísticas e românticas, mostrando suas belezas como pano de fundo. Esse se passa em Roma, uma cidade maravilhosa, com ruas rústicas, grandes praças, muito movimento e turismo. Como sempre, a base de seus filmes é bastante diálogo, mas dessa vez, além de fazer comédia com as falas, fez também com as inúmeras coincidências absurdas, que são as partes mais engraçadas.

Allen conseguiu fazer um bom filme, e mostra mais uma vez, que não preciso tecnologia para fazê-los. Interessante ver que ele construiu quatro enredos sem ligações em um filme só, até usou um pouco de ficção em uma das histórias, mostrando como é muito versátil, pois os temas são bem diferentes, e isso não é simples. Está longe de ser seu melhor filme, outros são melhores como Vicky Cristina Barcelona - 2008 e Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris) - 2011, mas esse é um ótimo filme, que vale a pena assistir.

[SPOILERS...] No filme acompanhamos quatro histórias distintas acontecendo na cidade, contadas simultaneamente e intercaladas. Primeiro conhecemos Hayley (Alison Pill), uma jovem turista que conhece o nativo advogado Michelangelo (Flavio Parenti), e começam um romance. Logos seus pais, Jerry e Phyllis (Woody Allen e Judy Davis), vêm à Roma para conhecer o novo namorado e sua família. No encontro entre as famílias, Jerry escuta Giancarlo (Fabio Armiliato), pai de Michelangelo, cantando ópera no chuveiro, e percebe seu potencial musical, convence-o de fazer um teste profissional, mas descobre que seu talento acontece apenas ao tomar banho. Entre vários diálogos engraçados, Giancarlo vira um grande tenor, mas sempre cantando no chuveiro.


Em outra história acompanhamos o arquiteto Jack (Alec Baldwin), que ao revisitar o bairro onde morou quando estudante, encontra John (Jesse Eisenberg), um rapaz que mora exatamente em sua ex-casa. John o convida para rever a casa e tomar um café, os dois e sua namorada Sally (Greta Gerwig). Entre os bate-papos, Sally conta que sua amiga Monica (Ellen Page) está chegando e passará alguns dias hospedada na casa eles. John não vê problemas, mas Jack o aconselha não recebê-la, pois as descrições ditas por Sally poderiam colocar em risco o namoro dos dois. Monica chega e logo John percebe que Jack estava certo e os dois acabam tendo um caso. Mas o interessante da história é que aos poucos vamos percebendo que Jack é John no futuro, e ele está apenas revisitando seu passado.


A terceira história conta a vida de Leopoldo (Robert Benigni), um homem tradicional, que não faz mais do que seguir sua rotina diária. Quando de repente ele se torna uma celebridade. Todos o idolatram, querem saber de sua vida, é convidado para festas, com se fosse uma pessoa famosa há anos. No início ele acha estranho, mas aos poucos vai gostando de ser o centro das atenções, até que começa a se aproveitar disso. Quando de repente, ele não é mais a celebridade, sua fama acaba, ninguém mais o reconhece, assim Leopoldo fica transtornado, exigindo e perguntando às pessoas e informando quem ele é. Mas a fama realmente acabou.


Na última história encontramos um jovem casal, recém-chegado à Roma. Eles serão recepcionados pelos tios tradicional do rapaz  (Alessandro Tiberi), assim, ao chegarem ao hotel, sua esposa (Alessandra Mastronardi) decide sair para ir ao salão. É quando começam as coincidências embaraçosas. O rapaz recebe no quarto do hotel uma prostituta Anna (Penelope Cruz), que o confundi com outro cliente, no mesmo momento seus tios chegam e ele é obrigado afirma que Anna é sua esposa. A procura do salão, a moça se vê perdida nas ruas de Roma, quando encontra um ator, que é fã, ele a seduz e a leva para seu hotel. Tudo indicava que os dois iriam parar na cama, mas é quando um assaltante entra no quarto, e com um fim bizarro, ela acaba por ir pra cama com o assaltante.

As atuações são bem caricatas, cada um dos atores principais das histórias assumiu um papel bem marcante. Alguns deles com destaque maior, e posso começar citando Penelope Cruz, como sempre linda, mas fazendo uma prostituta despojada ficou ainda mais sexy, por isso, não foi tão exigida, sua beleza natural faz a personagem. Atores como Jesse Eisenberg e Robert Benigni sempre marcam, por terem o mesmo jeito de atuar, Eisenberg com falas rápidas e Benigni com seu gesticular de mãos. Também dou um destaque para Allen, apesar de sua aparência não ser agradável, ele sempre tem um bom desempenho.

No papel de roterista, Woody Allen tocou em alguns temas interessantes e outros polêmicos. Um deles é a traição, o jovem casal, em situações diferentes acaba um traindo o outro, e isso faz com que o relacionamento fique melhor e apimentado. Outro tema é o experiente arquiteto revisitando seu passado, tentando mudá-lo e reconhecendo que alguns fatos todos têm que experimentar, para assim, saber se é ruim ou bom. Não adianta ninguém falar, temos que vivenciar. Durante a vida temos fatos divisores que nos faz dar certo ou errado, seja no trabalho, nos estudos ou com algum dom que nem sabemos que temos. E muitas vezes um “empurrãozinho” de alguém, pode ser essencial para que a coisa aconteça da forma certa. Acompanhamos isso na história de Jerry e Giancarlo. Se qualquer um de nos procurar nas nossas lembranças, vamos perceber que pessoas iguais Jerry passaram por nossas vidas, e muitas vezes nem as percebemos. Já a história de Leopoldo fez-me lembrar de que a maioria de nós procura exatamente a rotina e a estabilidade para sua vida, e para mim, esse é dos motivos que o nosso país não vai pra frente. Não somos um povo proativo. Sei que existem as exceções, mas brasileiro é acomodado. Também houve a exposição à fama, que pode ser parecido com poder. Basta uma pessoa ter fama ou poder para mostrar quem ela realmente é. [FIM SPOILERS]

Essas foram as mensagens que tirei do filme, mas é claro que essas percepções tem haver com minhas experiências. Assistam ao filme para terem as suas.