quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro (The Amazing Spider-Man 2) - 2014

08/10/2014
Nota: 6.5 / 7.0 (IMDB)
Formato: HD 3D

Direção: Marc Webb
Roteiro: Alex Kurtzman, Roberto Orci, Jeff Pinkner
Elenco: Andrew Garfield (Peter Parker / Homem-Aranha), Emma Stone (Gwen Stacy), Campbell Scott (Richard Parker), Embeth Davidtz (Mary Parker), Jamie Foxx (Max Dillon/Electro), Dane DeHaan (Harry Osborn/Duende Verde), Paul Giamatti (Aleksei Sytsevich/Rino), Chris Cooper (Norman Osborn), Sally Field (May Parker), Stan Lee (homem que acompanha a formatura), Felicity Jones (Felícia), Colm Feore (Donald Menken), Marton Czokas (Dr. Ashley Kafkar)

Crítica:
Homem-Aranha é um dos heróis mais queridos dos quadrinhos, não é à toa que rendeu cinco filmes, todos com grandes bilheterias. Críticas sempre são feitas, mas tudo baseado nos quesitos técnicos, mas o certo é que o muito bom ver o Aranha pendurado entre os arranha-céus, e enchendo os inimigos de porrada. Isso que o público quer, e os fãs querem ver os quadrinhos criarem movimentos no cinema. Se o filme tiver isso, terá grande bilheteria, a parte técnica fica de lado.


Por mais que Marc Webb tente, vai ser difícil esquecer a primeira trilogia do Homem-Aranha, pois como foi a primeira, ficou marcado. Mas é importante continuar pelo que foi dito acima. O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro (The Amazing Spider-Man 2) - 2014 vem para completar bem o primeiro, mas cometeu um pecado básico, encher a história de vilões, e principalmente de sub histórias. Esse vem sendo o erro clássico dos filmes de quadrinho, a quantidade de vilões não interfere, mas é o que provoca as sub histórias.

Gosto muito desse novo Homem-Aranha, mais jovem, divertido e muito próximo dos quadrinhos, mas sua segunda aventura deixou de focar e construir o personagem para mostrar Electro, o principal vilão; Duende Verde; Rhino; e ainda o mistério do sumiço de seus pais. Tudo isso faz o roteiro se perder.


Basicamente a história foco no Aranha tentando desvendar o sumiço dos pais, enquanto os vilões são construídos. Ele tenta cumprir a promessa de ficar longe de Gwen Stacy. Mas o retorno de seu amigo Harry Osborn mostra um pouco mais da companhia Oscorp, de onde surge Electro, alter ego de Max Dillon, um funcionário psicologicamente instável. Dillon sofre um acidente que o transforma em Electro, seus superpoderes envolvem eletricidade e lançamento de raios. A partir daí, o roteiro é bem básico, Electro que destruir o Homem-Aranha, que precisa proteger a cidade e sua amada.

Andrew Garfield melhorou bastante no seu papel, está bem mais natural, passamos a enxegá-lo como o cara teia. Jamie Foxx faz um Max Dillon muito caricato e forçado, e quando se transforma em Electro, seu visual é mais forçado ainda, e ainda lembra o Dr. Manhattan de Watchmen - 2009Dane DeHaan conseguiu construir um ótimo Harry, mas nada mais que isso, provavelmente será desenvolvido num terceiro filme. Paul Giamatti tem participação ínfima, mas excelente, melhor de todos. Com isso já temos dois vilões para o próximo filme, espero que só fique nesses.


Todos os defeitos do filme podemos relevar se focarmos na aventura e na diversão, mas a trilha sonora de quando Electro aparece é extremamente chato, não sei qual foi a intenção, mas com certeza não funcionou.
No geral, o filme é bom, esperamos um terceiro mais divertido e com um roteiro mais linear.

Obs.: Terceiro filme pode não acontecer. (Atualizado em 12/02/2015).

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty) - 2012

08/10/2014
Nota: 8.0 / 7.4 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Kathryn Bigelow
Roteiro: Mark Boal
Elenco: Jessica Chastain (Maya), Jason Clarke (Dan), Joel Edgerton (Patrick, líder SEAL Team Six), Jennifer Ehle (Jessica), Mark Strong (George), Kyle Chandler (Joseph Bradley), Édgar Ramírez (Larry), James Gandolfini (Diretor da CIA), Chris Pratt (Justin, membro SEAL Team Six), Callan Mulvey (Saber, membro SEAL Team Six), Fares Fares (Hakim), Reda Kateb (Ammar), Harold Perrineau Jr. (Jack), Stephen Dillane (Assessor da Segurança Nacional)

Crítica:
O patriotismo estadunidense não tem fim, em certos momentos vão além da razão. Realizar um filme sobre a morte de Bin Laden deveria ser apenas um desses momentos de pratiotismo, e sem dúvida seria uma história ruim, cheia de clichês com um final que o mundo inteira sabe. Mas é nesse momento que conseguimos separar os bons, dos ruins diretores. Qualquer história, por mais banal que seja, entregue nas mãos certas, é possível realizar um excelente filme.

Foi o que aconteceu com esse A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty) - 2012. A história tinha tudo pra ser chata, com apenas aquele nascionalismo para mostrar ao mundo que eles conseguiram, e que é possível vencer o terrorismo. Mas Kathryn Bigelow conseguir fazer algo surpreendente, mostrar os bastidores dessa caçada e o sofrimento de uma agente da CIA, que por 8 anos persseguia os rastros do terrorista.


O filme nos mostra com aconteceu todo o processo para rastrear o pior terrorista que o planeta já viu. Maya passa anos tentando encontrá-lo, asssim acompanhamos seu amadurecimento e como seu trabalho a consumiu. Antes contra torturar pricioneiros, passa solicitar as torturar tudo com ansia de chegar em seu objetivo principal.

Jessica Chastain dá a Maya um rosto de menina, mas aos poucos mostra o quanto leva a sério seu trabalho e sua obstinação chega a ser doentia. Seu trabalho é impecável, no fim percebemos o quando o governo dos EUA suga seus agentes, a pressão é enorme.


Todo o trabalho é tão bem feito que, a pesar de saber o fato final, ficamos torcendo para que a missão dê certo, e que nada aconteça com Maya. A impressão é de tensão do incício ao fim, e sentimos isso, pois nossa atenção fica fixa em todos os diálogos. O processo de espionagem e sigilo é algo que parece ser ficcional, mas da forma que foi exposto é plausível e real.

Por fim, vale a pena assistir para ver um projeto de aproximadamento 10 anos ser concluído com sucesso.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Rush - No Limite da Emoção (Rush) - 2013

07/10/2014
Nota: 9.5 / 8.2 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Ron Howard
Roteiro: Peter Morgan
Elenco: Chris Hemsworth (James Hunt), Daniel Brühl (Niki Lauda), Olivia Wilde (Suzy Miller), Alexandra Maria Lara (Marlene (Knaus) Lauda), Pierfrancesco Favino (Clay Regazzoni), David Calder (Louis Stanley), Natalie Dormer (Enfermeira Gemma), Stephen Mangan (Alastair Caldwell9), Christian McKay (Alexander Hesketh), Alistair Petrie (Stirling Moss), Julian Rhind-Tutt (Bubbles Horsley), Colin Stinton (Teddy Mayer), Jamie de Courcey (Harvey Postlethwaite), Augusto Dallara (Enzo Ferrari), Ilario Calvo (Luca Cordero di Montezemolo), James Norton (Guy Edwards), Martin J Smith (Jody Scheckter), Rob Austin (Brett Lunger), Tom Wlaschiha (Harald Ertl)


Crítica:
Filmes de esporte sempre me agradam, mas é difícil ver um grande filme sobre esporte, pois são emoções difíceis de traduzir, pois temos todo o sentimento do esportista, dos fãs e espectadores, que são bem diferentes uns dos outros. Alguns esportes foram bastante explorados por Hollywood, como boxe com: Rocky: Um Lutador (Rocky) - 1976, A Luta Pela Esperança (Cinderella Man) - 2005, Hurricane - O Furacão (The Hurricane) - 1999 e o clássico Touro Indomável (Raging Bull) - 1980. O futebol americano trouxe algumas boas produções, mas muitos não focam exatamente no esporte e sim no que o certa, agentes, empresários, e às vezes um pano de fundo. Ainda assim temos boas produções como Duelo de Titãs (Remember the Titans) - 2000, Um Domingo Qualquer (Any Given Sunday) - 1999, Jerry Maguire: A Grande Virada (Jerry Maguire) - 1996.


Mas alguns esportes, Hollywood ainda ignora, como as corridas automobilísticas. O único filme de grande sucesso foi Grand Prix - 1966 da década de 60. De lá pra cá, somente filmes de ação envolvendo automobilismos, nada do esporte em si. Até que em 2013 resolveram realizar um dos melhores filmes de esportes já feitos. Rush - No Limite da Emoção (Rush) – 2013.

O filme conta a história real de Niki Lauda e o James Hunt, dois pilotos que travaram grande disputa pela Fórmula 1 na década de 70. O primeiro, um austríaco racional, metódico, obstinado por uma carreira perfeita e preciso nas pistas. O segundo, um inglês mulherengo, beberrão e agressivo nas pistas, que está ali somente para curtir o momento.

A narrativa é feita na visão de Lauda, começa na fórmula 3 e vai até a temporada da F1 em que tem o acidente que marcou sua carreira. Nessa época os pilotos entravam nas pistas sem saber se sairiam vivos, os acidentes aconteciam em todas as etapas, muitos deles fatais. Vários momentos das pistas são apresentados, pelo menos dois campeonatos inteiros, 1975 e 1976. Cenas de ultrapassagem e bastidores das corridas, como Lauda era participativo na montagem dos carros e como Hunt apenas pegava o carro e dava tudo de si, sem pensar em qualquer consequência. Além disse, a vida particular dos dois pilotos é bem apresentada. Suas esposas, as bebedeiras de Hunt e as neuroses de Lauda com o trabalho, sempre em primeiro lugar.


Grande destaque para a fotografia e o figurino, que retratam de forma perfeita a época. E até a aparência dos dois atores que viveram os personagens principais, Daniel Brühl (Lauda) e  Chris Hemsworth (Hunt), ficou perfeita. Os carros são fiéis às temporadas mostradas.

Os dois atores principais tem atuações excelentes, e a sintonia entre eles, dentro e fora das pistas é inacreditável, nos faz entender o que é competir e respeitar seu adversário, pois por mais que eram rivais, tinha admiração um pelo outro. E as atuações deixa isso evidente
.
Um filme dramático e emocionante, que com certeza entrou para os melhores do gênero.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Caçadores de Obras-Primas (The Monuments Men) - 2014

06/10/2014
Formato: 6.0 / 6.1 (IMDB)
Formato: HD

Direção: George Clooney
ElencoGeorge Clooney (Lt. Frank Stokes), Nick Clooney, Matt Damon (Lt. James Granger), Bill Murray (Sgt. Richard Campbell), John Goodman (Sgt. Walter Garfield), Jean Dujardin (2nd Lt. Jean-Claude Clermont), Bob Balaban (Pvt. Preston Savitz), Hugh Bonneville (2nd Lt. Donald Jeffries), Cate Blanchett (Claire Simone), Sam Hazeldine (Colonel Langton), Dimitri Leonidas (Pvt. Sam Epstein), Grant Heslov (the Army Field Surgeon), Miles Jupp (Major Fielding)

Crítica:
Tudo que envolve a Segunda Guerra Mundial me chama atenção, de tudo que assisti: documentários, filmes e séries, a mais perfeita produção foi Band of Brothers - 2001, em segundo The Pacifc - 2010. Conseguir reproduzir o holocausto que foi essa guerra é algo quase impossível, e essas duas séries foram as que mais aproximaram.

 A premissa da história de Caçadores de Obra-Prima não é visto com bons olhos por mim, pois, como se preocupar com qualquer outra coisa quando milhares de seres humanos são massacrados. Mas é isso mesmo, o filme conta a história de um grupo de soldados formado para recuperar obras primas roubadas pelos nazistas.


O roteiro é bem básico, pois o início conta como o grupo foi formado, depois mostra a estratégia montada para achar e recuperar as obras. Num contexto em que a guerra já caminhava para fim. O foco não é a guerra, e sim a missão. Até mesmo o ponto dramático da história está em cima de uma obra prima rara, que fez um dos soldados morrer tentando recuperá-la, assim vira uma vingança para o restante do grupo conseguir achá-la. Para piorar um pouquinho, há vários momentos em que tentou-se cenas engraçadas, mas não funcionou, ficou forçado e sem graça.

George Clooney está no seu modo automático de sempre, é um grande ator, mas seus personagens tem que encaixar no seu perfil, quando não acontece, com nesse filme, ele se transforma em um ator comum. Bill Murray e John Goodman são atores excepcionais, mas tem cara de comediantes, e por mais que tentem ser sérios não conseguiram passar o drama das situações em que os personagens se encontravam.



O filme é interessante, foi legal saber que uma equipe foi criada para uma missão desse tipo, hoje muitos museus e admiradores da arte são gratos por essa equipe ter recuperado as obras de arte.

Indico outros filmes do gênero, mas pra quem tem tempo, vale a pena assisti-lo.

Maze Runner: Correr ou Morrer (Maze Runner) - 2014

22/09/2014
Nota: 7.5 / 6.9 (IMDB)
Formato: Cinema

Direção: Wes Ball
Roteiro: Noah Oppenheim
Elenco: Dylan O'Brien (Thomas), Thomas Sangster (Newt), Kaya Scodelario (Teresa), Will Poulter (Gally), Ki Hong Lee (Minho), Blake Cooper (Chuck), Aml Ameen (Alby), Alexander Flores (Winston), Jacob Latimore (Jeff), Chris Sheffield (Ben), Randall D. Cunningham (Clint), Joe Adler (Zart), Patricia Clarkson (Chancellor Ava Paige)

Crítica:
Como dito em outras críticas, Hollywood vem tendo a oportunidade de transformar todas as fantasias em algo real no cinema. Os super-heróis estão em nossa casa agora, histórias que atingem todas as idades. Mas ultimamente resolveram focar em histórias especificamente para adolescentes, e por isso, muitas vezes, tornam-se bobas para outras faixas etárias, pois os roteiros são simples e sem novidades. O mais famoso hoje é a Saga Crepúsculo, que rendeu quatro filmes, mas não arrisquei perder meu tempo.

Maze Runner - Correr ou Morrer segue a mesma linha dos teens, mas como a história força o filme ser mais adulto, foge um pouco dos clichês habituais. Para começar, a personagem feminina aparece na segunda metade da projeção, isso já é um diferencial, pois não há aquele romance adolescente. Outro fato é que há violência, não sangrenta e expositiva, mas vários personagens morrem.


Tudo começa com Thomas acordando dentro de um elevador em movimento. Não se lembra de nada, apenas de seu nome, quando o elevador para e abre as portas, vários garotos chegam para recepcioná-lo. Apesar dos garotos lhe explicar toda a situação em que se encontram, nenhum deles se lembra de como foram parar ali. O local é chamado de Clareira, um espaço aberto, gramado e com algumas matas, mas cercado por muros gigantescos com uma porta que se abre todas as manhãs para o Labirinto. Todo mês um novo garoto é entregue pelo elevador. 

Os garotos se organizaram e cada um deles exerce uma função. A principal delas são os corredores, que ficam responsáveis por entrar no Labirinto todas as manhãs e tem achar uma saída, além de mapear o máximo possível onde cada corredor vai dar, a grande dificuldade está nas mudanças que o Labirinto sofre todas as noites. Thomas se mostra um pouco diferente dos outros garotos, pois sua curiosidade o faz perder o medo que existe naquela sociedade. Logo Thomas se torna um corredor, pois, sem permissão, invade o Labirinto e sobrevive uma noite lá dentro, coisa que nunca havia acontecido. Mas tudo começa a mudar mesmo quando o elevador traz, pela primeira vez, uma garota. Depois de vários acontecimentos, a única saída é enfrentar o Labirinto.


Como disse, a história é muito empolgante, e isso o filme fez bem. Não há um só momento de tranquilidade, ficamos atentos durante toda a projeção. As cenas de ação não são muitas, a maioria acontece de noite, pois é quando as bestas do Labirinto aparecem, por isso são encobertas pela escuridão, mas ainda assim se sustentam bem. As atuações estão razoáveis, nada impressionante, Dylan O'Brien que faz Thomas, interpreta bem seu personagem. Um dos clichês desse tipo de história é o vilão entre os heróis, aquele que discorda de tudo que o herói (Thomas) principal diz que é melhor fazer. Normalmente isso funciona, mas depende da interpretação do ator em nos deixar realmente com raiva de suas atitudes, mas não é o que acontece com Will Poulter que interpreta Gally, extremamente chato.

Mas o principal defeito de filme está na forma como o Labirinto foi apresentado, pois esperamos algo surpreendente, claustrofóbico, com vários caminhos que não levam a nada. Além disso, poucas cenas são dentro do dele, a primeira parte se passa toda na Clareira, tudo para explicar tudo que estamos vendo ao espectador, tirando um pouco a surpresa do Labirinto.

De qualquer forma, é uma boa aventura, melhor que alguns filmes de super-heróis que estão produzindo por aí.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Black Sails: 1ª Temporada (Black Sails: Season 1) - 2014

13/08/2014
Nota: 8.0 / 8.0 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Neil Marshall, Sam Miller, Marc Munden, T.J. Scott
Elenco: Toby Stephens (Captain James Flint), Hannah New (Eleanor Guthrie), Luke Arnold (John Silver), Jessica Parker Kennedy (Max), Tom Hopper (William "Bones" Manderly), Zach McGowan (Captain Charles Vane), Toby Schmitz (Jack Rackham), Clara Paget (Anne Bonny), Mark Ryan (Gates), Hakeem Kae-Kazim (Mr. Scott), Louise Barnes (Miranda Barlow)

Crítica:
Jack Sparrow revitalizou um tema bastante explorado no cinema, mas não tanto quanto em outras mídias. Piratas renderam bons livros e quadrinhos, mas até Piratas do Caribe: Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra (The Curse of the Black Pearl) - 2003 a nova fase do cinema ainda não havia feito grande sucesso. A maioria das histórias de piratas são aventuras, muitas com elementos fictícios, do folclore ou mitologia das mais diversas regiões. Na quadrilogia Piratas do Caribe acontece exatamente isso, uma mistura de várias histórias, moldando um cenário original.

Black Sails explora esse tema, mas com o cenário um pouco diferente, os roteiristas resolveram nos trazer a realidade da época áurea da pirataria, início do século XVIII.

A série é baseada no romance, A Ilha do Tesouro de Robert Louis Stevenson, na verdade, alguns anos antes dos acontecimentos do livro. O personagem principal é o Capitão Flint, o mesmo personagem do livro.


Tudo acontece na ilha de Nassau, um porto para piratas, ali o comércio era livre, todas as mercadorias saqueadas eram trocadas ou vendidas. Além, é claro, dos prazeres da vida, prostitutas e bebidas, mas tudo dentro de regras. Existia um monopólio e organização hierárquica do comércio ilegal. O centro da história é em Flint, capitão do navio Walrus. Seu objetivo é encontrar o navio espanhol Urca de Lima, todos os seus esforços são focados nessa obsessão. O navio está carregado com muito ouro e outras riquezas, capaz de deixar toda sua tripulação rica. Mas sua obsessão não é apenas pelo ouro, e esse é um dos mistérios da história.

Dentro da trama principal, há várias subtramas, com muitas intrigas, interesses e traições. Alguns episódios quase não focam em Flint, isso torna a série bastante proveitosa. Há outros personagens secundários muito bem trabalhados, possibilitando várias aberturas para segunda temporada.


Além de um bom roteiro, as cenas de ação são com superproduções cinematográficas. Muito bem filmada e visualmente acima da expectativa. As atuações começam a quem, mas com o desenrolar da história, conhecemos os personagens, aprendemos a gostar deles, e por fim descobrimos que as escolhas foram muito bem direcionadas e cada artista foi muito bem encaixado na história.

Dito isso, a conclusão é que a série é muito recomendada. Aguardo pela segunda temporada, estávamos precisando de algo parecido na TV, onde podemos acompanhar no dia a dia a saga de personagens piratas.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Kick-Ass 2 (Kick-Ass 2) - 2013

01/08/2014
Nota: 5.0 / 6.7 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Jeff Wadlow
Roteiro: Jeff Wadlow
Elenco: Aaron Taylor-Johnson (David "Dave" Lizewski / Kick-Ass), Chloë Grace Moretz (Mindy Macready / Hit-Girl), Christopher Mintz-Plasse (Chris D'Amico / The Mother Fucker), Jim Carrey (Coronel Estrelas), Donald Faison (Doutor Gravidade), Robert Emms (Insect Man), Lindy Booth (Night Bitch), Daniel Kaluuya (Black Death), Clark Duke (Marty Eisenberg / Battle Guy), Augustus Prew (Todd Haynes / Ass-Kicker), Olga Kurkulina (Mãe Russia), Andy Nyman (The Tumor), John Leguizamo (Javier), Enzo Cilenti (ajudante), Morris Chestnut (Marcus Williams), Yancy Butler (Angie D'Amico), Lyndsy Fonseca (Katie Deauxma), Claudia Lee (Brooke)


Crítica:
Quando uma sequência de um excelente filme é produzida, ficamos com expectativa grande, pois sempre esperamos que o segundo supere o primeiro. Temos alguns bons exemplos de que isso aconteceu com em: Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight) - 2008, De Volta para o Futuro II (Back to the Future Part II) - 1989 e O Poderoso Chefão - Parte II (The Godfather: Part II) - 1974.

Kick-Ass - Quebrando Tudo (Kick-Ass) - 2010 foi uma boa surpresa do tema da moda: super-herói. Boas atuações e ótimo roteiro com violência muito bem explorada. Com isso, Kick-Ass 2 estava entre as maiores expectativas do ano. Mas tudo começou a indicar para que o filme fosse inferior ao primeiro já na escolha da direção. Matthew Vaughn que dirigiu o primeiro passou o bastão para Jeff Wadlow, e o orçamento diminuiu em um terço.


O novo Kick-Ass traz uma Hit-Girl tentando largar seu alter ego, e ter uma vida normal. Enquanto Kick-Ass procura se estabelecer como herói, e acaba entrando para o super grupo Justiça Eterna comandada pelo Coronel Stars and Stripes. O vilão é  Red Mist, que agora quer ser chamado de Mother Fucker, pois com a morte de seu pai e uma herança de milhões ele resolve criar sua liga de vilões. As primeiras um hora de projeção a história foca em nos apresentar essa situação, com isso, não vemos Hit-Gril em ação. Até Kick-Ass convencer Hit-Girl voltar à ativa e ajudar a Justiça Eterna derrotar Mother Fucker e sua turma.

Uma história simples, por isso bastava trabalhar os personagens e nos cativar novamente com uma violência inteligente. Mas o roteiro pecou justamente nesses dois quesitos. Insistiu demais em Kick-Ass e Hit-Girl nas primeiras horas, sem mostrar nenhuma ação, e acabou por esquecer os outros personagens, como Coronel Stars and Stripes, muito bem interpretado por Jim Carrey, mas sem tempo de projeção para gostarmos do personagem.


No fim, saímos com a sensação de que faltaram pedaços da história, apesar de ser bem fiel ao quadrinho, pelo que li em sites especializados. Realmente ficou bastante inferior ao primeiro, ao ponto de não valer a pena assisti-lo para não atrapalhar a imagem que temos. Sinceramente é algo semelhante à Batman e Robin (Batman and Robin) - 1997.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

O Grande Herói (Lone Survivor) - 2013

26/07/2014
Nota: 8.0 / 7.7 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Peter Berg
Roteiro: Peter Berg
Elenco: Mark Wahlberg (SO2 Marcus Luttrell), Taylor Kitsch (LT Michael P. Murphy), Eric Bana (LCDR Erik S. Kristensen), Emile Hirsch (SO2 Danny Dietz), Ben Foster (SO2 Matthew Axelson), Alexander Ludwig (SO2 Shane Patton), Sammy Sheik (Taraq), Scott Elrod (Peter Musselman), Ali Suliman (Gulab), Corey Large (US Navy SEAL CAPT Kenney), Rich Ting (SO2 James Suh), Dan Bilzerian (SOCS Dan Healy), Jerry Ferrara (SGT Hasslert)

Crítica:
Depois de 11 de setembro Hollywood enfatizou em seus filmes o tema terrorismo. Alguns sobre o próprio dia: As Torres Gêmeas (World Trade Center) - 2006; Voo United 93 (United 93) - 2006, mas a maioria sobre a luta contra o terrorismo, como: Guerra ao Terror (The Hurt Locker) - 2008.

Além do tema, há uma característica em comum entre esses filmes, a forma crítica como abordam o próprio tema. Normalmente criticando o terrorismo, como algo do mal, desnecessário e que precisa ser erradicado. Ao mesmo tempo em que outros apresentam crítica contrária, mostrando que a forma de combater o terrorismo é equivocada e muitas vezes se iguala aos próprios terroristas, fazendo do cenário uma bola de neve.

O Grande Herói (Lone Survivor ) - 2013 trouxe um aspecto novo para o tema: ação realística. Claro que existem outros focos como o drama vivido pelos soldados que realização as missões, obedecendo a ordens, pois foram treinados para isso. Também o lado humana, pois apesar de estarem lá no meio do confronto, com a vida em risco, eles tem amizade, família e são felizes.


A história verídica de Marcus Luttrell contada em seu livro de mesmo nome. No fato, os fuzileiros: Dietz (Emile Hirsch), Mickey (Taylor Kitsch), Marcus (Mark Wahlberg) e Axe (Ben Foster), formam a equipe treinada para a missão de capturar o terrorista islâmico Shah, que se encontra escondido nas montanhas do Afeganistão. O início mostra o treinamento pesado, e relação de amizade que forma entre os soltados, especialmente os quatro. Mas a maior parte da história é mesmo focada na missão.

Logo no início da missão se deparam com um problema, uma família nativa os descobre no meio das montanhas, após uma discussão tensa para decidirem o que fazer, Marcus deixa-os seguir. Decisão errada.
Em poucas horas os quatro marines encontram-se cercados por vários soldados talibãs. Muito bem treinados eles sobrevivem como podem, a caçada é incessante. São esses os momentos e realismo absurdo, onde podemos perceber o quão crítico é a situação e como os soldados estadunidenses são bem treinados. Por fim, com esperado, apenas Marcus sobrevive.

Um pequeno detalhe, um ato de bondade, que custou a missão e a vida dos três soldados. Para esses caras é mais crítico do que para cidadãos comuns, mas muitas vezes a vida não permite erros, temos que estar atento há todo tempo para procurarmos acertar sempre nas nossas decisões, mesmo no dia a dia, com coisas teoricamente bobas. Tudo muda nossa vida, algumas radicalmente.


Tecnicamente o filme é excelente, os embates entre os marines e os talibãs são de uma realismos tremendo. A maquiagem é impecável, os ferimentos nos dão noção da dor que estavam sentindo. A atuação dos quatro protagonistas coopera bastante com esse realismo, destaque maior para Wahlberg, principalmente nas cenas finais.


Gostei bastante do filme, pois nos mostra como é essa guerra sem fim que os EUA entraram, e como muitas missões ainda deram errado, sem se quer chegar próximo de exterminar o terror.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Ela (Her) - 2013

23/07/2014
Nota: 7.5 / 8.1 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Spike Jonze
Roteiro: Spike Jonze
Elenco: Joaquin Phoenix (Theodore Twombly), Amy Adams (Amy), Rooney Mara (Catherine), Olivia Wilde (Blind Date), Scarlett Johansson (Samantha), Chris Pratt (Paul), Matt Letscher (Charles), Sam Jaeger (Dr. Johnson), Luka Jones (Mark Lewman), Kristen Wiig (GatinhaSexy), Bill Hader (Amigo na Sala de Chat #2), Spike Jonze (Criança Alienígena), Portia Doubleday (Surrogate Date Isabella), Soko (Isabella), Brian Cox (Alan Watts)

Crítica:
Há um tema bastante exibido nos cinemas: até onde a evolução tecnológica pode ir, e quais serão as consequências dela na humanidade. Na maioria dos filmes vemos as máquinas dominando a humanidade, seja por guerras ou por invadir a sociedade e aos poucos criar sua própria personalidade e se revoltar, alguns exemplos são: The Matrix - 1999, o mais lembrado recentemente; O Exterminador do Futuro (The Terminator) – 1984, o clássico dos anos oitenta, mas que rende sequências até hoje;  Eu, Robô (I, Robot) - 2004, bom filme que exemplifica bem a evolução da personalidade e a revolta para se tornar guerra. Temos também boas animações que se aventuram sobre o tema: WALL·E - 2008 da Disney/Pixar e 9 - A Salvação (9) - 2008. Mas poucas vezes vemos algo do tema relacionado ao gênero romance.

A história de Ela se passa num futuro próximo, onde as redes sociais e tecnologias afins evoluíram num ponto em que todos os humanos vivem conectados em seus celulares, tudo é feito por comando de voz.
Theodore é um escritor deprimido que se encontra perdido após a separação com sua amada esposa. Para se ter uma ideia da relação dos humanos com a tecnologia, ele escreve através de comando de voz, ditando o texto.


Sua vida está monótona, até que adquire um novo sistema operacional para seu aparelho celular. Com uma inteligência artificial altamente evoluída, o software aprende baseado nas respostas que recebe, as entonações de voz, os suspiros e sentimentos são captados por ele. No início Theodore ficar surpreso com a interação que o sistema tem com ele, com uma voz feminina, as conversas fluem naturalmente como se estivesse conversando com uma mulher por telefone. A voz tem o nome de Samantha, em poucos dias Theodore está apaixonado por ela, e assim, começam a namorar. A relação é muito natural, como é uma coisa que está na sociedade, ninguém estranha, então Theodore volta a ter um convívio social, saindo com casais amigos, e todos conversando normalmente com Samantha. O filme se desenvolve a base de diálogos, até o desfecho final.


Na minha visão o que foi apresentado como crítica principal é o fato da tecnologia nos tornar cada vez mais individuais e isolados perante a sociedade. De forma a ficarmos dependentes dela para nos socializar.
Outro fato é a facilidade de adaptação do ser humano para qualquer tipo de situação, e essa é a preocupação do uso da tecnologia. Normalmente a tecnologia vem para facilitar a vida das pessoas, mas na maioria das vezes nos torna preguiçosos e mal acostumados.

Joaquin Phoenix mostra mais uma vez que é um excelente ator. Uma interpretação impecável, onde é possível perceber sua tristeza pela vida que leva até sua surpreendente paixão por um sistema operacional e a mudança de comportamento, com alegria podemos ver em seu rosto a autoestima mudando.
Agora, a voz de Samantha é algo sensacional, Scarlett Johansson, qualquer uma se apaixonaria por essa voz. Com dizer que sua atuação foi ótima, mas isso que aconteceu, qualquer outra voz não daria a sensação que era preciso. Escolha perfeita.



Achei que a história é uma previsão do futuro, e está bem dentro de uma realidade possível. É moderna e nos faz refletir em vários sentidos. Qual será o caminho que a humanidade vai seguir? Ou, para onde a indústria tecnológica vai nos levar? Essa história é uma possibilidade. Mas para se perguntar e logicamente gostar do filme é preciso entrar na história, sem debochar ou ver como impossível. Se colocar no lugar dos personagens, tudo é possível! Sem isso, o filme será bobo e chato.

Tarzan: A Evolução da Lenda (Tarzan) - 2013

20/07/2014
Nota: 6.0 / 4.7 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Reinhard Klooss
Roteiro: Reinhard Klooss, Jessica Postigo, Yoni Brenner
Elenco: Kellan Lutz (Tarzan), Craig Garner (Tarzan), Anton Zetterholm (Tarzan), Spencer Locke (Jane Porter), Jaime Ray Newman (Alice Greystoke), Robert Capron (Derek), Mark Deklin (John Greystoke), Joe Cappelletti (William Clayton), Brian Huskey (Smith), Faton Millanaj (Miles)

Crítica:
Existem histórias tão populares que ao longo dos anos aparecem no cinema. Temos Os Três Mosqueteiros de Alexandre Dumas com pelo menos 7 filmes, sendo o último deles Os TrêsMosqueteiros (The Three Musketeers) - 2011, seriados, e até os principais personagens da Disney já fizeram parte dessa história, com Mickey, Donald e Pateta nos papeis principais. Outro exemplo é o personagem Zorro, que tem vários filmes, os mais marcantes: A Máscara do Zorro (The Mask of Zorro) - 1998 e A Lenda do Zorro (The Legend of Zorro) - 2005, ambos com Antônio Banderas como protagonista. Às vezes é confundido com outro personagem: Cavaleiro Solitário, que recentemente foi interpretado por Armie Hammer com protagonista e Johnny Depp com seu amigo índio Tonto, em O Cavaleiro Solitário (The LoneRanger) - 2013.

Outro exemplo recente foi Tarzan: A Evolução da Lenda (Tarzan) - 2013 uma animação alemã, que trouxe novamente a história do homem macaco. Todas as vezes que essas histórias vem à tona torcemos para que seja surpreendente, pois todos sabemos a história tradicional, por isso ficamos esperando algo novo. Novo não quer dizer mudança da história, mas um algo inovador que nos fará apaixonar por ela novamente.
Essa animação tentou, e não conseguiu, há algumas penas mudanças na história, mas nada substancial para nos surpreendermos.


Tudo começa com uma família visitando a selva, o pai é um cientista e estuda alguns acontecimentos nessa local inóspito. O helicóptero acaba caindo o único sobrevivente é Tarzan. Com aproximadamente 7 ou 8 anos, ele é encontrado e criado por uma família de gorilas. O tempo passa e Tarzan já é um adulto, quando encontra amiga antiga, filha de um amigo de seu pai, financiador de suas pesquisas. É Jane, mesmo sem falar a mesmo língua, eles se comunicam e logo se apaixonam. Toda a trama agora envolve Tarzan defendendo a floresta do pai de Jane, e ela entre o amor de seu pai e Tarzan.
Como relatado, a base da história é a mesma. Isso não implica que é ruim, só não tem novidades. Assim, o ponto forte do filme ficou com a captura de movimentos. Os efeitos ficaram ótimos, a forma com Tarzan se movimenta é bastante perfeito.


De qualquer forma, há um aspecto importantíssimo nas boas histórias que são recontadas ao longo dos tempos, semelhando ao que alguém disse uma vez: "A música boa fica, outras são passageiras". Com as histórias é a mesma coisa, e sendo recontada pode atingir as novas gerações.

Por isso digo que vale a pena assistir esse filme com seus filhos. Vão adorar com certeza!

sábado, 11 de outubro de 2014

Círculo de Fogo (Pacific Rim) - 2013

29/06/2014
Nota: 6.5 / 7.1 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Guillermo del Toro
Roteiro: Travis Beacham, Guillermo del Toro
Elenco: Charlie Hunnam (Raleigh Becket), Idris Elba (Stacker Pentecost), Rinko Kikuchi (Mako Mori), Charlie Day (Dr. Newton Geiszler), Robert Kazinsky (Chuck Hansen), Max Martini (Herc Hansen), Ron Perlman (Hannibal Chau), Clifton Collins Jr. (Tendo Choi), Diego Klattenhoff (Yancy Becket), Ellen McLain (a Inteligência Artificial dos Jaegers), Robert Maillet (Aleksis Kaidanovsky), Heather Doerksen (Sasha Kaidanovsky), Burn Gorman (Hermann Gottlieb)

Crítica:
Atualmente os críticos de cinema tem tornado a palavra clichê, pejorativa, sempre que um diretor/roteiro utiliza um clichê, perde vários pontos nas avaliações críticas. Temos que separar algumas coisas, existem críticos chatos que vê defeito em tudo, nada está bom, e quando vê um clichê, pronto, o filme é horrível. Ao mesmo tempo, há filmes que se apegam aos clichês para conseguir conduzir a história. Tudo é uma questão de sabedoria, objetivo e público alvo. Um bom filme tem que ter clichês, pois são eles nos aproximam da história. Nós gostamos de finais felizes, gostamos do bem vencendo o mal, do mocinho batendo no vilão.

Por isso eu pergunto e respondo. Qual é o maior mérito de alguns blockbusters fazerem tanto sucesso? Está na habilidade do diretor e roteiristas de inserirem os clichês nos momentos certos, tentando ser o menos repetitivo possível, criando uma trama nova, com tudo que gostamos.


Toda essa introdução serve para confirmar que Guillermo Del Toro acertou no mesmo sentindo na direção de Círculo de Fogo (Pacific Rim) - 2013. Uma história que se analisarmos não tem nada de interessante e parece até boba. Alienígenas gigantes que saem do fundo do oceano pacífico, sem mais explicações, vem para destruir a terra, também sem explicações, assim a humanidade precisa sobreviver e contra-atacar os monstros. Uma homenagem às várias séries japonesas que traziam monstros gigantes, sendo o mais famoso, Godzilla.

A história inicia nos contextualizando a situação que a humanidade vive. Com monstros gigantes saindo do oceano, nomeados de Kaiju, os humanos desenvolvem os Jaegers, robôs gigantes controlados por dois "pilotos" por conexão neural, um controla o lado direito, outro o lado esquerdo. Há anos lutando contra os Kaijus, os humanos tentarão uma última investida e tudo ficará nas mãos dos pilotos Raleigh (Charlie Hunnam) e Mako (Rinko Kikuchi).


A forma como as lutas entre Jeagers e Kaijus são mostradas é um ponto forte, pois como seres gigantescos, a luta é bem lenta, nos dá a impressão correta de peso e tamanho. Os efeitos especiais estão perfeitos, pois em nenhum momento conseguimos perceber diferenças entre humanos e Kaijus.

Cheio de clichês bem elaborados, os heróis lutam e vencem os monstros, tudo com muita ação e pancadaria, do jeito que gostamos. Um bom e divertido filme.

True Detective - 2014 [1ª Temporada]

24/06/2014
Nota: 7.5 / 9.4 (IMDB)
Formado: HD

Direção: Cary Joji Fukunaga
Roteiro: Nic Pizzolatto
Elenco: Matthew McConaughey (Rustin Spencer "Rust" Cohle), Woody Harrelson (Martin Eric "Marty" Hart), Michelle Monaghan (Maggie Hart), Michael Potts (Maynard Gilbough), Tory Kittles (Thomas Papania)

Crítica:
Há alguns anos parecia inconcebível comparar qualquer produção para cinema com uma para TV. Apesar de terem várias séries de altíssima qualidade, com Twin Peaks, nenhuma se comparava em produção e orçamento com filmes para cinema. Acredito que houve dois marcos para a TV: Band of Brothers e Lost. O primeiro é uma obra prima, impecável, ao ponto de superar a maioria das produções cinematográficas, iguala-se facilmente ao Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan) - 1998. O segundo também pela produção, mas seu ponto forte foi o poder de prender seus telespectadores com tramas e subtramas bem executadas e com isso, grande audiência.

Hoje podemos dizer que a TV igualou ao cinema, e cada vez mais cinéfilos se curvam às produções televisivas e preferem o sofá de casa à tela grande. Grande parte disso se deve à HBO, em praticamente todas as suas séries temos uma produção excelente e liberdade para os diretores e roteiristas conduzirem a história. Alguns exemplos são: Família Soprano, The Pacific, Generation Kill, Roma, Band of Brothers e Game of Thrones.


True Detective prova tudo que foi dito acima. Para começar, os atores principais são Woody Harrelson e Matthew McConaugheyMcConaughey foi premiado com o Oscar de melhor ator no mesmo ano de estreia da série, provavelmente isso nunca aconteceu antes.  Outro fato pioneiro foi a participação, na criação e direção, de Nic Pizzolatto e Cary Joji Fukunaga, em todos os episódios respectivamente, o que não é normal em séries que normalmente tem vários roteiristas e diretores.

Além disso, a produção é de fazer inveja à vencedores de Oscar. A retração de quase duas décadas em que se passa a série, 1995 à 2012, é impressionante. Várias cenas e diálogos são memoráveis, entram para os melhores os momentos da história cinematográfica. O ritmo do roteiro é perfeito, sabendo ir do drama ao suspense, do suspense à ação, em transições perfeitas.


Voltando à dupla de protagonistas, tenho que admitir que sem eles, talvez, nada do que foi dito seria suficiente para a série ser tão boa quanto é. Harrelson e McConaughey estão em sintonia perfeita, seus personagens são muito bem trabalhados e complexos. Harrelson, que faz um cara mais comum, não precisa se esforçar tanto o tempo todo, mas em algumas cenas percebemos que ela fez a diferença. Seu personagem, Marty, é um bom detetive, mas mais tradicional, possui família e sua prioridade não é só o trabalho, tem dia a dia de um homem comum. O personagem de McConaughey, Rust, é um cara fissurado pelo trabalho, com muitos fantasmas na cabeça, foi casado e separou-se após a morte precoce de sua filha. Por isso, a trama é mais centrada nele, trabalhando suas teorias conspiratórias para desvendar o mistério. Além disso, ele faz vários diálogos filosóficos sobre a complexidade da vida e a conduta social atual, que provavelmente são as melhores passagens da série.

O primeiro episódio nos apresenta à cena do crime que será investigado pelos dois detetives. Dora Lange é assassinada ao que parece um rito satânico, os detetives Marty e Rust são escalados para investigar as causas da morte. Rust se mostra um cara metódico, que anota todos os detalhes e não deixa passar nenhuma possibilidade.


Logo percebemos que as cenas mostradas se tratam do passado e que na verdade os dois detetives estão sendo interrogados, separadamente, sobre a investigação que fizeram, pois há desconfiança dos eventos como foram relatados na época.

Para quem gosta de mistérios, True Detective é perfeito, pois enquanto assistimos é possível ir coletando as provas e pistas encontradas e ir bolando suas próprias conclusões. Em determinado momento, desconfiamos dos próprios detetives, e esse mistério fica até quase dois terços dos episódios, até sermos surpreendidos com a verdade: sobre o resultado real da investigação e sobre o porquê de estarem brigados. Nesse momento o passado chega ao presente, e tudo começa a acontecer bem rápido, até o final espetacular.


O roteiro é muito bem feito, todos os mistérios são resolvidos, tudo tem resposta, e foi interessantíssimo como eles conseguiram manter os mistérios quase até o fim, e quando você acha que tudo foi resolvida, ainda tem mais situações para acontecer.

Assisti poucas séries, mas True Detective está entre as melhores já feitas, tenho certeza. Band of Brothers, The Pacific, Lost ainda tem seu lugar, mas True Detective chegou bem próximo dessas.

Podem assistir, sem medo, vale muito a pena.

Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks) - 2013

06/06/2014
Nota: 9.0 / 7.6 (IMDB)
Formato: HD

Direção: John Lee Hancock
Elenco: Emma Thompson, Tom Hanks, Colin Firth, Paul Giamatti, Jason Schwartzman, Bradley Whitford, Annie Rose Buckle, Ruth Wilson, B.J. Novak, Kathy Baker, Rachel Griffiths, Ronan Vibert

Crítica:
Um filme com o título Walt nos Bastidores de Mary só podemos esperar que o protagonista principal fosse Walt Disney, e a história gire em torno da sua participação no filme Mary Poppins. Mas o filme na verdade se chama Saving Mr. Banks, que numa tradução literal seria Salvando Sr. Banks, que mesmo literalmente, é o título mais adequado para história.

Mary Poppins - 1964 é um clássico infantil da Disney, ganhador de 5 Oscares, inclusive para Julie Andrews como melhor atriz. O filme conta a história de uma babá com poderes mágicos, que aparece para cuidar dos filhos de Sr. Banks.

A personagem principal do filme não é Walt Disney, e sim, Pamela Travers escritora do romance infantil Mary Poppins. O roteiro mostras com flashbacks duas histórias distintas, uma é sobre a infância de Travers, a outra é sobre sua relutância em deixar o estúdio Disney adaptar seu livro para o cinema.


O filme inicia mostrando o passado da família Travers e as dificuldades que Pamela viveu em sua infância. Seu pai tinha problemas com bebida, mas ainda assim mantinha um bom emprego como gerente de banco.
No presente, Walt Disney negocia com Travers a compra dos direitos para transformar seu romance em filme. Após vários telefonemas, Disney a convence ir ao estúdio para uma conversa pessoal. 

A relação entre os dois momentos da história está para explicar como Travers se tornou uma mulher amargurada e triste. Sua relação com o pai é bastante explorada, e dessa que molda a personalidade da escritora P.L. Travers.


Logo ao chegar um Los Angeles, Travers mostra seu mau humor em vários momentos, ao tratar com o motorista que vai buscá-la no aeroporto, ao encontrar com Walt e nas negociações do contrato. Travers concorda em assiná-lo, mas somente após sua aprovação do roteiro. Com isso, ela começa a restringir todas as ideias que considera errada na história, seu receio é que os roteiristas transformassem sua personagem em uma boba alegre. 

Seu perfeccionismo fica aflorado, e os roteiristas passam apertado para conseguir agradá-la. Em princípio ela restringe qualquer cena com desenho animado, e também cenas musicais.


Com a história de sua infância entendemos e aprendemos a gostar de seu jeito e de suas motivações, ao mesmo tempo em que acompanhamos a sua aceitação para assinar o contrato, pois a história que escreveu é uma visão sonhada para seu pai. O Sr. Banks da história é a ideia de pai que ela gostaria de ter tido, e Mary Poppins é a babá que cuidou dela na falta do pai.

Para favorecer positivamente e valorizar essa história, temos dois grandes atores nos papéis principais: Tom Hanks como Walt Disney e Emma Thompson como Pamela Travers. Os dois estão excelentes, mas Thompson dá um toque especial em sua interpretação, nos mostrando de forma realística o comportamento de Pamela.