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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty) - 2012

08/10/2014
Nota: 8.0 / 7.4 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Kathryn Bigelow
Roteiro: Mark Boal
Elenco: Jessica Chastain (Maya), Jason Clarke (Dan), Joel Edgerton (Patrick, líder SEAL Team Six), Jennifer Ehle (Jessica), Mark Strong (George), Kyle Chandler (Joseph Bradley), Édgar Ramírez (Larry), James Gandolfini (Diretor da CIA), Chris Pratt (Justin, membro SEAL Team Six), Callan Mulvey (Saber, membro SEAL Team Six), Fares Fares (Hakim), Reda Kateb (Ammar), Harold Perrineau Jr. (Jack), Stephen Dillane (Assessor da Segurança Nacional)

Crítica:
O patriotismo estadunidense não tem fim, em certos momentos vão além da razão. Realizar um filme sobre a morte de Bin Laden deveria ser apenas um desses momentos de pratiotismo, e sem dúvida seria uma história ruim, cheia de clichês com um final que o mundo inteira sabe. Mas é nesse momento que conseguimos separar os bons, dos ruins diretores. Qualquer história, por mais banal que seja, entregue nas mãos certas, é possível realizar um excelente filme.

Foi o que aconteceu com esse A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty) - 2012. A história tinha tudo pra ser chata, com apenas aquele nascionalismo para mostrar ao mundo que eles conseguiram, e que é possível vencer o terrorismo. Mas Kathryn Bigelow conseguir fazer algo surpreendente, mostrar os bastidores dessa caçada e o sofrimento de uma agente da CIA, que por 8 anos persseguia os rastros do terrorista.


O filme nos mostra com aconteceu todo o processo para rastrear o pior terrorista que o planeta já viu. Maya passa anos tentando encontrá-lo, asssim acompanhamos seu amadurecimento e como seu trabalho a consumiu. Antes contra torturar pricioneiros, passa solicitar as torturar tudo com ansia de chegar em seu objetivo principal.

Jessica Chastain dá a Maya um rosto de menina, mas aos poucos mostra o quanto leva a sério seu trabalho e sua obstinação chega a ser doentia. Seu trabalho é impecável, no fim percebemos o quando o governo dos EUA suga seus agentes, a pressão é enorme.


Todo o trabalho é tão bem feito que, a pesar de saber o fato final, ficamos torcendo para que a missão dê certo, e que nada aconteça com Maya. A impressão é de tensão do incício ao fim, e sentimos isso, pois nossa atenção fica fixa em todos os diálogos. O processo de espionagem e sigilo é algo que parece ser ficcional, mas da forma que foi exposto é plausível e real.

Por fim, vale a pena assistir para ver um projeto de aproximadamento 10 anos ser concluído com sucesso.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

O Mestre (The Master) - 2012

16/02/2014
Nota: 7.0 / 7.1 (IMDB)
Formato: HD

Diretor: Paul Thomas Anderson
RoteiroPaul Thomas Anderson
Elenco: Joaquin Phoenix (Freddie Quell), Philip Seymour Hoffman (Lancaster Dodd), Amy Adams (Peggy Dodd), Ambyr Childers (Elizabeth Dodd, filha de Lancaster), Jesse Plemons (Val Dodd, filho de Lancaster), Rami Malek (Clark, genro de Lancaster Dodd), Laura Dern (Helen Sullivan), Madisen Beaty (Doris Solstad), Lena Endre (Sra. Solstad), Kevin J. O'Connor (Bill William), Amy Ferguson (Martha a Vendedora), Joshua Close (Wayne Gregory), Patty McCormack (Mildred Drummond), Fiona Dourif (Dançarina), David Warshofsky (Policial da Filadélfia), Steven Wiig (Seguidor na Filadélfia), W. Earl Brown (Empresário)


Crítica:
O Mestre é um drama que busca criticar uma parte da sociedade que se refugia em religiões, seitas ou grupos em busca de explicações para os grandes mistérios da humanidade: de onde viemos, pra onde vamos; os porquês da nossa existência. Exatamente onde a ciência para e não consegue nos dar mais respostas, entram as igrejas se apegam e muitas vezes abusam da fragilidade da mente humana. Essa fragilidade, nesse caso, é criticada pela falta de assistência dada aos ex-combatentes de guerra, tanto nas duas grandes guerras, e ainda hoje, pois voltam extremamente debilitados psicologicamente, e muitas vezes tornam-se fardo e ficam à mercê da sociedade.

[SPOILERS...] O filme narra a história de Freddie Quellm, um veterano da II Guerra Mundial, alcoólatra, que está perdido numa sociedade pós-guerra, sem amparo algum. Passa por vários empregos, como fotógrafo ou fazendo serviços de colheita de repolho, mas seus problemas com o álcool sempre o atrapalham. Até que em dos momentos de embriagues, ele se vê abordo de um iate, onde conhece Lancaster Dodd. Dodd é o mestre de uma seita religiosa conhecida como "A Causa", que busca solucionar problemas físicos ou psicológicos das pessoas através de hipnose, fazendo-as revisitarem suas vidas passadas.


Agora Freddie é parte integrante da seita, e passa ter a confiança de Dodd, tornando-se uma cobaia para Dodd, que o faz passar por todo o processo de "cura". Além da hipnose, são feitas perguntas direcionadas sobre sua vida, de momentos psicologicamente estressantes para Freddie. Também são feitos exercícios rotineiros, semelhantes às torturas psicológicas. Mas Freddie, sem acreditar, e um pouco cético, não vê evolução, e seu comportamento não melhora em nada. Continua bebendo e extremamente nervoso nas situações de estresse. Isso faz com que os principais integrantes da família de Dodd comecem a duvidar da cura de Freddie, todos com receito do seu comportamento. Mas Dodd diz que se ele não está curado, a falha é deles, e é mais um motivo para continuarem tentando.

Freddie acaba se afastando para procurar uma antiga namorada, principal motivo de seus problemas psicológicos, mas Dodd o encontra novamente, chamando-o para voltar para A Causa, que agora se encontra na Inglaterra, à procura de novos fieis. Freddie resolve encontrá-los, mas logo no primeiro contato, é confrontado sobre suas razões para voltar, exigindo-lhe que deveria partir de si mesmo a vontade de ser tratado novamente, e acreditar fielmente no processo. A cena seguinte mostra Freddie transando, e brincando com sua parceira com os métodos utilizados em seu processo, não deixando de forma clara a sua escolha. [FIM SPOILERS]


O filme foi indicado ao Oscar de Melhor Ator por Phoenix, Melhor Ator Coadjuvante por Hoffman  e de Melhor Atriz Coadjuvante por Adams. As três indicações foram merecidas, mas Joaquin Phoenix fez um trabalho de extremo realismo. Fisicamente muito magro, aparência acabado pelo álcool, sua interpretação de um cara psicologicamente perturbado, por sua experiência na guerra é de uma perfeição inacreditável. A época também foi muito bem retratada, tanto pelos figurinos, quanto pelas locações.

O roteiro que é um pouco difícil em certos momentos, ele não explicita ao espectador quanyo tempo se passou, ou como as decisões dos personagens afetam todos, apenas toma aquilo com verdade e segue a história. No fim percebemos que o foco do roteiro não é o personagem principal, pois não há uma final para ele, na verdade, os dramas das situções que se passam são o personagem principal.

Lendo algumas curiosidades sobre o filme, descobri que parte dos argumentos utilizados para A Causa foram baseados na Cientologia, criada por L. Ron Hubbard na década de 50, que juntava um conjunto de crenças e práticas para formar um sistema de auto-ajuda. Por curiosidade, é a religião que Tom Cruise segue. De qualquer maneira, a crítica vale para todas as igrejas, que se utilizam da fraqueza psicológica das pessoas para realizarem uma lavagem cerebral de forma que passem a acreditar naquilo com verdade absoluta, sem dar chances para questionamentos. Fazendo as pessoas acreditarem em coisas consideradas absurdas para o senso comum. Dessa forma, na maioria das vezes, aproveitam para exigir de seus fiéis, quase que obrigatoriamente, a contribuição de bastante dinheiro.


Toda igreja tem uma função social importantíssima, pois elas acabam por orientar as pessoas para o bem, mas para isso, cobram caro, e metem descaradamente. Muitas tiram dinheiro de quem não tem, deixa de comer para comprar seu pedacinho no céu.

A outra crítica é o despreparo de países como os EUA, que até hoje mandam seus jovens para guerras, mas quando voltam, não tem uma política satisfatória para sua reintegração à sociedade, e muitos acabam com doenças depressivas pelo resto da vida.

É claramente um filme crítico, gostaria de ver uma opinião de Tom Cruise sobre ele. Todos os evangélicos e religiosos deveriam assisti-lo.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

O Homem da Máfia (Killing Them Softly) - 2012

13/07/2013
Nota: 7.0 / 6.3 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Andrew Dominik
Elenco: Brad Pitt (Jackie Cogan), Scoot McNairy (Frankie), Ben Mendelsohn (Russell), Richard Jenkins (Driver), James Gandolfini (Mickey), Ray Liotta (Markie Trattman), Sam Shepard (Dillon), Slaine (Kenny Gill), Vincent Curatola (Johnny Amato), Max Casella (Barry Caprio), Trevor Long (Steve Caprio)

Crítica:
Tenho uma lista de atores que qualquer coisa que eles fazem eu assisto, Brad Pitt é um deles. Por ter feito tantas atuações memoráveis sempre acredito que ele pode me surpreender. Algumas delas vão ficar para sempre na história do cinema, com em: Kalifornia - Uma Jornada ao Inferno (Kalifornia) - 1993, Seven - Os Sete Pecados Capitais (Se7en) - 1995, Os 12 Macacos (Twelve Monkeys) - 1995, Clube da Luta (Fight Club) - 1999. E até mesmo em comédias com: Queime Depois de Ler (Burn After Reading) - 2008. Eu citei os que eu mais gosto, essa lista poderia ser maior se analisarmos as premiações e a repercussão que o filme causou na época.


Essa é a principal explicação para eu assistir esse filme. [SPOILERS...] Pitt faz o papel do assassino de aluguel Jackie Cogan, mas no caso, não é contratado para matar qualquer um, sua missão é matar os envolvidos em um assalto. Por duas vezes um grupo de mafiosos é assaltado durante a jogatina semanal de cartas. A primeira vez ninguém soube quem era o culpado, mas num momento de embriaguês Markie Trattman (Ray Liotta), confessa o roubo num tom de brincadeira, ninguém realmente acredita nele, apesar das desconfianças. No entanto, um novo assalto acontece, mas dessa vez os mafiosos querem a morte dos culpados, o primeiro a morrer é Trattman, pois na desconfiança, é eliminado assim mesmo. A partir disso a história se volta para Jackie Cogan na caçada aos verdadeiros assaltantes. [FIM SPOILERS]


A roteiro é bem simples, mas o que se destaca é a forma como Cogan encontra seus perseguidos, e se mostra um frio assassino. As mortes, tiros, brigas são bem reais, mostra sangue, deformação e estrago que uma bala faz na cabeça das pessoas. Lembrou muito Drive - 2011 e um pouco de Infiltrados (The Departed) - 2006, claro que com menos recurso cinematográfico. A violência explícita e real é um diferencial para o filme. Existem melhores do gênero, mas não foi perda de tempo, gostei bastante.


O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook) - 2012


12/07/2013
Nota: 8.5 / 7.9 (IMDB)
Formato: HD

Direção: David O. Russell
Roteiro: David O. Russell
Elenco: Bradley Cooper (Patrick "Pat Jr." Solitano), Jennifer Lawrence (Tiffany Maxwe), Robert De Niro (The Father), Jacki Weaver (Dolores Solitano), Chris Tucker (Danny), Julia Stiles (Veronica), Anupam Kher (Dr. Patel), Brea Bee (Nikki), Shea Whigham (Jake Solitano), John Ortiz (Ronnie), Paul Herman (Randy)

Crítica:
Depois que o Oscar passou a ter 10 indicações para melhor filme, começamos a ter algumas surpresas nessa categoria. Isso ajudou aos críticos acabarem com algumas injustiças que aconteceram anteriormente. Ainda acontece, mas com menos frequência, pois agora há espaço para os filmes de ação, aventura, super-herói e comédias românticas.

O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook) - 2012 é, teoricamente, uma comédia romântica, mas com um fundo dramático muito grande. [SPOILERS...] O filme conta a história de Pat Jr., um cara com problemas de bipolaridade, que acaba de sair de uma internação de 8 meses de tratamento. Volta para casa dos pais e busca reatar seu casamento. Logo percebemos que Pat ainda não está cem por cento curado, algumas de suas atitudes ainda são inexplicáveis. Na maioria das vezes acontece quando escuta a música de seu casamento ou quando fica nervoso e passa a escutar a música, mesmo que não está tocando. Tudo isso vem da traumática separação com sua esposa, pois chegando em casa, ao som da música do seu casamento, encontra sua esposa e um professor, colega de trabalha, transando no banheiro. Num surto de ódio, Pat espanca seu colega até quase a morte.


Em busca de reatar com sua esposa, Pat visita um amigo, que poderá ajudá-lo, lá conhece Tiffany, que também passa por problemas emocionais, pois seu marido morreu recentemente, e ela se tornou uma compulsiva sexual. Os dois iniciam uma amizade estranha, onde um, procura ajudar o outro. É então que Tiffany propõe a Pat a ensaiar dança para um concurso, e se aceitasse, levaria uma carta para sua ex-esposa. [FIM SPOILERS]

O conflito chaga até a família de Pat quando seu pai, viciado em apostas, perde bastante dinheiro, e culpa o filho por não ter ido ao jogo, e isso ser a causa da derrota do time. No meio da discussão Tiffany chega, e também acaba sendo acusada pelo pai de Pat, mas ela prova que se Pat tivesse ido ensaiar, provavelmente seu time ganharia. Pat Sr. concorda e faz uma nova aposta, mas dessa vez não seria apenas na vitória do seu time, mas também uma nota 5.0 no concurso em que Pat e Tiffany disputaria, uma aposta dupla. O final é sensacional, por isso não comentarei.


Mesmo sendo bem dramático, pela situação emocional que os persongens enfrentam, o filme é uma comédia romântica, e considero um dos melhores que vi desse gênero. O diretor David O. Russell deve ser muito valorizado, ainda mais por ser o roteirista, pois ele soube colocar três gêneros: drama, comédia e romance, numa sintonia que nunca havia visto num filme. Nas atuações o destaque vai para Bradley Cooper, excelente, surpreendente, nos faz entrar na cabeça e entender os dramas do personagem. Robert De Niro está muito bem, assumindo sua velhice nesse papel. Jennifer Lawrence, indicada ao Oscar por Inverno da Alma (Winter's Bone) - 2011, mostrou que sua indicação anterior não foi atoa. Além disso, está linda.


Esse é o tipo de filme que toda mulher gosta, pois termina com todos felizes para sempre, como na maior parte das comédias românticas. Sou um dos maiores críticos desse tipo de filme, mas dessa vez, a história nos faz querer que isso aconteça e o final realmente é excepcional. É um filme para se assistir com uma mulher do lado.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Detona Ralph (Wreck-It Ralph) - 2012

13/04/2013
Nota: 7.5 / 7.9 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Rich Moore
Roteiro: Clark Spencer
Vozes: John C. Reilly, Sarah Silverman, Jack McBrayer, Jane Lynch, Alan Tudyk, Mindy Kaling, Ed O'Neill, Dennis Haysbert, Edie McClurg, Rachael Harris, Adam Carolla, Horatio Sanz

Crítica:
Ainda não consegui entender o porquê do filme Valente (Brave) - 2012 ter vencido o Oscar 2013 na categoria Melhor Animação. A história de Detona Ralph não tem nada de novo, mas ainda assim, é muito mais consistente e cativante do que a de Valente. Qualquer comparação que se faça, Valente só venceria no quesito visual da computação gráfica, o restante perderia de muito.

A premissa do roteiro de Detona Ralph é a mesma de Toy Story - 1995, procura dar vida às coisas que fazem parte da diversão de crianças. Um dá vida aos brinquedos e bonecos, na maioria deles nostálgicos, o outro dá vida aos personagens dos jogos eletrônicos, alguns deles dos primórdios dos videos games. Nos dois casos, por se tratarem de personagens antigos, fez aproximar o público adulto da história, sem tirar a essência para o público infantil.


[SPOILER...] A história se inicia com a apresentação do personagem principal: Ralph. Ele é o vilão de um dos jogos mais antigos do fliperama, “Conserta Felix”, que está para completar 30 anos de funcionamento. É um jogo bem semelhante aos jogos de Atari, o objetivo é que Felix escale um prédio para consertar os estragos que Ralph faz, e ao final de cada fase, Ralph é jogado de cima do prédio. [FIM SPOILER]

Dentro dessa contextualização poderemos ver personagens de outros games, como: Pac man e seus fantasmas; Bowser, vilão do Super Mário; Ken, Ryu, M. Bison e Zangief do Street Fighter; entre outros. Apesar de rápidas, essas cenas nos traz boa nostalgia. Zangief aparece em uma sessão de autoajuda para vilões, Ryu está em um bar tomando cerveja. Também podemos perceber que para cada tipo e época do jogo, sua apresentação muda, para os mais antigos, os  movimentos são quadro a quadro e são desenhados com se tivessem grandes pixels. Isso mostra a ótima representação e caracterização dos games conhecidos.

Bem interessante foi a forma como acharam para fazer a ligação entre os jogos. Como as máquinas estavam todas em um fliperama, os cabos de energia funcionam como linhas de trens, o padrão elétrico com uma estação, e a energia elétrica como o próprio trem. Genial!


[SPOILER...] Voltando à história, Ralph está cansado de ser o cara mau, e para provar que pode ser um herói, pretende ganhar uma medalha que somente os heróis ganham. Assim, começa a invadir outros jogos para derrotar inimigos. Numa dessas investidas, consegue uma medalha, mas a perde dentro o jogo “Sugar Rush”, onde conhece a pequena Vanellope, que é considerada um bug dentro do seu jogo, por isso, é proibida de competir nas corridas pelo maldoso rei Candy. Agora Ralph tem que recuperar sua medalha e ajudar Vanellope a competir e vencer uma corrida. [FIM SPOILER]

Desse ponto em diante, as referências visuais acabam e passam a ser mais discretas, com algumas trilhas sonoras conhecidas, e outros detalhes mais discretos.

Como descrevi, a história central não tem nada haver com as referências aos outros jogos, o roteiro foi bem escrito, trazendo uma história original e concisa. Pra mim, superou de longe os últimos filmes da Disney/Pixar.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Valente (Brave) - 2012

10/04/2013 - 19
Nota: 6.5 / 7.5 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Mark Andrews, Brenda Chapman, Steve Purcell
Roteiro: Brenda Chapman, Irene Mecchi
Vozes: Kelly Macdonald, Billy Connolly, Emma Thompson, Craig Ferguson, Julie Walters, Robbie Coltrane, Kevin McKidd, John Ratzenberger

Crítica:
A Pixar conseguiu criar uma reputação incontestável na produção de animações cinematográficas. Valente (Brave) - 2012 é seu 13º longa metragem, com os 11 primeiros bastante aclamados pela crítica. Em seu 12º filme, Carros 2 (Cars 2) – 2011, aconteceram incisivamente, as primeiras críticas negativas, foi um filme feito com características que a Disney coloca nas sequências de suas animações:  filmes realizados pensando apenas financeiramente, os famosos “caça nickels”, aproveitando-se do grande sucesso do primeiro.

Valente não é uma sequência, mas veio com a pressão de fazer a Pixar voltar a realizar uma animação com a mesma qualidade dos primeiros filmes. [SPOILER...] Seu enredo conta a história da primeira princesa da Pixar, Merida, que vive nas montanhosas das terras altas da Escócia. Desde sua infância, Merida demonstra não ser uma princesa tradicional, tanto que em seu aniversário, ainda na infância, seu pai lhe dá um arco e flecha de presente, isso só a faz buscar cada vez mais atividades de meninos, andando de cavalo, treinando tiro ao alvo com flechas etc. Enquanto sua mãe tenta de qualquer maneira transformá-la em uma princesa tradicional, com modos refinados e todas as formalidades de seus antepassados.


Quando ela atinge certa idade, sua mãe a oferece para os pretendentes de cada um das três tribos do reinado. Os candidatos, filhos primogênitos dos chefes das tribos, terão que passar por uma olimpíada para saber quem será o futuro marido de Merida. Propositalmente ela escolhe arco e flecha para a competição. E depois dos três candidatos acertarem o alvo, e um deles, sem querer, acertar o centro, Merida candidata-se para ganhar a sua própria mão. Super treinada, acerta todos os alvos com perfeição, causando revolta à sua mãe.

As duas brigam e Merida corre para a floresta, onde encontrar uma bruxa, que lhe dá um feitiço para fazer a sua mãe mudar de ideia e não forçá-la a casar. Então, Merida oferece um bolo enfeitiçado à sua mãe, e a transforma em um urso.

A história segue com Merida tentando esconder sua mãe urso de seu pai, ao mesmo tempo em que tenta descobrir como quebrar o feitiço. Ao final Merida consegue desfazer o feitiço, as duas se entendem e Merida não é mais obrigada a se casar. [FIM SPOILER]


A história é bem fraca, principalmente a partir da segunda metade, pois a premissa inicial nos deixa com grande expectativa, uma menina que busca de todas as forma seus direitos de liberdade, com a mesma autonomia que fizeram as revoluções feministas. Poderiam transformá-la numa guerreira, ou algo do gênero,  quebrando totalmente as barreiras das tradições da época. Tinha potencial para ser uma história muito melhor e completamente diferente.

Mas partiram para um tema bastante utilizado pelo cinema, o conflito entre pais e filhos. Alguns exemplos são: A Árvore da Vida (The Tree of Life) - 2011, Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right) - (2010), Os Descendentes (The Descendants) - 2011. A adolescência é uma fase de conflitos que todos os seres humanos passam. É a transição da infância para a fase adulta, onde achamos que sabemos tudo, que somos dono do mundo, mas na verdade ainda estamos engatinhando e conhecendo as responsabilidades que implica se tornar adulto. Os pais tem insegurança de soltar os filhos, de deixá-los ir para a vida, e os filhos querem liberdade total, fazer o que quiserem, mas na maioria das vezes, são atitudes inconsequentes.

Hoje percebemos que a fase adolescente está se prolongando, com os pais segurando os filhos dentro de casa, não os deixando ter suas responsabilidades. Ao mesmo tempo, os adulto-adolescentes não querem assumir responsabilidades alguma, continuam na comodidade da casa dos pais, onde não precisam fazer nada, e muito menos pagar alguma conta, nem mesmo as suas. Essa é uma realidade bastante presente no meio em que vivo. Isso é muito triste, "são os filhos de papai", "criados com vó".


Ainda assim, o ponto forte da Pixar ganha bastante destaque, a tecnologia da computação gráfica está cada vez melhor. Os cabelos cacheados de Merida é algo impressionante, tanto na realidade, quanto na textura, os fios de cabelo são independentes. Havia assistido várias animações em que os cabelos são bem feitos, mas nesse, eles chegaram à perfeição.

Acredito que a Pixar ainda tem um grande potencial para voltar a fazer seus excelentes filmes. Algumas sequenciam estão por vir: Universidade Monstros (Monsters University) - 2013 e Procurando Dory (Finding Dory) - 2015. E mais um original: The Good Dinosaur - 2014. Tenho grande expectativa no Universidade Monstros, pois considero seu antecessor, Monstros S.A. (Monsters, Inc.) - 2001, o melhor filme da Pixar.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

As Aventuras de Pi (Life of Pi) - 2012

31/03/2013 - 18
Nota: 8.0 / 8.2 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Ang Lee
Roteiro: David Magee
Elenco: Suraj Sharma (Piscine Molitor "Pi" Patel), Irrfan Khan (Pi adulto), Tabu (Gita Patel, mãe de Pi), Adil Hussain (Pai de Pi), Vibish Sivakumar (Ravi Patel, irmão de Pi), Gérard Depardieu (O cozinheiro), Po-Chieh Wang (O Marinheiro), Andrea Di Stefano (O Padre), Rafe Spall (O Escritor), Shravanthi Sainath (Anandi, namorada adolescente Pi), Andrea Di Stefano (o Sacerdote)

Crítica:
As Aventuras de Pi é um filme baseado no romance escrito por Yann Martel. A história é narrada pelo personagem Pi, que conta sua jornada de sobrevivência a um naufrágio. De origem indiana, a família de Pi é obrigada a se mudar para o Canadá, levando consigo todos os seus pertences, inclusivo os animais do zoológico que são donos em Pondicherry, Índia.

[SPOILERS...] Viajando a bordo de um enorme cargueiro japonês, Pi e sua família: pai, mãe e irmão; são pegos de surpresa em meio a uma tempestade, a qual causa o naufrágio do navio. Pi, que estava na proa do navio, consegue entrar em um dos barcos salva vidas, quando uma zebra pula dentro do barco, jogando-os direto ao mar.


Ao acordar no dia seguinte, já sem a tempestade, percebe que não há mais sinal do navio, e que ainda se encontra em companhia da zebra, mas logo vê que a tripulação do barco é muito maior: uma macaca, uma hiena e um tigre de bengala chamado Richard Parker. Nesse contexto, Pi vê de perto o que é o instinto de sobrevivência animal e a lei do mais forte, logo está apenas em companhia de Richard Parker. [FIM SPOILERS]

Desse momento em diante, Pi passa os dias lutando para sobreviver, e ainda conviver com Richard Parker. Numa analogia, podemos perceber algumas semelhanças com o filme Náufrago (Cast Away) - 2000. O tigre tem o mesmo sentido que Wilson, serve como distração e psicologicamente não o deixa sucumbir para a morte. Além disso, trouxe-me lembranças dos programas do canal fechado Discovery: Eu Sobrevivi e À Prova de Tudo. O primeiro conta histórias de pessoas que sobreviveram a desastres ou fatalidades, que nem todos que estavam junto viveram para contá-las; o segundo é sobre o aventureiro Bear Grylls, que procura mostrar técnicas de sobrevivências em casos extremos. Em vários de seus programas Grylls diz que: "em casos extremos, só sobrevive quem está disposto a sobreviver". E no filme percebemos isso claramente, Pi a todo momento faz de tudo para sobreviver, até as adversidades, que poderíamos dizer, fictícias, ele consegue vencer.


Mas a principal mensagem do filme está na religião para as religiões e na crença em Deus. Ainda menino, Pi busca em várias doutrinas religiosas explicações para o mundo em que vive, assim, acaba por buscar apenas as coisas boas e verdadeiras de cada uma delas. São nessas crenças e fé que Pi se agarra nos momentos mais difíceis de sua jornada, isso demonstra para o incrédulos, céticos ou ateus, que Deus aparece sempre nos momentos difíceis, não porque ele exista, mas sim, por ser nesses mementos onde é difícil enxergar na razão, uma solução para a situação, ou seja, sempre quando nos depararmos com a morte, buscaremos no fundo das consciência, a resposta na fé e em Deus, pois esse é o ponto fraca da ciência e é onde as religiões se amparam. E tudo isso está relacionado com o medo da morte.

Pela história simples e por mexer com um tema tão polêmico: a religião, sem entrar nos méritos de cada uma delas, As Aventuras de Pi mereceu sua indicação ao Oscar na categoria de melhor filme. Além disso, houve as indicações técnicas, que é outro ponto forte do filme, os efeitos especiais é algo inexplicável, algo no nível de Avatar - 2009. O tigre de bengala foi todo feito com computação gráfica, quem não sabe disso, nem percebe, acha que ele é real. A fotografia também tem grande destaque, há imagens de beleza indescritíveis, principalmente quando anoitece, e os raios da lua ganham destaque.


O diretor Ang Lee entrou para lista dos poucos que ganharam dois Oscars na categoria melhor diretor, mas esse prêmio eu discordo um pouco, apesar desse filme ter sido muito bem dirigido. Há outros que merecem maior destaque, digo isso sem assistir a todos indicados, e meus destaques vão para dois diretores que nem foram indicados: Quentin Tarantino, com Django Livre (Django Unchained) - 2012; e Ben Affleck, com Argo - 2012. O que Tarantino vem fazendo pelo cinema é algo admirável, sua filmografia é invejável, mas ainda não ganhou um Oscar por melhor direção, inexplicável! Para Aflleck, consigo me contentar, é um jovem diretor que ainda tem muita coisa para mostra, mas seu Oscar está bem próximo.

Em resumo, As Aventuras de Pi é um ótimo filme, encantador, que nos faz repensar alguns valores de nossa vida, principalmente os religiosos e da fé. Vale a pena assistir.

terça-feira, 12 de março de 2013

O Voo (Flight) - 2012

11/03/2013 - 14
Nota: 7.0 / 7.3 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: John Gatins
Elenco: Denzel Washington, Kelly Reilly, Bruce Greenwood, Nadine Velazquez, Don Cheadle, John Goodman, Brian Geraghty, Tamara Tunie, James Badge Dale

Crítica:
Robert Zemeckis está de volta ao live action, depois de três filmes com captura de movimentos: O Expresso Polar (Polar Express) - 2004, A Lenda de Beowulf (Beowulf) - 2007 e Os Fantasmas de Scrooge (A Christmas Carol) - 2009. Seu último filme com live action foi Náufrago (Cast Away) - 2000.

Neste, Zemeckis trabalha com temas morais, procurando mostrar até onde vai a honestidade humana e como convivemos com a pressão que sociedade exerce sobre nós. O que é certo e o que é errado são conceitos opostos, mas que andam lado a lado, trazendo sérias discussões.

[SPOILERS...] O Voo começa com uma cena mostrando os excessos da vida de William "Whip" Whitaker (Denzel Washington), um piloto veterano que logo percebemos seus problemas com álcool e drogas. A cena se desenrola com o piloto chegando para assumir um voo num dia com tempestade.


A decolagem é extremamente tensa, com Whip fazendo a aeronave subir a máxima altitude para ultrapassar as nuvens carregadas, com bastante turbulência e temor de seu copiloto, Brian Geraghty (Ken Evans), ele consegue, o sol aparece e tudo fica tranquilo.

Para relaxar Whip mistura duas garrafinhas de vodca em seu suco. A cena muda, e mostra o piloto dormindo, com Geraghty no comando do voo. Quando a aeronave apresenta uma pane, Whip acorda com solavancos, toma para si o manche e começa os procedimentos para manter a nave no ar. Tudo indica que não haverá como salvá-los, mas Whip numa manobra instintiva, orienta o copiloto e uma das aeromoças, a executarem tarefas para que ele consiga virar a nave de cabeça para baixo. A manobra é feita, e se sustenta até aproximar-se de um campo aberto. Assim, ele desfaz o giro e executa um pouso forçado. Dos 102 passageiros, 96 sobrevivem, vários com ferimentos leves, outros, mais graves.


Whip acorda no hospital, ao abrir um dos olhos vê que seu amigo Bruce Greenwood (Charlie Anderson) o espera, no dialogo ele o explica que está sendo visto como herói, mas o pessoal do sindicato e um advogado precisam lhe passar maiores explicações sobre as consequências de seus atos. Assim, Whip é informa que exames de sangue foram feitos em todos os tripulantes e que foi detectado álcool e cocaína no seu. Em princípio ele nega, mas o advogado o convence dizendo que preparou sua defesa de forma que tornará seus exames inválidos. [FIM SPOILERS

Nesse contexto a história continua, com Whip sofrendo com alcoolismo, sem admiti-lo, e com o dever moral de dizer a verdade, mesmo com todas as estratégias para inocentá-lo. Se for indiciado, um processo criminal poderá levá-o à prisão perpétua.

As atitudes de Whip são extremamente reais, Washington fez um grande trabalho, sua interpretação de bêbado e depressivo foi algo impressionante, expõe claramente o maior problema dos drogados e alcoólatras: admitir que é um dependente.


Esse tema é bastante atual, a situação de Whip no filme é um caso discutível, pois em certos aspectos ele está certo, em outros, errado. Percebemos isso claramente durante a história, ele salvou 96 pessoas ou matou 6 pessoas? Assim, trazemos a ficção para a vida real, o nosso dia a dia é feito de decisões morais, somos testados a todo o momento, seja para respeitar uma fila, ou até mesmo dar socorro ao atropelar um ciclista. E nesses casos não há dúvidas de qual é o caminho moral. Venho percebendo, que em todas as classes sociais, a moral e a honestidade são sempre deixadas de lado. Vejam nossos governantes, temos algum confiável?

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Argo - 2012

23/02/2013 - 11
Nota: 8.5 / 8.0 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Ben Affleck
Roteiro: Chris Terrio, Joshuah Bearman
Elenco: Ben Affleck (Tony Mendez), Bryan Cranston (Jack O'Donnell), Alan Arkin (Lester Siegel), John Goodman (John Chambers), Tate Donovan (Bob Anders), Clea DuVall (Cora Lijek), Christopher Denham (Mark Lijek), Scoot McNairy (Joe Stafford), Kerry Bishé (Kathy Stafford), Rory Cochrane (Lee Schatz), Victor Garber (Ken Taylor), Kyle Chandler (Hamilton Jordan), Chris Messina (Malinov), Željko Ivanek (Robert Pender), Titus Welliver (Jon Bates), Bob Gunton (Cyrus Vance), Philip Baker Hall (Warren Christopher), Richard Kind (Max Klein), Michael Parks (Jack Kirby), Tom Lenk (Rodd), Christopher Stanley (Tom Ahern), Taylor Schilling (Christine Mendez), Sheila Vand (Sahar), Devansh Mehta (Matt Sanders), Omid Abtahi (Reza), Karina Logue (Elizabeth Ann Swift), Adrienne Barbeau (Nina)

Crítica:
Ben Affleck está entrando para lista dos diretores mais promissores de Hollywood. Talvez ele seja um dos primeiros diretores que acompanharei a carreira desde o início. É interessante ver que seu dom para dirigir filmes, está fazendo melhorar suas atuações, pois como ator, ainda precisa crescer muito. Sua filmografia como diretor, tem apenas três filmes, mas todos de alto nível, por enquanto, estão impecáveis: Medo da Verdade (Gone Baby Gone) – 2007, Atração Perigosa (The Town) – 2010 e este.

Argo é um filme político, de espionagem, e bem estadunidense, com todo patriotismo que eles gostam, apesar das várias críticas nas entrelinhas. Além de dirigir, Affleck assinou o roteiro e ainda atuou como personagem principal. O roteiro foi baseado no livro Master of Disguise: My Secret Life in the CIA de Antonio J. Mendez, ex-agente da CIA, que Affleck interpreta; e no artigo How the CIA Used a Fake Sci-Fi Flick to Rescue Americans From Tehran escrito por Joshuah Bearman, da revista Wired, após a CIA retirar a operação Argo dos arquivos confidenciais.


A história de Argo é bem simples, seu grande mérito esta na tentativa, até onde sei, bem sucedida. Fez-se fiel aos acontecimentos reais. Os elogios começam com o figurino, a retratação das personagens e as locações. Tudo se remete aos anos 70: os cabelos, as músicas, os mobiliários das casas e escritórios, os carros, até a cor mais pálida das imagens.

Também é de se elogiar, o suspense e tensão passados com uma realidade impressionante nas interpretações. Todos os atores conseguiram nos mostrar o quão a situação era complicada, que a morte estava bem próxima. A parte final nos deixa completamente atentos e tensos, qualquer movimento em falso pode fazer o plano dar errado. É uma sensação inexplicável, o coração acelera, e quando há o desfecho da história, percebemos que estamos dentro do filme, sentindo o que as personagens estão sentindo.

Pra mim, foram essas as duas principais críticas positivas que fizerem o filme ganhar tantos prêmios, inclusive o Oscar 2013 na categoria melhor filme, pois como a história foi real, muitos sabiam seu final, e ainda assim sentimos o drama real das personagens.


[SPOILER...] O ano é 1979, em plena crise entre Irã e EUA. O então xá, Mohammad Reza Pahlavi, está refugiado nos EUA para tratamento de um câncer, mas os militantes islâmicos querem sua extradição a qualquer custo. Ele é acusado de vários crimes, sua volta é aguardada para julgamento e possível enforcamento. Os EUA se recusam a extraditá-lo, iniciando o conflito, que se culmina em protestos e invasão da embaixada estadunidense. Cinquenta e quatro funcionários são feitos reféns, mas seis deles conseguem fugir, sem que ninguém os perceba, assim, se refugiam na casa do embaixador canadense.

Com isso, o serviço secreto estadunidense, a CIA, precisa correr para resgatá-los, pois será questão de tempo para os agentes iranianos descobrirem que alguns funcionários conseguiram escapar. Várias reuniões com a inteligência da CIA são realizadas, os dias vão pasando e nenhum ideia para resgate é vista como possível, até que o agente secreto Mendez, tem "a melhor ideia ruim": criar um filme falso, com uma equipe de produção que visitaria o Irã em busca de locações para o filme. Como não havia outra ideia, a CIA aceitou. Para colocar seu plano em ação, Mendez procurou o premiado maqueador, John Chambers (John Goodman), vencedor do Oscar por Planeta dos Macacos (Planet of the Apes) - 1968 e o produtor Lester Siegel (Alan Arkin). A intenção era simular a produção o mais real possível. Argo seria uma ficção científica no estilo Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança (Star Wars: Episode IV - A New Hope) - 1977, seria mais fácil acreditar em um gênero que estava em alta e era sucesso na época. Tudo foi realizada de forma que fosse um filme real, a imprensa foi incluída, coletivas foram realizadas, posters, sinópse, tudo foi criado. O filme estava em produção.


Com todos acreditando na produção do filme, Mendez partiu para o Irã, com passaportes falsos e uma nova personalidade para cada um dos seis refugiados. O resgate envolveria um treinamento rígido de todos eles, para decorar e convencer sobre suas novas identidades. A partir disso, a trama foca entre os bastidores da CIA e a execução da missão com Mendez e os seis refugiados. Até o desfecho final, melhor parte do filme, a fuga. [FIM SPOILER

As atuações foram excelentes, pois nos convence, do início ao fim, da tensão e do perigo que o seis estavam passando. A atuação de Ben Affleck foi boa, o personagem não exigiu tanto.

Argo é um dos melhores filmes de espionagem que assisti. Mereceu estar na lista dos indicados a melhor filme no Oscar 2013, mas ainda não posso opinar se mereceu vencer, preciso assistir aos outros candidatos.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Para Roma com Amor (To Rome with Love) - 2012

13/02/2013 - 9
Nota: 7.0 / 6.4 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Woody Allen
Elenco: Woody Allen, Alec Baldwin, Jesse Eisenberg, Alison Pill, Robert Benigni, Judy Davis, Alessandra Mastronardi, Ellen Page, Greta Gerwig, Penélope Cruz, Flavio Parenti, Fabio Armiliato, Alessandro Tiberi, Riccardo Scamarcio, Antonio Albanese, Ornella Muti

Crítica:
Woody Allen vem escolhendo as locações de seus filmes em cidades turísticas e românticas, mostrando suas belezas como pano de fundo. Esse se passa em Roma, uma cidade maravilhosa, com ruas rústicas, grandes praças, muito movimento e turismo. Como sempre, a base de seus filmes é bastante diálogo, mas dessa vez, além de fazer comédia com as falas, fez também com as inúmeras coincidências absurdas, que são as partes mais engraçadas.

Allen conseguiu fazer um bom filme, e mostra mais uma vez, que não preciso tecnologia para fazê-los. Interessante ver que ele construiu quatro enredos sem ligações em um filme só, até usou um pouco de ficção em uma das histórias, mostrando como é muito versátil, pois os temas são bem diferentes, e isso não é simples. Está longe de ser seu melhor filme, outros são melhores como Vicky Cristina Barcelona - 2008 e Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris) - 2011, mas esse é um ótimo filme, que vale a pena assistir.

[SPOILERS...] No filme acompanhamos quatro histórias distintas acontecendo na cidade, contadas simultaneamente e intercaladas. Primeiro conhecemos Hayley (Alison Pill), uma jovem turista que conhece o nativo advogado Michelangelo (Flavio Parenti), e começam um romance. Logos seus pais, Jerry e Phyllis (Woody Allen e Judy Davis), vêm à Roma para conhecer o novo namorado e sua família. No encontro entre as famílias, Jerry escuta Giancarlo (Fabio Armiliato), pai de Michelangelo, cantando ópera no chuveiro, e percebe seu potencial musical, convence-o de fazer um teste profissional, mas descobre que seu talento acontece apenas ao tomar banho. Entre vários diálogos engraçados, Giancarlo vira um grande tenor, mas sempre cantando no chuveiro.


Em outra história acompanhamos o arquiteto Jack (Alec Baldwin), que ao revisitar o bairro onde morou quando estudante, encontra John (Jesse Eisenberg), um rapaz que mora exatamente em sua ex-casa. John o convida para rever a casa e tomar um café, os dois e sua namorada Sally (Greta Gerwig). Entre os bate-papos, Sally conta que sua amiga Monica (Ellen Page) está chegando e passará alguns dias hospedada na casa eles. John não vê problemas, mas Jack o aconselha não recebê-la, pois as descrições ditas por Sally poderiam colocar em risco o namoro dos dois. Monica chega e logo John percebe que Jack estava certo e os dois acabam tendo um caso. Mas o interessante da história é que aos poucos vamos percebendo que Jack é John no futuro, e ele está apenas revisitando seu passado.


A terceira história conta a vida de Leopoldo (Robert Benigni), um homem tradicional, que não faz mais do que seguir sua rotina diária. Quando de repente ele se torna uma celebridade. Todos o idolatram, querem saber de sua vida, é convidado para festas, com se fosse uma pessoa famosa há anos. No início ele acha estranho, mas aos poucos vai gostando de ser o centro das atenções, até que começa a se aproveitar disso. Quando de repente, ele não é mais a celebridade, sua fama acaba, ninguém mais o reconhece, assim Leopoldo fica transtornado, exigindo e perguntando às pessoas e informando quem ele é. Mas a fama realmente acabou.


Na última história encontramos um jovem casal, recém-chegado à Roma. Eles serão recepcionados pelos tios tradicional do rapaz  (Alessandro Tiberi), assim, ao chegarem ao hotel, sua esposa (Alessandra Mastronardi) decide sair para ir ao salão. É quando começam as coincidências embaraçosas. O rapaz recebe no quarto do hotel uma prostituta Anna (Penelope Cruz), que o confundi com outro cliente, no mesmo momento seus tios chegam e ele é obrigado afirma que Anna é sua esposa. A procura do salão, a moça se vê perdida nas ruas de Roma, quando encontra um ator, que é fã, ele a seduz e a leva para seu hotel. Tudo indicava que os dois iriam parar na cama, mas é quando um assaltante entra no quarto, e com um fim bizarro, ela acaba por ir pra cama com o assaltante.

As atuações são bem caricatas, cada um dos atores principais das histórias assumiu um papel bem marcante. Alguns deles com destaque maior, e posso começar citando Penelope Cruz, como sempre linda, mas fazendo uma prostituta despojada ficou ainda mais sexy, por isso, não foi tão exigida, sua beleza natural faz a personagem. Atores como Jesse Eisenberg e Robert Benigni sempre marcam, por terem o mesmo jeito de atuar, Eisenberg com falas rápidas e Benigni com seu gesticular de mãos. Também dou um destaque para Allen, apesar de sua aparência não ser agradável, ele sempre tem um bom desempenho.

No papel de roterista, Woody Allen tocou em alguns temas interessantes e outros polêmicos. Um deles é a traição, o jovem casal, em situações diferentes acaba um traindo o outro, e isso faz com que o relacionamento fique melhor e apimentado. Outro tema é o experiente arquiteto revisitando seu passado, tentando mudá-lo e reconhecendo que alguns fatos todos têm que experimentar, para assim, saber se é ruim ou bom. Não adianta ninguém falar, temos que vivenciar. Durante a vida temos fatos divisores que nos faz dar certo ou errado, seja no trabalho, nos estudos ou com algum dom que nem sabemos que temos. E muitas vezes um “empurrãozinho” de alguém, pode ser essencial para que a coisa aconteça da forma certa. Acompanhamos isso na história de Jerry e Giancarlo. Se qualquer um de nos procurar nas nossas lembranças, vamos perceber que pessoas iguais Jerry passaram por nossas vidas, e muitas vezes nem as percebemos. Já a história de Leopoldo fez-me lembrar de que a maioria de nós procura exatamente a rotina e a estabilidade para sua vida, e para mim, esse é dos motivos que o nosso país não vai pra frente. Não somos um povo proativo. Sei que existem as exceções, mas brasileiro é acomodado. Também houve a exposição à fama, que pode ser parecido com poder. Basta uma pessoa ter fama ou poder para mostrar quem ela realmente é. [FIM SPOILERS]

Essas foram as mensagens que tirei do filme, mas é claro que essas percepções tem haver com minhas experiências. Assistam ao filme para terem as suas.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Lincoln - 2012


30/01/2013 - 8
Nota: 8.0 / 7.9 (IMDB)
Formato: Cinema

Direção: Steven Spielberg
Elenco: Daniel Day Lewis (Presidente Abraham Lincoln), Sally Field (Primeira-Dama Mary Todd Lincoln), Tommy Lee Jones (Congressista Thaddeus Stevens), David Strathairn (Secretário de Estado William H. Seward), Joseph Gordon-Levitt (Robert Todd Lincoln), James Spader (William Bilbo), Hal Holbrook (Francis Preston Blair), John Hawkes (Coronel Robert Latham), Jackie Earle Haley (Vice-Presidente dos Estados Confederados da América Alexander H. Stephens), Lee Pace (Congressista Fernando Wood), Jared Harris (General Ulysses S. Grant)

Crítica:
Steven Spielberg está de volta na direção de mais um drama de grandes proporções, o mesmo estilo empregado no excelente Munique (Munich) - 2005 e no fraco Cavalo de Guerra (War Horse) – 2011. Agora, Spielberg, junto com o roteirista Tony Kushner, contam uma parte importante da história estadunidense, com participação importantíssima do então presidente Lincoln. Foi baseando na obra biográfica de Lincoln: Team of Rivals - The Political Genius of Abraham Lincoln de Doris Kearns Goodwin. Lincoln foi o 16º presidente dos Estados Unidos, é um dos mais lembrados, pelos seus feitos e por ter sido assassinado.

O enredo mostra exatamente os meses em que antecederam a aprovação da 13ª emenda da constituição estadunidense, os quatro últimos antes do assassinato do presidente. Durante a guerra civil, que não é o foco do filme, o presidente atrela o fim da guerra à assinatura da emenda, e faz de tudo para que as duas coisas aconteçam ao mesmo tempo.


Spielberg foi incrivelmente feliz ao contratar Daniel Day Lewis para o papel principal. Lewis é um ator excêntrico, mas esse adjetivo se volta totalmente para sua competência. Normalmente suas atuações são extremamente fiéis, e sua determinação para compor um personagem impressiona. Fiz algumas leituras sobre seu comportamento nos sets de filmagem, e ele se transforma, de maneira que vivencia o personagem 24 horas por dia, e não aceita que ninguém o chame por seu nome, atendendo somente pelo nome de quem interpreta, mesmo fora das filmagens. Por isso, Lewis é admirado e se tornou um ator competente, vencedor de vários prêmios, incluindo dois Oscars. Nesse filme teve, mais uma vez, uma atuação extraordinária, sua aparência ficou incrivelmente perfeita. A fotografia e jeito com a câmera o mostrava, quase sempre de perfil, o deixou idêntico a Lincoln. Além disso, ele adotou uma voz rouca, com diálogos pausados e pacientes, mostrando seu envelhecimento e cansaço pelos quatro anos vivenciando a guerra.

[SPOILERS...] Em meio à guerra, Lincoln precisa travar uma batalha política para assinatura da emenda que acabará com a escravidão. Mas seu receio, é que o fim da guerra e consequentemente junção dos estados confederados à união, causarem a desistência da sua aprovação, pois os confederados fazem bastante uso da mão de obra escrava. Assim, Lincoln precisa correr para convencer e juntar os votos a favor, antes que a guerra acabe, mas para isso precisou usar sua influência política e algumas manobras antiéticas para dobrar seus companheiros republicanos e principalmente seus adversários democratas. Os republicanos foram convencidos por meio de diálogos e imposição irredutível para aprovação da emenda. Depois disso, solicitou seus melhores assessores para procurar pessoalmente os democratas que não foram reeleitos, pois seria mais fácil convencê-los, já que não tinham mais um vínculo formal com o partido. Enquanto o tempo passava, Lincoln precisou administrar a ansiedade de todos pelo fim da guerra, e ainda fez alguns movimentos para que ela não acabasse. Perto do dia da votação, Lincoln ainda precisou buscar votos pessoalmente e convencer alguns democratas, com palavras e chantagens emocionais. Assim, a emenda é votada e aprovada numa sequência de cenas tensas e emocionante. Ao fim, o roteiro mostra as negociações para rendição dos confederados e ainda encontrou tempo para mostrar como foi o assassinato de Lincoln. [FIM SPOILERS]


Como relatado, o filme não se trata de uma biografia por completo, apenas mostra um momento importante da história estadunidense, com um olhar direto sobre Lincoln. Mas há omissões sobre alguns métodos adotados por ele para conseguir os votos necessários na aprovação da emenda. Sabe-se que ele torturou alguns adversários colaboradores dos confederados, prendeu alguns jornalistas e fechou redações.

Os trejeitos adotados por Daniel Day Lewis com certeza não são os mesmos de Lincoln, muito provavelmente foi sua visão e imaginação que trouxe esse desempenho bastante agradável, dando veracidade aos fatos. Essa interpretação fez com que o filme ficasse lento, com diálogos muito bem  executados, de um jeito que sempre nos deixa a pensar. A maquiagem e a fisionomia de Lewis ficaram impressionantes, junto com o jogo de câmera, algumas cenas podemos dizer que é Lincoln de verdade.

A história foi muito bem contada, mesmo com as omissões, o roteiro nos prende, mesmo não tendo ação alguma, prestamos atenção em cada diálogo, em cada frase. Por isso, incrivelmente, a plateia do cinema em que o assisti, ficou em silêncio absoluto durante as quase duas horas e meia de projeção. Numa havia acontecido isso comigo. O cinema é do Shopping Boulevard em Belo Horizonte. Fica a indicação.


Desabafo:
É incrível como alguns de nós, muitas vezes eu, dá tanta importância à história dos EUA e para piorar, não valoriza a história brasileira. Critico-me várias vezes por não assistir à filmes latinos, europeus, e principalmente nacionais. Sei que ao focar em filmes estadunidenses, estou perdendo a oportunidade de valorizar o que é nosso, e a nossa história, mas ao mesmo tempo é difícil deixar de assistir um filme igual Lincoln, para assistir Dois Filhos de Francisco - 2005. Os EUA estão longe de ser um povo perfeito, cometem inúmeros erros por conta do capitalismo, inclusive no cinema, mas esse, é o que eles fazem com perfeição, independente da história que contam, eles conseguem fazer com que o planeta assista a seus filmes. Por bem ou por mal, e infelizmente, eu ainda prefiro arriscar assistir um filme deles e achar ruim, do que assistir um nosso para ver se é bom.

Assistam Lincoln!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Django Livre (Django Unchained) - 2012


23/01/2013 - 6
Nota: 9.5 / 8.7 (IMDB)
Formato: Cinema

Direção: Quentin Tarantino
Elenco: Jamie Foxx (Django), Leonardo DiCaprio (Calvin Candie), Christoph Waltz (Dr. King Schultz), Kerry Washington (Broomhilda), Jonah Hill, Samuel L. Jackson (Stephen), Zoe Bell (Tracker Peg), Tom Savini (Tracker Chaney), Don Johnson (Spencer Gordon Bennet), Michael Bacall (Smitty Bacall), Dennis Christopher (Leonide Moguy)

Crítica:
Quentin Tarantino é um dos melhores diretores da nova geração, apesar de pequena, sua filmografia é recheada de bons filmes. Alguns deles pegaram o conceito de “clássico”, e são lembrados em todas as listas de melhores filmes de todos os tempos. Pulp Fiction é um deles, e provavelmente o mais famoso.

Tarantino coloca em seus filmes a alma do cinema, eles tem tudo aquilo que queremos: entretenimento, adrenalina, suspense, alegria, tristeza, ação e sua ironia à violência, sem ligar para o que vão pensar ou falar de seu filme. Isso se aplica em filmes de gêneros bem diferentes como: guerra, drama, aventura e agora faroeste. E ainda consegue brincar com os espectadores colocando pequenas referências, para alguns, ligações, entre seus filmes. Basta assistir o curta Tarantino's Mind estrelado pelos atores brasileiros, Seu Jorge e Selton Mello.

Para ele, cinema tem que ser cinema, se não, é vida real. Sempre vou assistir a seus filmes, em qualquer situação. Pulp Fiction, por exemplo, vi oito vezes.


Django Livre conta a história sobre a jornada do ex-escravo Django (Jamie Foxx) ao lado do caçador de recompensas King Schultz (Christopher Waltz). Eles se juntam para resgatar a mulher de Django, Broomhilda (Kerry Washington), que agora é escrava do vilão e fazendeiro Calvin Candie (Leonardo DiCaprio).

Nesse filme Tarantino se superou, todas as suas principais características foram colocadas e intensificadas: os longos diálogos, as reviravoltas e muito sangue. Uma homenagem aos westerns spaghetti, com várias referências, desde os créditos inicias até o duelo final. Um faroeste atual, mas que conta com as tradicionais cenas de tensão antes dos duelos, e diferentemente dos velhos faroestes, muitos deles não acontecem, que ao mesmo tempo é frustrante e interessante.

Podemos dividir o filme em três grandes partes. A primeira metade mostra como Django e Dr. Schultz se conhecem e se juntam para uma missão específica. A segunda metade segue a evolução de Django, como pessoa e como caçador de recompensas, tornando-se exímio atirador. A terceira metade conclui com a vingança de Django e resgate de sua esposa.

Christoph Waltz fez um papel muito parecido com o realizado em Bastardos Inglórios. Dr. King Schultz é um homem frio, mas ao mesmo tempo, sensível e inteligente. Gosta de dialogar, tudo que fala é bem pensado, mas suas atitudes podem ser inesperadas. Por isso, é um personagem metódico, correto e tem sua própria conduta ética, dentro dessas, tratar os negros como brancos.

Jamie Foxx faz papel do escravo Django, acostumado a ser humilhado por seus donos, vê em Dr. King Schultz a oportunidade de vingança. Interessante em sua interpretação, junto com as características que o personagem exigiu, foi o crescimento motivacional e de confiança que Django passa. Começa como um homem tímido e sem palavras, e aos poucos acompanhamos seu crescimento intelectual, determinação para vingança e autoconfiança. Isso nos faz envolver emocionalmente com o personagem, e passamos a concordar com suas atitudes, mesmo que, às vezes, sejam erradas. A cena chocante entre alguns cães e um negro exemplifica isso.

Leonardo DiCaprio é uma ator sensacional, praticamente acompanhei toda sua carreira, e hoje o considero um dos melhores atores, versátil e convincente, o que é mais importante. Nesse, ele faz o papel de vilão, Calvin Candie, dono da fazenda onde possui vários escravos, inclusive a esposa de Django. Sua participação começa na terceira metade do filme, quando iniciamos a conclusão da história. DiCaprio mostra um personagem mal, com desprezo pelos negros, que era comum na época, trata-os com se fossem, ou piores que animais. A cena da luta entre dois negros na sala de sua mansão demonstra bem isso.


Samuel L. Jackson, como Stephen, rouba a cena, sua participação não é tão grande, mas essencial para a trama. Ele faz um velho negro, servente há várias gerações dos Candie, por isso se tornou um negro com atitudes de branco. Percebemos que para sobreviver, tanto tempo, como escravo, ele precisou ser confiável a seus patrões brancos, e para isso, tratava todos os negros com se ele fosse branco. Os tremores e o mancar com sua bengala foi algo que nos faz acreditar na sua velhice e nos anos em que, possivelmente, sofreu como escravo.

[SPOILERS...] As duas primeiras metades da história também foram para nos contextualizar sobre a época em que se passa a história, e nos mostrar como os negros eram tratados. Apesar da história da escravidão ser extremamente triste e revoltante, várias momentos são feitos com humor negro, nos fazendo chorar e rir na mesma cena. Tarantino soube dosar muito bem o drama e a comédia, as lágrimas e o sorriso. Exemplo disso é a paródia que fez com a aparição de homens brancos encapuzados, referindo-se à origem da Ku Klux Klan. Esse humor negro e a comédia feita com um tema tão sério podem levar alguns a criticar negativamente o filme, mas como disse no início, essa, com certeza, não é a intenção de Quentin. A diversão cinematográfica é o foco, além de ser uma forma de prestar homenagem às pessoas que viveram esse drama.


Mas o ponto alto do filme está na terceira metade, quando juntam-se os principais personagens, e mostra como bons atores fazem a diferença. Waltz, DiCaprio e Foxx foram impecáveis, e ainda contaram com Jackson para chegar quase à perfeição. Os longos diálogos da negociação para a suposta compra do lutador negro, e resgate da escrava e esposa de Django, foi algo inexplicável. Nos deixa concentrado e tenso, realmente entramos emocionalmente na história, tudo acontece lentamente,  vamos nos envolvendo até que no clímax, explodimos juntos com o tiroteio sanguinário, vibrando e torcendo para que Django acabe com todos. Tudo indicava que seria o fim do filme, mas esse não é o último combate, se acabasse nesse momento não ficaria ruim, mas assim, não seria um filme de Quentin Tarantino, ainda tem o “grand finale”, e é claro, bem explosivo. [... FIM SPOILERS]

Acho que Tarantino conseguiu criar mais um clássico. Clássico é um conceito difícil de explicar, mas com certeza, dentro desse conceito, está o de filme excelente e que vai ser lembrado para sempre. São raros os que nascem conceituados dessa forma, e para mim, esse faz parte das exceções. Obrigado Quentin, por me fazer apaixonar cada vez mais pelo cinema.