terça-feira, 26 de março de 2013

Paradise Now - 2005

19/03/2013 - 17
Nota: 7.0 / 7.5 (IMDB)
Formato/Local: Sala de Aula

Direção: Hany Abu-Assad
Roteiro: Hany Abu-Assad, Bero Beyer, Pierre Hodgson
Elenco: Kais Nashef, Ali Suliman, Hiam Abbass

Crítica:
Paradise Now é um filme palestino que tenta nos mostrar um pouco dos conflitos existentes na região de Israel. A guerra santa entre judeus e palestinos acontece a centenas de anos, e ainda hoje, causa milhares de mortes.

De forma geral, a história mostra como os muçulmanos vêm enfrentando o poder econômico e militar judeu, utilizando o terrorismo como arma de guerra. O foco fica em dois  personagens, os palestinos Khaled (Ali Suliman) e Said (Kais Nashif), que se veem envolvidos numa missão suicida como homens-bomba.

[SPOILERS...] O filme se inicia mostrando a simplicidade e amizade dos dois personagens, suas famílias e o dia a dia de uma vida comum. A história deixa claro que o conflito existe, mas que nem todas as pessoas estão envolvidas diretamente com ele. E muitas são contra a forma adotada para sua solução, fazendo terrorismo e assassinado civis que não fazem parte da guerra.

Apesar de serem candidatos a futuros homens-bomba, Khaled e Said são pegos de surpresa quando um dos líderes do terrorismo mulçumanos os convoca para uma missão. Fica bem claro que eles aceitam apenas por ser uma doutrina religiosa imposta pelos terroristas muçulmanos, baseados na interpretação fria do alcorão. Khaled mostra-se confiante na ajuda que sua morte trará para o povo palestino e principalmente para sua família, já Said não, pois seu pai foi um colaboracionista (traidor), e sua morte o fez duvidar dos verdadeiros fins da luta palestina, além de desconfiar das promessas religiosas feitas após a morte: com anjos e paraíso. A cena em que Said pergunta à Khaled se dois anjos irão buscá-lo, exemplifica isso.


A história segue com os preparativos para a missão, com os dois recomendados sobre o seu sigilo, pois passam uma última noite com os familiares, e as despedidas serão realizadas através de filmagens. As bombas são pregadas em seus corpos, tudo feito sob forte discurso religioso e político, reforçando a importância da missão, e os benefícios que ela trará. Após a instrução de como precederem durante a missão e no acionamento das bombas, eles saem, vestidos de terno e gravata. A partir desse momento o filme fica bem tenso, pois as bombas estão implantadas, a sensação é que tudo vai explodir a qualquer momento. Vale ressaltar que parte dessa tensão também é atribuída à falta de trilha sonora, não há música alguma para realçar o drama, isso traz bastante realismo ao filme.

Ao chegar ao ponto de encontro, percebem que algo está saindo errado, um carro e um helicóptero aparecem, a missão é abortada, mas na correria Khaled e Said se separam. O primeiro volta à base terrorista, o segundo se perde, e coloca-se a vagar pelas ruas.

O chefe terrorista acusa Said de traição, assim, Khaled precisa encontrá-lo para mostrar o contrário. Nesse momento o filme passa por um drama, com os dois repensando o idealismo da missão. Khaled, preocupado e focado em encontrar o amigo, começa a se mostrar contrário ao terrorismo. Said apesar do discurso revoltado e racional sobre a situação em que se encontram, concorda em re-executar a missão. Os dois saem novamente, mas Khaled se recusa a continuar, Said o prende no carro e vai para finalizar a missão. [FIM SPOILERS]


O filme trouxe uma realidade que os ocidentais não enxergam nos conflitos em Israel. A generalização é algo que fazemos sem razão alguma. O conflito existe, muitos são aderentes a ele, mas outros não são, existem pessoas que só querem viver, construir sua família respeitando a religiosidade de cada um. E essas pessoas não fazem parte do conflito, mas isso não é respeitado. Ao mesmo tempo, essas mesmas pessoas podem ser envolvidas pelo extremismo irracional político-religioso e se sentirem obrigadas a realizar atos humanamente incompreensíveis, de tirar a própria vida, levando junto outras vidas, de pessoas que ele não tem a mínima ideia de quem sejam.

Essa é uma guerra cega, onde as pessoas passaram a se matar sem uma explicação plausível, tudo em nome de seus Deuses. Mesmo não fazendo parte dessa cultura e não sabendo os reais motivos de cada um, não vejo nenhuma razão para esse genocídio. A situação chegou ao ponto de que os fins não mais justificam os meios.

Obs.: Os textos em itálico foram inseridos após debate e melhor entendimento sobre o filme em 26/03/2013.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Oz: Mágico e Poderoso (Oz: The Great and Powerful) - 2013

16/03/2013 - 16
Nota: 8.0 / 7.0 (IMDB)
Formato: Cinema 3D

Direção: Sam Raimi
Roteiro: Mitchell Kapner, David Lindsay
Elenco: James Franco (Oscar Diggs), Mila Kunis (Theodora), Rachel Weisz (Evanora), Michelle Williams (Glinda/Annie), Zach Braff (Frank/Finley), Joey King (China Girl/Menina da Cadeira de Rodas), Abigail Spencer (Sra. Hamilton), Ted Raimi (Skeptic/Tinker), Bruce Campbell (Gore, o Dark Wizard), Tony Cox (Knuck), Tim Holmes (O Homem Forte), Martin Klebba (Nikko)

Crítica:
Oz: Mágico e Poderoso é o filme que faz prelúdio ao clássico infantil: O Mágico de Oz (The Wizard of Oz) - 1939. Os dois filmes se baseiam na série livros escritos por L. Frank Baum que narram histórias sobre a Terra de Oz, começando por O Maravilhoso Mágico de Oz.

Hollywood está vivendo uma falta de inspiração causada pelo avanço tecnológico e é claro por uma força maior: o capitalismo. Temos pouquíssimos filmes sendo realizados que não sejam baseados em alguma história ou fato que já existe. Isso se deve ao poder da tecnologia, que hoje vem permitindo aos diretores realizarem, cinematograficamente, seus sonhos de criança, trazendo para o cinema as histórias que só podíamos imaginar. E é claro, que também se deve ao fato de envolver bilhões de dólares, pois se não desse dinheiro, nada seria feito. Mas apesar de criticar negativamente essa opção dos estúdios (deixar o cinema bitolado), entendo que algumas vezes eles acertam. Particularmente sobre os prelúdios, são temas que mexem com um sentido que está inato ao ser humano, a curiosidade de descobrir o que realmente aconteceu ou acontece com alguém ou alguma coisa. Historicamente, vivemos em busca de respostas para todos os tipos de perguntas, e é nesse sentido, que às vezes, defendo os filmes que contam as histórias do que aconteceu ou poderia ter acontecido com um personagem específico.

Esse é o caso de Oz: Mágico e Poderoso que conta a história de como o famoso mágico do clássico de 1939, chegou à cidade de Oz. No primeiro, o mágico é o rei de Oz e ninguém o questiona até que Toto (cachorrinho de Dorothy) o desmascara. Mas como o mágico chega à Oz? E como ele se torna rei? Essas respostas estão nesse novo filme, que não conta absolutamente nada sobre Dorothy, o Leão Covarde, o Homem de Lata e o Espantalho, pois segundo minhas pesquisas, os direitos sobre esses personagens são da Warner e não da Disney.


[SPOILERS...] O filme começa em preto e branco, da mesma forma que o anterior, e mostra os participantes de um circo itinerante até que cena foca na apresentação de um mágico, Oscar Diggs (James Franco). Tudo vai bem até receber um pedido inusitado de uma menina, que sentada em uma cadeira de rodas lhe pede que faça sua magia para que ela volte a andar. Ele disfarça e termina o show, sem dizer à menina que sua magia era falsa, assim percebemos que o mágico não tinha ética e muito menos honestidade. Passado esse fato, o mágico se vê perseguido pelo grandalhão do circo, na fuga ele entre num balão de ar, mas se depara com furacão, da mesma forma como aconteceu com Dorothy, ele cai em uma cidade colorida e cheia de criaturas estranhas. 

Quem o acha é Theodora (Mila Kunis), um das bruxas de Oz. Nesse momento o filme se torna um pouco lento, com Theodora explicando a Oscar onde ele estava e qual eram os últimos acontecimentos da cidade.  E que ele era o mágico esperado por todos e por isso se tornaria rei. Além de lhe contar sobre suas duas irmãs: Evanora (Rachel Weisz) e Glinda (Michelle Williams). Oscar se deixa seduzir por Theodora, e lhe promete ser sua rainha. Os dois vão para o castelo de esmeraldas para encontrar a outra bruxa, no caminho conhecem Finley, um macaco voador que jura fidelidade à Oscar, pela ajuda prestada. Ao conhecer Evanora novamente é seduzido, mais ainda, depois que ela mostra um cofre gigantesco com o ouro que pertencerá ao futuro rei. Mas segundo Evanora, para se transformar em rei, também é preciso matar a bruxa má Glinda. 


Assim, Oscar e seu fiel escudeiro saem à caça da terceira bruxa seguindo os tijolos amarelos. No caminho encontram a simpática menina de porcelana, que entra pra o grupo após o mágico colar suas pernas, como mágica. Ao encontrar Glinda, descobre qual é a real identidade das três bruxas. Glinda é a bruxa boa; Theodora, a bruxa má do oeste e Evanora, a bruxa má do leste.

Agora Oscar precisa salvar a cidade de duas bruxas, mesmo sabendo que ele não era um mágico de verdade, Glinda convencê-lo de lutar com seus próprios artifícios, sua falsa magia. Num primeiro momento ele recusa, mas depois aceita e arquiteta o plano para pegar as bruxas más. Ao fim, Oscar consegue convencer a todos que era um mágico de verdade, forjando sua morte e aparecendo em forma de espírito num jogo de imagens e fumaça, semelhante ao antigo filme. As duas bruxas fogem e Oscar de torna o rei de Oz, mas somente na forma sobrenatural. [FIM SPOILERS]


Surpreendi-me com a fidelidade aos cenários e com parte da história ao primeiro filme. Para quem o assistiu, ver os tijolinhos amarelos, os macacos voadores, e a imagem esfumaçada do mágico, foi nostalgia pura. Um roteiro muito bem escrito, sem deixar furos na ligação entre os dois filmes, mesmo com a restrição dos direitos dos personagens. Além disso, os efeitos especiais ficaram excelentes, o macaco Finley foi algo no nível do Smeagol, O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (The Hobbit: An Unexpected Journey) - 2012; e do Cesar, Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of the Planet of the Apes) - 2011.

James Franco teve um bom destaque, pois conseguiu mostrar muito bem a personalidade do mágico: farsante, mentiroso, interesseiro e mesquinho.

De tudo, o que mais me chamou atenção, foi o clima de terror que há na história, acho que conseguiram fazer a primeira história infantil aterrorizante. Colocando-me no lugar de uma criança entre quatro e oito anos, ficaria assustado com as bruxas e suspense que apresentam algumas cenas. Pra mim, foi algo nunca visto.

terça-feira, 12 de março de 2013

O Voo (Flight) - 2012

11/03/2013 - 14
Nota: 7.0 / 7.3 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: John Gatins
Elenco: Denzel Washington, Kelly Reilly, Bruce Greenwood, Nadine Velazquez, Don Cheadle, John Goodman, Brian Geraghty, Tamara Tunie, James Badge Dale

Crítica:
Robert Zemeckis está de volta ao live action, depois de três filmes com captura de movimentos: O Expresso Polar (Polar Express) - 2004, A Lenda de Beowulf (Beowulf) - 2007 e Os Fantasmas de Scrooge (A Christmas Carol) - 2009. Seu último filme com live action foi Náufrago (Cast Away) - 2000.

Neste, Zemeckis trabalha com temas morais, procurando mostrar até onde vai a honestidade humana e como convivemos com a pressão que sociedade exerce sobre nós. O que é certo e o que é errado são conceitos opostos, mas que andam lado a lado, trazendo sérias discussões.

[SPOILERS...] O Voo começa com uma cena mostrando os excessos da vida de William "Whip" Whitaker (Denzel Washington), um piloto veterano que logo percebemos seus problemas com álcool e drogas. A cena se desenrola com o piloto chegando para assumir um voo num dia com tempestade.


A decolagem é extremamente tensa, com Whip fazendo a aeronave subir a máxima altitude para ultrapassar as nuvens carregadas, com bastante turbulência e temor de seu copiloto, Brian Geraghty (Ken Evans), ele consegue, o sol aparece e tudo fica tranquilo.

Para relaxar Whip mistura duas garrafinhas de vodca em seu suco. A cena muda, e mostra o piloto dormindo, com Geraghty no comando do voo. Quando a aeronave apresenta uma pane, Whip acorda com solavancos, toma para si o manche e começa os procedimentos para manter a nave no ar. Tudo indica que não haverá como salvá-los, mas Whip numa manobra instintiva, orienta o copiloto e uma das aeromoças, a executarem tarefas para que ele consiga virar a nave de cabeça para baixo. A manobra é feita, e se sustenta até aproximar-se de um campo aberto. Assim, ele desfaz o giro e executa um pouso forçado. Dos 102 passageiros, 96 sobrevivem, vários com ferimentos leves, outros, mais graves.


Whip acorda no hospital, ao abrir um dos olhos vê que seu amigo Bruce Greenwood (Charlie Anderson) o espera, no dialogo ele o explica que está sendo visto como herói, mas o pessoal do sindicato e um advogado precisam lhe passar maiores explicações sobre as consequências de seus atos. Assim, Whip é informa que exames de sangue foram feitos em todos os tripulantes e que foi detectado álcool e cocaína no seu. Em princípio ele nega, mas o advogado o convence dizendo que preparou sua defesa de forma que tornará seus exames inválidos. [FIM SPOILERS

Nesse contexto a história continua, com Whip sofrendo com alcoolismo, sem admiti-lo, e com o dever moral de dizer a verdade, mesmo com todas as estratégias para inocentá-lo. Se for indiciado, um processo criminal poderá levá-o à prisão perpétua.

As atitudes de Whip são extremamente reais, Washington fez um grande trabalho, sua interpretação de bêbado e depressivo foi algo impressionante, expõe claramente o maior problema dos drogados e alcoólatras: admitir que é um dependente.


Esse tema é bastante atual, a situação de Whip no filme é um caso discutível, pois em certos aspectos ele está certo, em outros, errado. Percebemos isso claramente durante a história, ele salvou 96 pessoas ou matou 6 pessoas? Assim, trazemos a ficção para a vida real, o nosso dia a dia é feito de decisões morais, somos testados a todo o momento, seja para respeitar uma fila, ou até mesmo dar socorro ao atropelar um ciclista. E nesses casos não há dúvidas de qual é o caminho moral. Venho percebendo, que em todas as classes sociais, a moral e a honestidade são sempre deixadas de lado. Vejam nossos governantes, temos algum confiável?

quarta-feira, 6 de março de 2013

Mr. Mojo Risin': A História do L.A. Woman (Mr. Mojo Risin': The Story of L.A. Woman) - 2011

01/03/2013 - 12
Nota: 7.5
Formato: HD

Direção: Martin R. Smith
Elenco: Ray Manzarek, Robbie Krieger, John Densmore, Bill Siddons, Bruce Botnick, Jac Holzman

Crítica:
L.A. Woman foi o último álbum lançado pela banda sessentista, The Doors.  O documentário foi realizado em comemoração aos 40 anos do disco e conta como foi a gravação de cada uma de suas músicas, não há narração, apenas entrevistas com os remanescentes da banda: Ray Manzarek, Robbie Krieger e John Densmore, mais algumas pessoas que participaram da vida dos Doors: Jac Holzman, fundador, executivo-chefe e chefe da Elektra Records, gravadora que realizou todos os discos da banda; Bill Siddons, que foi o gerente da banda de 1968 à 1972; Bruce Botnick, engenheiro de áudio e produtor musical desse último disco.

O documentário se difere bastante do último lançado: When You're Strange: Um Filme Sobre The Doors (A Film About The Doors) - 2009, pois seu foco é mais voltado para o albúm L.A. Woman do que no The Doors e Jim Morrison. Mas ainda assim, há um grande foco em Jim, pois sua morte aconteceu antes do lançamento do disco.


O filme mostra que no primeiro encontro da banda Morrison e Densmore chegaram com uma lista grande de músicas e poesias. As gravações começam, mas parecia que ninguém estava empolgado, os resultados não estavam bons. Jim começa a demonstrar que não era o mesmo, sua vontade em estar com a banda não era a  mesma. Depois dos acontecimentos em Miami, Jim sentiu bastante, foi perseguido pelo governo e pela imprensa, e os Doors não eram mais bem vistos pelo público. Segundo os entrevistados isso refletiu nas letras de suas músicas, em algumas interpretações, dizia que ele queria ir embora, que eles deviam deixá-lo seguir em frente.

O filme passa por todas as músicas, comentando desde a letra até a mixagem final. L.A. Woman é a principal delas, isso é bem demonstrado, uma mistura de blues com rock.


Ao final, falam um pouco sobre a morte de Jim, como aconteceu, quem foi contactado no primeiro momento, e como foi o enterro. Mas tudo bem simplória, sem ênfase.

Foi um documentário realizado para os fãs, não tem muita informação sobre a história da banda, mas tem bastantes detalhes sobre o disco L.A. Woman. Indispensável para quem realmente gosta dos Doors.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Argo - 2012

23/02/2013 - 11
Nota: 8.5 / 8.0 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Ben Affleck
Roteiro: Chris Terrio, Joshuah Bearman
Elenco: Ben Affleck (Tony Mendez), Bryan Cranston (Jack O'Donnell), Alan Arkin (Lester Siegel), John Goodman (John Chambers), Tate Donovan (Bob Anders), Clea DuVall (Cora Lijek), Christopher Denham (Mark Lijek), Scoot McNairy (Joe Stafford), Kerry Bishé (Kathy Stafford), Rory Cochrane (Lee Schatz), Victor Garber (Ken Taylor), Kyle Chandler (Hamilton Jordan), Chris Messina (Malinov), Željko Ivanek (Robert Pender), Titus Welliver (Jon Bates), Bob Gunton (Cyrus Vance), Philip Baker Hall (Warren Christopher), Richard Kind (Max Klein), Michael Parks (Jack Kirby), Tom Lenk (Rodd), Christopher Stanley (Tom Ahern), Taylor Schilling (Christine Mendez), Sheila Vand (Sahar), Devansh Mehta (Matt Sanders), Omid Abtahi (Reza), Karina Logue (Elizabeth Ann Swift), Adrienne Barbeau (Nina)

Crítica:
Ben Affleck está entrando para lista dos diretores mais promissores de Hollywood. Talvez ele seja um dos primeiros diretores que acompanharei a carreira desde o início. É interessante ver que seu dom para dirigir filmes, está fazendo melhorar suas atuações, pois como ator, ainda precisa crescer muito. Sua filmografia como diretor, tem apenas três filmes, mas todos de alto nível, por enquanto, estão impecáveis: Medo da Verdade (Gone Baby Gone) – 2007, Atração Perigosa (The Town) – 2010 e este.

Argo é um filme político, de espionagem, e bem estadunidense, com todo patriotismo que eles gostam, apesar das várias críticas nas entrelinhas. Além de dirigir, Affleck assinou o roteiro e ainda atuou como personagem principal. O roteiro foi baseado no livro Master of Disguise: My Secret Life in the CIA de Antonio J. Mendez, ex-agente da CIA, que Affleck interpreta; e no artigo How the CIA Used a Fake Sci-Fi Flick to Rescue Americans From Tehran escrito por Joshuah Bearman, da revista Wired, após a CIA retirar a operação Argo dos arquivos confidenciais.


A história de Argo é bem simples, seu grande mérito esta na tentativa, até onde sei, bem sucedida. Fez-se fiel aos acontecimentos reais. Os elogios começam com o figurino, a retratação das personagens e as locações. Tudo se remete aos anos 70: os cabelos, as músicas, os mobiliários das casas e escritórios, os carros, até a cor mais pálida das imagens.

Também é de se elogiar, o suspense e tensão passados com uma realidade impressionante nas interpretações. Todos os atores conseguiram nos mostrar o quão a situação era complicada, que a morte estava bem próxima. A parte final nos deixa completamente atentos e tensos, qualquer movimento em falso pode fazer o plano dar errado. É uma sensação inexplicável, o coração acelera, e quando há o desfecho da história, percebemos que estamos dentro do filme, sentindo o que as personagens estão sentindo.

Pra mim, foram essas as duas principais críticas positivas que fizerem o filme ganhar tantos prêmios, inclusive o Oscar 2013 na categoria melhor filme, pois como a história foi real, muitos sabiam seu final, e ainda assim sentimos o drama real das personagens.


[SPOILER...] O ano é 1979, em plena crise entre Irã e EUA. O então xá, Mohammad Reza Pahlavi, está refugiado nos EUA para tratamento de um câncer, mas os militantes islâmicos querem sua extradição a qualquer custo. Ele é acusado de vários crimes, sua volta é aguardada para julgamento e possível enforcamento. Os EUA se recusam a extraditá-lo, iniciando o conflito, que se culmina em protestos e invasão da embaixada estadunidense. Cinquenta e quatro funcionários são feitos reféns, mas seis deles conseguem fugir, sem que ninguém os perceba, assim, se refugiam na casa do embaixador canadense.

Com isso, o serviço secreto estadunidense, a CIA, precisa correr para resgatá-los, pois será questão de tempo para os agentes iranianos descobrirem que alguns funcionários conseguiram escapar. Várias reuniões com a inteligência da CIA são realizadas, os dias vão pasando e nenhum ideia para resgate é vista como possível, até que o agente secreto Mendez, tem "a melhor ideia ruim": criar um filme falso, com uma equipe de produção que visitaria o Irã em busca de locações para o filme. Como não havia outra ideia, a CIA aceitou. Para colocar seu plano em ação, Mendez procurou o premiado maqueador, John Chambers (John Goodman), vencedor do Oscar por Planeta dos Macacos (Planet of the Apes) - 1968 e o produtor Lester Siegel (Alan Arkin). A intenção era simular a produção o mais real possível. Argo seria uma ficção científica no estilo Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança (Star Wars: Episode IV - A New Hope) - 1977, seria mais fácil acreditar em um gênero que estava em alta e era sucesso na época. Tudo foi realizada de forma que fosse um filme real, a imprensa foi incluída, coletivas foram realizadas, posters, sinópse, tudo foi criado. O filme estava em produção.


Com todos acreditando na produção do filme, Mendez partiu para o Irã, com passaportes falsos e uma nova personalidade para cada um dos seis refugiados. O resgate envolveria um treinamento rígido de todos eles, para decorar e convencer sobre suas novas identidades. A partir disso, a trama foca entre os bastidores da CIA e a execução da missão com Mendez e os seis refugiados. Até o desfecho final, melhor parte do filme, a fuga. [FIM SPOILER

As atuações foram excelentes, pois nos convence, do início ao fim, da tensão e do perigo que o seis estavam passando. A atuação de Ben Affleck foi boa, o personagem não exigiu tanto.

Argo é um dos melhores filmes de espionagem que assisti. Mereceu estar na lista dos indicados a melhor filme no Oscar 2013, mas ainda não posso opinar se mereceu vencer, preciso assistir aos outros candidatos.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O Poder do Soul (Soul Power) - 2008

15/02/2013 - 10
Nota: 8.0 / 6.7 (IMDB)
Formato: Blu–Ray

Direção: Jeffrey Levy-Hinte
Elenco: Muhammad Ali, James Brown, Celia Cruz, BB King, Don King, Miriam Makeba, The Spinners, Bill Withers

Crítica:

O Poder do Soul é um documentário filmado em 1974 sobre o festival musical realizado no antigo Zaire, hoje, República do Congo. A ideia do festival era reunir, em algum país da África, os maiores artistas africanos junto com artistas afro-americanos de grande sucesso da época. Os realizadores procuravam investidores para o festival, e chegaram a Don King, famoso empresário de boxe, que estava promovendo a luta que valeria o título mundial de boxe. A ideia dos realizadores era  unificar a luta do com o festival de música. King gostou da ideia, e com sua influência conseguiu um financiador para o evento musical. A grande luta estava marcada para o Zaire, e reuniria os dois maiores boxeadores da época: Muhammad Ali e George Foreman. Ali se encontrava no auge da fama, e usava isso para seus protestos contra a discriminação racial, política estadunidense e mundial.

Nesse contexto o documentário foi realizado, mas não foi finalizado, pois o investidor não entrou mais em contato e o financiamento foi cortado. Depois os realizadores ficaram sabendo que o investidor havia morrido. Somente na década de 2000 eles arrumaram financiadores para finalizarem o filme.

O filme mostra todos os bastidores para preparação do evento. Desde a montagem do palco, até o show em si. As primeiras negociações para o local físico do espetáculo e contratação dos artistas, até o passo a passo para montagem do palco. A luta fica apenas como pando de fundo, mas algumas há entrevistas interessantes com Ali. Em uma deles, ele fala como os EUA estão atrasados nos direitos humanos, com muito racismo e discriminação racial, além do capitalismo ter tomado conta do país. E na África as coisas são bem mais naturais, as pessoas ainda se preocupam com as pessoas.


O artista mais importante da época era James Brown, a todo o momento percebemos o quanto as pessoas o idolatravam, e o quanto ele era solicitado para entrevistas e depoimentos sobre a importância do evento. Outros importantes artistas foram chamados, mas na época ainda não eram tão famosos, um deles é B.B. King. É até estranho vê-lo novo, andando e fazendo seu show em pé, pra mim foi uma das partes mais interessantes do filme.

Um dos pontos altos do documentário são a reunião e a viagem dos artistas afro-americanos, para a África. Eles se reuniram no que parecia um hotel, para uma festa com todos os envolvidos, vários discursos são feitos, e no outro dia, partem para a viagem à África. Dentro do avião a festa continua com muita bebida e música. Ao chegar ao Zaire, mais festa, foram recepcionados no aeroporto por Don King, e levados ao hotel, onde aconteceria a recepção festiva. É ali que Brown e Ali se conhecem, timidamente se cumprimentam e conversam rapidamente.


Tudo estava preparado para o show, com alguns problemas, mas dentro do esperado. Quando vem a notícia de que a luta não poderia acontecer no dia marcado, pois Ali havia se machucado. Cogitaram adiar o festival, mas tudo estava preparado e não havia tempo hábil para adiamento. Assim, deram continuidade para que os shows acontecessem como programados.

A parte documental acaba aqui, a partir daí, é só imagem dos shows, mostra pelo menos uma música, de praticamente, todos os artistas que se apresentaram naqueles dias. Meu destaque vai para James Brown, é claro, e B.B. King, dois monstros da música mundial. Mas ainda há algumas apresentações de grupos que eu não conhecia, além dos artistas africanos, com grande destaque para Miriam Makeba, que apesar das músicas não me agradarem, tem uma crítica mundialmente positiva.


As pouquíssimas imagens dos shows são o ponto fraco do filme. É mostrada praticamente uma música de cada artista, James Brown tem apenas duas, e mais uma nos extras. Sei que a intenção do filme não é mostrar os shows, mas poderiam ter colocamos mais músicas, ou pelo menos lançado outro blu-ray com todas as músicas.

Ainda assim, o documentário é um registro importantíssimo para os adoradores da boa música. É um histórico dos acontecimentos da época, e nos diz como os artistas foram importantes para o fim do racismo.
Com certeza é indispensável para quem é fã da black music.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Para Roma com Amor (To Rome with Love) - 2012

13/02/2013 - 9
Nota: 7.0 / 6.4 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Woody Allen
Elenco: Woody Allen, Alec Baldwin, Jesse Eisenberg, Alison Pill, Robert Benigni, Judy Davis, Alessandra Mastronardi, Ellen Page, Greta Gerwig, Penélope Cruz, Flavio Parenti, Fabio Armiliato, Alessandro Tiberi, Riccardo Scamarcio, Antonio Albanese, Ornella Muti

Crítica:
Woody Allen vem escolhendo as locações de seus filmes em cidades turísticas e românticas, mostrando suas belezas como pano de fundo. Esse se passa em Roma, uma cidade maravilhosa, com ruas rústicas, grandes praças, muito movimento e turismo. Como sempre, a base de seus filmes é bastante diálogo, mas dessa vez, além de fazer comédia com as falas, fez também com as inúmeras coincidências absurdas, que são as partes mais engraçadas.

Allen conseguiu fazer um bom filme, e mostra mais uma vez, que não preciso tecnologia para fazê-los. Interessante ver que ele construiu quatro enredos sem ligações em um filme só, até usou um pouco de ficção em uma das histórias, mostrando como é muito versátil, pois os temas são bem diferentes, e isso não é simples. Está longe de ser seu melhor filme, outros são melhores como Vicky Cristina Barcelona - 2008 e Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris) - 2011, mas esse é um ótimo filme, que vale a pena assistir.

[SPOILERS...] No filme acompanhamos quatro histórias distintas acontecendo na cidade, contadas simultaneamente e intercaladas. Primeiro conhecemos Hayley (Alison Pill), uma jovem turista que conhece o nativo advogado Michelangelo (Flavio Parenti), e começam um romance. Logos seus pais, Jerry e Phyllis (Woody Allen e Judy Davis), vêm à Roma para conhecer o novo namorado e sua família. No encontro entre as famílias, Jerry escuta Giancarlo (Fabio Armiliato), pai de Michelangelo, cantando ópera no chuveiro, e percebe seu potencial musical, convence-o de fazer um teste profissional, mas descobre que seu talento acontece apenas ao tomar banho. Entre vários diálogos engraçados, Giancarlo vira um grande tenor, mas sempre cantando no chuveiro.


Em outra história acompanhamos o arquiteto Jack (Alec Baldwin), que ao revisitar o bairro onde morou quando estudante, encontra John (Jesse Eisenberg), um rapaz que mora exatamente em sua ex-casa. John o convida para rever a casa e tomar um café, os dois e sua namorada Sally (Greta Gerwig). Entre os bate-papos, Sally conta que sua amiga Monica (Ellen Page) está chegando e passará alguns dias hospedada na casa eles. John não vê problemas, mas Jack o aconselha não recebê-la, pois as descrições ditas por Sally poderiam colocar em risco o namoro dos dois. Monica chega e logo John percebe que Jack estava certo e os dois acabam tendo um caso. Mas o interessante da história é que aos poucos vamos percebendo que Jack é John no futuro, e ele está apenas revisitando seu passado.


A terceira história conta a vida de Leopoldo (Robert Benigni), um homem tradicional, que não faz mais do que seguir sua rotina diária. Quando de repente ele se torna uma celebridade. Todos o idolatram, querem saber de sua vida, é convidado para festas, com se fosse uma pessoa famosa há anos. No início ele acha estranho, mas aos poucos vai gostando de ser o centro das atenções, até que começa a se aproveitar disso. Quando de repente, ele não é mais a celebridade, sua fama acaba, ninguém mais o reconhece, assim Leopoldo fica transtornado, exigindo e perguntando às pessoas e informando quem ele é. Mas a fama realmente acabou.


Na última história encontramos um jovem casal, recém-chegado à Roma. Eles serão recepcionados pelos tios tradicional do rapaz  (Alessandro Tiberi), assim, ao chegarem ao hotel, sua esposa (Alessandra Mastronardi) decide sair para ir ao salão. É quando começam as coincidências embaraçosas. O rapaz recebe no quarto do hotel uma prostituta Anna (Penelope Cruz), que o confundi com outro cliente, no mesmo momento seus tios chegam e ele é obrigado afirma que Anna é sua esposa. A procura do salão, a moça se vê perdida nas ruas de Roma, quando encontra um ator, que é fã, ele a seduz e a leva para seu hotel. Tudo indicava que os dois iriam parar na cama, mas é quando um assaltante entra no quarto, e com um fim bizarro, ela acaba por ir pra cama com o assaltante.

As atuações são bem caricatas, cada um dos atores principais das histórias assumiu um papel bem marcante. Alguns deles com destaque maior, e posso começar citando Penelope Cruz, como sempre linda, mas fazendo uma prostituta despojada ficou ainda mais sexy, por isso, não foi tão exigida, sua beleza natural faz a personagem. Atores como Jesse Eisenberg e Robert Benigni sempre marcam, por terem o mesmo jeito de atuar, Eisenberg com falas rápidas e Benigni com seu gesticular de mãos. Também dou um destaque para Allen, apesar de sua aparência não ser agradável, ele sempre tem um bom desempenho.

No papel de roterista, Woody Allen tocou em alguns temas interessantes e outros polêmicos. Um deles é a traição, o jovem casal, em situações diferentes acaba um traindo o outro, e isso faz com que o relacionamento fique melhor e apimentado. Outro tema é o experiente arquiteto revisitando seu passado, tentando mudá-lo e reconhecendo que alguns fatos todos têm que experimentar, para assim, saber se é ruim ou bom. Não adianta ninguém falar, temos que vivenciar. Durante a vida temos fatos divisores que nos faz dar certo ou errado, seja no trabalho, nos estudos ou com algum dom que nem sabemos que temos. E muitas vezes um “empurrãozinho” de alguém, pode ser essencial para que a coisa aconteça da forma certa. Acompanhamos isso na história de Jerry e Giancarlo. Se qualquer um de nos procurar nas nossas lembranças, vamos perceber que pessoas iguais Jerry passaram por nossas vidas, e muitas vezes nem as percebemos. Já a história de Leopoldo fez-me lembrar de que a maioria de nós procura exatamente a rotina e a estabilidade para sua vida, e para mim, esse é dos motivos que o nosso país não vai pra frente. Não somos um povo proativo. Sei que existem as exceções, mas brasileiro é acomodado. Também houve a exposição à fama, que pode ser parecido com poder. Basta uma pessoa ter fama ou poder para mostrar quem ela realmente é. [FIM SPOILERS]

Essas foram as mensagens que tirei do filme, mas é claro que essas percepções tem haver com minhas experiências. Assistam ao filme para terem as suas.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Lincoln - 2012


30/01/2013 - 8
Nota: 8.0 / 7.9 (IMDB)
Formato: Cinema

Direção: Steven Spielberg
Elenco: Daniel Day Lewis (Presidente Abraham Lincoln), Sally Field (Primeira-Dama Mary Todd Lincoln), Tommy Lee Jones (Congressista Thaddeus Stevens), David Strathairn (Secretário de Estado William H. Seward), Joseph Gordon-Levitt (Robert Todd Lincoln), James Spader (William Bilbo), Hal Holbrook (Francis Preston Blair), John Hawkes (Coronel Robert Latham), Jackie Earle Haley (Vice-Presidente dos Estados Confederados da América Alexander H. Stephens), Lee Pace (Congressista Fernando Wood), Jared Harris (General Ulysses S. Grant)

Crítica:
Steven Spielberg está de volta na direção de mais um drama de grandes proporções, o mesmo estilo empregado no excelente Munique (Munich) - 2005 e no fraco Cavalo de Guerra (War Horse) – 2011. Agora, Spielberg, junto com o roteirista Tony Kushner, contam uma parte importante da história estadunidense, com participação importantíssima do então presidente Lincoln. Foi baseando na obra biográfica de Lincoln: Team of Rivals - The Political Genius of Abraham Lincoln de Doris Kearns Goodwin. Lincoln foi o 16º presidente dos Estados Unidos, é um dos mais lembrados, pelos seus feitos e por ter sido assassinado.

O enredo mostra exatamente os meses em que antecederam a aprovação da 13ª emenda da constituição estadunidense, os quatro últimos antes do assassinato do presidente. Durante a guerra civil, que não é o foco do filme, o presidente atrela o fim da guerra à assinatura da emenda, e faz de tudo para que as duas coisas aconteçam ao mesmo tempo.


Spielberg foi incrivelmente feliz ao contratar Daniel Day Lewis para o papel principal. Lewis é um ator excêntrico, mas esse adjetivo se volta totalmente para sua competência. Normalmente suas atuações são extremamente fiéis, e sua determinação para compor um personagem impressiona. Fiz algumas leituras sobre seu comportamento nos sets de filmagem, e ele se transforma, de maneira que vivencia o personagem 24 horas por dia, e não aceita que ninguém o chame por seu nome, atendendo somente pelo nome de quem interpreta, mesmo fora das filmagens. Por isso, Lewis é admirado e se tornou um ator competente, vencedor de vários prêmios, incluindo dois Oscars. Nesse filme teve, mais uma vez, uma atuação extraordinária, sua aparência ficou incrivelmente perfeita. A fotografia e jeito com a câmera o mostrava, quase sempre de perfil, o deixou idêntico a Lincoln. Além disso, ele adotou uma voz rouca, com diálogos pausados e pacientes, mostrando seu envelhecimento e cansaço pelos quatro anos vivenciando a guerra.

[SPOILERS...] Em meio à guerra, Lincoln precisa travar uma batalha política para assinatura da emenda que acabará com a escravidão. Mas seu receio, é que o fim da guerra e consequentemente junção dos estados confederados à união, causarem a desistência da sua aprovação, pois os confederados fazem bastante uso da mão de obra escrava. Assim, Lincoln precisa correr para convencer e juntar os votos a favor, antes que a guerra acabe, mas para isso precisou usar sua influência política e algumas manobras antiéticas para dobrar seus companheiros republicanos e principalmente seus adversários democratas. Os republicanos foram convencidos por meio de diálogos e imposição irredutível para aprovação da emenda. Depois disso, solicitou seus melhores assessores para procurar pessoalmente os democratas que não foram reeleitos, pois seria mais fácil convencê-los, já que não tinham mais um vínculo formal com o partido. Enquanto o tempo passava, Lincoln precisou administrar a ansiedade de todos pelo fim da guerra, e ainda fez alguns movimentos para que ela não acabasse. Perto do dia da votação, Lincoln ainda precisou buscar votos pessoalmente e convencer alguns democratas, com palavras e chantagens emocionais. Assim, a emenda é votada e aprovada numa sequência de cenas tensas e emocionante. Ao fim, o roteiro mostra as negociações para rendição dos confederados e ainda encontrou tempo para mostrar como foi o assassinato de Lincoln. [FIM SPOILERS]


Como relatado, o filme não se trata de uma biografia por completo, apenas mostra um momento importante da história estadunidense, com um olhar direto sobre Lincoln. Mas há omissões sobre alguns métodos adotados por ele para conseguir os votos necessários na aprovação da emenda. Sabe-se que ele torturou alguns adversários colaboradores dos confederados, prendeu alguns jornalistas e fechou redações.

Os trejeitos adotados por Daniel Day Lewis com certeza não são os mesmos de Lincoln, muito provavelmente foi sua visão e imaginação que trouxe esse desempenho bastante agradável, dando veracidade aos fatos. Essa interpretação fez com que o filme ficasse lento, com diálogos muito bem  executados, de um jeito que sempre nos deixa a pensar. A maquiagem e a fisionomia de Lewis ficaram impressionantes, junto com o jogo de câmera, algumas cenas podemos dizer que é Lincoln de verdade.

A história foi muito bem contada, mesmo com as omissões, o roteiro nos prende, mesmo não tendo ação alguma, prestamos atenção em cada diálogo, em cada frase. Por isso, incrivelmente, a plateia do cinema em que o assisti, ficou em silêncio absoluto durante as quase duas horas e meia de projeção. Numa havia acontecido isso comigo. O cinema é do Shopping Boulevard em Belo Horizonte. Fica a indicação.


Desabafo:
É incrível como alguns de nós, muitas vezes eu, dá tanta importância à história dos EUA e para piorar, não valoriza a história brasileira. Critico-me várias vezes por não assistir à filmes latinos, europeus, e principalmente nacionais. Sei que ao focar em filmes estadunidenses, estou perdendo a oportunidade de valorizar o que é nosso, e a nossa história, mas ao mesmo tempo é difícil deixar de assistir um filme igual Lincoln, para assistir Dois Filhos de Francisco - 2005. Os EUA estão longe de ser um povo perfeito, cometem inúmeros erros por conta do capitalismo, inclusive no cinema, mas esse, é o que eles fazem com perfeição, independente da história que contam, eles conseguem fazer com que o planeta assista a seus filmes. Por bem ou por mal, e infelizmente, eu ainda prefiro arriscar assistir um filme deles e achar ruim, do que assistir um nosso para ver se é bom.

Assistam Lincoln!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Intocáveis (Intouchables) - 2011


26/01/2013 - 7
Nota 8.5 / 8.6 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Olivier Nakache, Éric Toledano
Elenco: François Cluzet (Philippe), Omar Sy (Driss), Anne Le Ny (Yvonne), Audrey Fleurot (Magalie), Clotilde Mollet (Marcelle), Alba Gaïa Kraghede Bellugi (Élisa), Cyril Mendy (Adama), Christian Ameri (Albert), Grégoire Oestermann (Antoine), Marie-Laure Descoureaux (Chantal), Absa Dialou Toure (Mina), Salimata Kamate (Fatou)

Crítica:
Intocáveis nada tem haver com o clássico Os Intocáveis (The Untouchables) - 1987 de Brian De Palma. Intocáveis é uma comédia dramática francesa, foi o filme mais assistido na França em 2011. É uma história verídica, baseada no livro autobiográfico de Philippe Pozzo di Borgo, Le Second souffle.

O enredo narra a história da amizade que se forma entre Philippe (François Cluzet) e Driss (Omar Sy). O primeiro é um milionário tetraplégico francês, que precisa contratar um auxiliar de enfermagem para ajudá-lo em suas atividades do dia a dia. Dentre as várias entrevistas, aparece Driss, um senegalês que vive nos subúrbios de Paris, tem passagens pela polícia, uma família desestruturada e sem nenhuma formação para o cargo.


A história mostra qual é a realidade de uma pessoa tetraplégica, todas suas dificuldades e limitações. E deixa bem claro que dinheiro realmente não traz felicidade, que mesmo milionário, não podemos comprar ou resolver alguns destinos que a vida nos proporciona. E mais, muitas vezes vamos encontrar a felicidade na simplicidade e em pessoas que não damos o mínimo de valor. É emocionante ver como a amizade entre os dois vai se tornando forte à medida que a convivência acontece, mesmo com diferenças culturalmente opostas e experiências vivenciadas tão diferentes.

Driss é um cara despojado que não teme em falar suas sinceras opiniões, mesmo que isso não vá agradar ao outro. Age assim com seu patrão e amigo, com as ajudantes e até com a desejada secretária Magalie (Audrey Fleurot). E é isso que conquista a todos, num ambiente formal e cheio de regras, ele quebrou todos os pré-conceitos, trazendo alegria para a casa inteira. Interessante e exemplar é saber que sua vida familiar não é tão feliz assim, [SPOILER...] vive em condições precárias, com vários irmãos, que na verdade são primos, pois seus pais o largaram, por isso foi criado pela tia. Com o ambiente desfavorável, ele não consegue arrumar emprego e passa vários dias fora de casa, provocando raiva em sua tia, que o coloca para fora de casa. Somente assim, comparece à entrevista com Philippe.


Há uma pequena falha no roteiro, a de não explicar completamente a decisão de Driss largar o emprego e sair da casa de Philippe, pois com o que foi exposto, não seria indispensável sua saída [FIM SPOILER]. Fora isso, o filme é divertidíssimo, principalmente quando Driss mostra sua irreverência ao tratar da tetraplegia de Philippe.

A história é um exemplo de como devemos ver a vida, procurar sempre alegria, mesmo em situações que não permita isso. Essa foi a principal mensagem que o filme me passou. Valeu a pena assisti-lo.

Reparem na trilha sonora, pois é excelente.

Por curiosidade, todo o dinheiro arrecadado com a venda dos direitos autorais da adaptação do livro ao cinema, aproximadamente US$ 600 mil, foi doado a uma instituição que cuida deficientes físicos.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Django Livre (Django Unchained) - 2012


23/01/2013 - 6
Nota: 9.5 / 8.7 (IMDB)
Formato: Cinema

Direção: Quentin Tarantino
Elenco: Jamie Foxx (Django), Leonardo DiCaprio (Calvin Candie), Christoph Waltz (Dr. King Schultz), Kerry Washington (Broomhilda), Jonah Hill, Samuel L. Jackson (Stephen), Zoe Bell (Tracker Peg), Tom Savini (Tracker Chaney), Don Johnson (Spencer Gordon Bennet), Michael Bacall (Smitty Bacall), Dennis Christopher (Leonide Moguy)

Crítica:
Quentin Tarantino é um dos melhores diretores da nova geração, apesar de pequena, sua filmografia é recheada de bons filmes. Alguns deles pegaram o conceito de “clássico”, e são lembrados em todas as listas de melhores filmes de todos os tempos. Pulp Fiction é um deles, e provavelmente o mais famoso.

Tarantino coloca em seus filmes a alma do cinema, eles tem tudo aquilo que queremos: entretenimento, adrenalina, suspense, alegria, tristeza, ação e sua ironia à violência, sem ligar para o que vão pensar ou falar de seu filme. Isso se aplica em filmes de gêneros bem diferentes como: guerra, drama, aventura e agora faroeste. E ainda consegue brincar com os espectadores colocando pequenas referências, para alguns, ligações, entre seus filmes. Basta assistir o curta Tarantino's Mind estrelado pelos atores brasileiros, Seu Jorge e Selton Mello.

Para ele, cinema tem que ser cinema, se não, é vida real. Sempre vou assistir a seus filmes, em qualquer situação. Pulp Fiction, por exemplo, vi oito vezes.


Django Livre conta a história sobre a jornada do ex-escravo Django (Jamie Foxx) ao lado do caçador de recompensas King Schultz (Christopher Waltz). Eles se juntam para resgatar a mulher de Django, Broomhilda (Kerry Washington), que agora é escrava do vilão e fazendeiro Calvin Candie (Leonardo DiCaprio).

Nesse filme Tarantino se superou, todas as suas principais características foram colocadas e intensificadas: os longos diálogos, as reviravoltas e muito sangue. Uma homenagem aos westerns spaghetti, com várias referências, desde os créditos inicias até o duelo final. Um faroeste atual, mas que conta com as tradicionais cenas de tensão antes dos duelos, e diferentemente dos velhos faroestes, muitos deles não acontecem, que ao mesmo tempo é frustrante e interessante.

Podemos dividir o filme em três grandes partes. A primeira metade mostra como Django e Dr. Schultz se conhecem e se juntam para uma missão específica. A segunda metade segue a evolução de Django, como pessoa e como caçador de recompensas, tornando-se exímio atirador. A terceira metade conclui com a vingança de Django e resgate de sua esposa.

Christoph Waltz fez um papel muito parecido com o realizado em Bastardos Inglórios. Dr. King Schultz é um homem frio, mas ao mesmo tempo, sensível e inteligente. Gosta de dialogar, tudo que fala é bem pensado, mas suas atitudes podem ser inesperadas. Por isso, é um personagem metódico, correto e tem sua própria conduta ética, dentro dessas, tratar os negros como brancos.

Jamie Foxx faz papel do escravo Django, acostumado a ser humilhado por seus donos, vê em Dr. King Schultz a oportunidade de vingança. Interessante em sua interpretação, junto com as características que o personagem exigiu, foi o crescimento motivacional e de confiança que Django passa. Começa como um homem tímido e sem palavras, e aos poucos acompanhamos seu crescimento intelectual, determinação para vingança e autoconfiança. Isso nos faz envolver emocionalmente com o personagem, e passamos a concordar com suas atitudes, mesmo que, às vezes, sejam erradas. A cena chocante entre alguns cães e um negro exemplifica isso.

Leonardo DiCaprio é uma ator sensacional, praticamente acompanhei toda sua carreira, e hoje o considero um dos melhores atores, versátil e convincente, o que é mais importante. Nesse, ele faz o papel de vilão, Calvin Candie, dono da fazenda onde possui vários escravos, inclusive a esposa de Django. Sua participação começa na terceira metade do filme, quando iniciamos a conclusão da história. DiCaprio mostra um personagem mal, com desprezo pelos negros, que era comum na época, trata-os com se fossem, ou piores que animais. A cena da luta entre dois negros na sala de sua mansão demonstra bem isso.


Samuel L. Jackson, como Stephen, rouba a cena, sua participação não é tão grande, mas essencial para a trama. Ele faz um velho negro, servente há várias gerações dos Candie, por isso se tornou um negro com atitudes de branco. Percebemos que para sobreviver, tanto tempo, como escravo, ele precisou ser confiável a seus patrões brancos, e para isso, tratava todos os negros com se ele fosse branco. Os tremores e o mancar com sua bengala foi algo que nos faz acreditar na sua velhice e nos anos em que, possivelmente, sofreu como escravo.

[SPOILERS...] As duas primeiras metades da história também foram para nos contextualizar sobre a época em que se passa a história, e nos mostrar como os negros eram tratados. Apesar da história da escravidão ser extremamente triste e revoltante, várias momentos são feitos com humor negro, nos fazendo chorar e rir na mesma cena. Tarantino soube dosar muito bem o drama e a comédia, as lágrimas e o sorriso. Exemplo disso é a paródia que fez com a aparição de homens brancos encapuzados, referindo-se à origem da Ku Klux Klan. Esse humor negro e a comédia feita com um tema tão sério podem levar alguns a criticar negativamente o filme, mas como disse no início, essa, com certeza, não é a intenção de Quentin. A diversão cinematográfica é o foco, além de ser uma forma de prestar homenagem às pessoas que viveram esse drama.


Mas o ponto alto do filme está na terceira metade, quando juntam-se os principais personagens, e mostra como bons atores fazem a diferença. Waltz, DiCaprio e Foxx foram impecáveis, e ainda contaram com Jackson para chegar quase à perfeição. Os longos diálogos da negociação para a suposta compra do lutador negro, e resgate da escrava e esposa de Django, foi algo inexplicável. Nos deixa concentrado e tenso, realmente entramos emocionalmente na história, tudo acontece lentamente,  vamos nos envolvendo até que no clímax, explodimos juntos com o tiroteio sanguinário, vibrando e torcendo para que Django acabe com todos. Tudo indicava que seria o fim do filme, mas esse não é o último combate, se acabasse nesse momento não ficaria ruim, mas assim, não seria um filme de Quentin Tarantino, ainda tem o “grand finale”, e é claro, bem explosivo. [... FIM SPOILERS]

Acho que Tarantino conseguiu criar mais um clássico. Clássico é um conceito difícil de explicar, mas com certeza, dentro desse conceito, está o de filme excelente e que vai ser lembrado para sempre. São raros os que nascem conceituados dessa forma, e para mim, esse faz parte das exceções. Obrigado Quentin, por me fazer apaixonar cada vez mais pelo cinema.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A Viagem (Cloud Atlas) - 2012


11/01/2013 - 5
Nota: 7.5 / 8.0 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Lana Wachowski, Tom Tykwer, Andy Wachowski
Elenco: Tom Hanks, Halle Berry, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Doona Bae, Ben Whishaw, James D'Arcy, Zhou Xun, Keith David, Susan Sarandon, Hugh Grant

Crítica:
Bastante criticado, A Viagem, tenta ser um épico da ficção filosófica e religiosa. Os irmãos Wachowski colocaram em seis histórias diferentes, a filosofia que envolve a vida. As histórias aparentemente são distintas, mas aos poucos e sutilmente vão se conectando e procuram mostrar que sempre haverá vidas conflitantes dentro das sociedades.

[SPOILER] Tudo começa com um velho ancião contando sua história de vida, e logo nos vemos acompanhando um advogado no século XIX, que sai em uma viagem para encontrar escravos, mas acaba por salvar um. Dentro desse contexto, nos mostra o quão as pessoas podem ser boas mesmo em situações e época que não era permitido ser bom. Dessa forma, há todo momento, são feitos cortes, passando e mudando entre as histórias. Cortes abruptos ou suaves, e com o tempo, cada vez mais ligando as histórias, seja na fala de um personagem ou no resultado da cena.

Outra história se passa nos anos trinta, e mostra os conflitos das inspirações de um jovem compositor iniciante, Adam Ewing, e a falta de inspiração de um conceituado músico decadente, em busca da cifra perfeita. A junção se pretende a perfeição, mas não é bem isso que acontece. 

Nos anos setenta, uma jornalista investiga uma empresa que projeta um reator nuclear cheio de falhas, onde há uma conspiração por traz do projeto, e por isso, ela é perseguida para ser assassinada.

Nos dias atuais, um velho editor, Timothy Cavendish, se vê rico, após seu escritor matar um crítico e seu livro se tornar um dos mais vendidos do país. Mas ao gastar todo o dinheiro, e não ter mais como arcar com a parte do escritor, se vê perseguido pelos capangas do escritor. Assim, pede ajuda a seu irmão, que o aconselha esconder em hotel, que na verdade era um asilo. Agora, toda essa trama, vira o foco para o plano dos velhinhos fugirem do asilo.

No futuro de 2144, acompanhamos Sonmi-451, uma garçonete que não tem direitos, só deveres. Sua função é apenas fazer o serviço e descansar em sua cama quarto. A única motivação é saber que ao final do contrato de trabalho ela e suas colegas passarão pelo processo de libertação. Mas quando uma de suas colegas se revolta e é morta, Sonmi começa a questionar sobre sua vida, é quando aparece um dos membros da rebelião, Hae-Joo Chang, e a resgata. A proposta dos rebelados seria colocá-la como a porta voz do grupo e fazer um discurso para tentar fazer a população abrir os “olhos”. Para isso, Chang mostra para Sonmi o que era a libertação, chamada de Exaltação. Todas as garçonetes eram clones que ao não servirem mais para o trabalho, eram enfileiradas e assassinadas em cadeiras elétricas futurísticas.

Num futuro ainda mais distante, o mundo chegou ao caos e agora os humanos regrediram, tecnologicamente, e voltaram a viver em tribos. Zachry é um dos líderes de uma das tribos, que vivem em conflito, uns matando os outros. A situação muda quando Meronym aparece, uma remanescente do mundo tecnológico, pedindo ajuda para chegar ao topo das montanhas. Em princípio Zchary resiste, mas após sua sobrinha ser salva Meronym, ele decide ajudá-la. No topo da montanha Zchary se dentro de uma estação de comunicação entre os que estão na Terra e os que foram refugiados para uma nave, e ainda vivem com tecnologias. Além disso, descobre que Sonmi era apenas uma mulher comum, que liderou, lutou e representou a revolução. Ao voltar, descobre que todos estão de sua tribo foram mortos pela tribo rival, salvando apenas sua sobrinha. Os três fogem e são resgatados pela nave da comunidade de Meronym.


Todas as histórias estão interligadas, mas não é fácil pegar todas as ligações. Percebi que quanto mais se passava, mais conectado ficava. As falas de um personagem serviam exatamente para a próxima cena de outra história. Alguns personagens existiam em mais de uma história, como Sonmi. Objetos encontrados no passado são vistos no futuro de alguma forma. Além disso, o que fez muito sentido foi o uso dos mesmos atores nas seis histórias, eles tem uma conectividade entre as histórias, mesmo com papeis diferentes. Seus comportamentos vão passando por fases, melhorando ou piorando.  Para isso, foi utilizada bastante maquiagem, que variou de excelente, a ponto de não reconhecermos o ator por traz dela, até horrível, de percebermos a utilização de máscaras.

Os atores tiveram boas atuações, principalmente por fazer papeis bastante diferentes dentro as histórias, mas em vários momentos nem percebemos quem é o ator por traz da maquiagem, e quando isso acontece, é porque ele está atuando muito bem. Tom Hanks dispensa comentários, é um grande ator, consegue fazer qualquer tipo de papel, e nesse filme não foi diferente.

Os irmãos Wachowski entram bastante dentro de conceitos religiosos. O principal deles é a personagem Sonmi, que participa de duas histórias, e é uma analogia direta à Jesus Cristo, e nesse caso faz uma dura crítica e até polêmica para as religiões de hoje. Acho realmente que Cristo poderia ter sido apenas um símbolo de uma revolução. 

A fonte principal de todas as histórias é a vida, de como os seres humanos são capazes de fazer o bem e mal, e mostra que isso sempre vai existir, e ainda assim vamos sobreviver a tudo e a todos. Além disso, mostra como cada uma de nossas atitudes podem trazer efeitos, bons ou ruins, por décadas, às vezes até para sempre.

Apesar de ser um filme longo, para alguns, cansativo, assistirei de novo, pois são tantas as ligações e detalhes, que a segunda vez poderei perceber mais as sub mensagens de cada história.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

As Coisas Impossíveis do Amor (The Other Woman / Love and Other Impossible Pursuits) - 2009


06/01/2013 - 4
Nota: 7.5 / 6.3 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Don Roos
Elenco: Natalie Portman, Lisa Kudrow, Scott Cohen, Charlie Tahan, Lauren Ambrose, Kendra Kassebaum, Daisy Tahan, Anthony Rapp, Elizabeth Marvel, Debra Monk, Maria Dizzia

Crítica:
As Coisas Impossíveis do Amor nos leva para um drama que acontece com várias mulheres e famílias. A base da história é a infelicidade de se perder um filho recém-nascido, no caso, mas o mais comum é perdê-los ainda na gravidez. A morte súbita infantil normalmente acontece nas primeiras horas de vida, é raro e não há explicações para conseguir preveni-la, simplesmente acontece.

O enredo mostra uma jovem mulher, Emilia Greenleaf, que se envolve com um colega de trabalho, Jack Woolf, casado, e acaba engravidando. Com o casamento para ruir, Jack decide pelo divórcio e um novo casamento com Emilia, que será mãe de sua filha, Isabel.

O filme mostra os fatos com momentos do passado, nos colocando a par das informações na medida em que são necessárias para completar o presente.

Isabel morre nos primeiros dias de vida, deixando Emilia extremamente depressiva, e fazendo a família desestabilizar. Para piorar, sua relação com o filho de Jack não vai bem, sempre o menino diz algo sobre a irmã, torna-se um ataque à Emilia. Além disso, a ex-esposa de Jack também não contribui para que as relações sejam boas.


Tudo ocorre de forma bem triste, até que Emilia [SPOILER] confessa à Jack o que realmente aconteceu com Isabel para que ela se sinta tão culpada. Isabel morreu em seus braços, após as duas adormecerem, por isso, supostamente, ela morreu sufocada em seu peito. Isso provoca a separação do casal, mas Jack pede a sua ex-esposa, que é médica pediatra, para estudar o caso e confirmar, pela autópsia, se Isabel realmente morreu sufocada. Assim, sua ex-esposa chama Emilia para conversar, e diz que é impossível cientificamente ela ter matado a própria filha, as causas da morte não mostravam isso. Emilia tira um peso das costas, e vai atrás de Jack para tentar a reconciliação, que a corta de imediato, mas, ainda assim, o filme termina com Jack dando a entender que a reconciliação será possível.

Apesar de não ser uma história real, é muito semelhante à vida real, por isso a considero muito boa. Para trazer realidade à ficção é necessário que os atores atuem de forma convincente, e foi o que aconteceu, principalmente Natalie Portman, a todo o momento vemos a tristeza em seus olhos. Charlie Tahan, que faz o filho de Jack, também se destaca, pois faz uma criança mimada, e seu entendimento sobre a morte da irmã é característico de uma criança, ele demonstra o sofrimento da situação, e consegue nos passar a real reação de um menino na sua idade.

Gosto de filmes que retratam o drama real que várias pessoas passam ou podem passar, isso nos faz refletir sobre a vida, e sobre nossas reações em determinadas situações extremas. Como precisamos estar preparados para as tristezas da vida, pois em determinadas situações poderemos perder o controle, e não ter forças para superá-las. Por isso, temos que, muitas vezes, deixar as emoções de lado e voltar-se para a razão, e superar momentos depressivos da vida.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Amor e Outras Drogas (Love and Other Drugs) - 2010


06/01/2013 - 3
Nota: 7.5 / 6.6 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Edward Zwick
Elenco: Jake Gyllenhaal, Anne Hathaway, Josh Gad, Judy Greer, Gabriel Macht, Oliver Platt, Hank Azaria, George Segal, Jill Clayburgh, Katheryn Winnick, Jaimie Alexander, Nikki DeLoach

Crítica:
Pelo título, temos a tendência de acreditar ser mais uma comédia romântica. Tem partes engraçadas e o romance, mas o filme é um drama, onde a personagem principal tenta conviver com uma doença degenerativa.

A história começa com Jamie Randall, um daquelas caras que curtem a vida ao máximo, seduzindo todas as mulheres que passam por seu caminho, até encontra e se apaixonar por Maggie Murdock. Maggie é uma jovem de 26 anos que convive com uma terrível doença, o mal de Parkinson. Uma doença que atingem normalmente velhos, mas pode acontecer em pessoas mais jovens. Os dois começam um romance, mas Maggie não se entrega aos seus namorados, por saber que um vínculo maior e mais longo trará sofrimentos, também, ao parceiro. Por isso, ela decide terminar com Randall, mesmo estando apaixonada por ele. Após uns tempos separados, Randall dedica à sua carreira e consegue uma promoção, mas com a condição de mudar para Chicago. Ao preparar para mudança, ele descobre que não conseguirá viver sem Maggie, e vai atrás para resolver de vez o relacionamento e convencê-la de que será possível os dois ficarem juntos. Ele a convence, desiste de Chicago e tudo termina como sempre gostamos: juntos e felizes.


O filme trata de uma doença que não tem cura e que os problemas causados por ela, afeta não só o doente, mas todas as pessoas queridas que estejam em volta. Com o tempo a pessoa fica totalmente dependente, causando sofrimento de todos. Podemos perceber que o filme tenta tratar o assunto da melhor forma possível e dá exemplo para as pessoas que tem a doença, de sempre tentar superar e conviver feliz, mesmo que seja difícil. Particularmente, me mostrou o quanto sou privilegiado, por ter uma boa saúde e todos os meus familiares também. Tenho que celebrar isso todos os dias, e ao mesmo tempo ter em mente que esse tipo coisa pode acontecer com qualquer um, há qualquer momento, e temos que estar preparados para quando acontecer. O filme é uma lição de vida, por isso vale a pena assisti-lo.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Sombras da Noite (Dark Shadows) - 2012


01/01/2013 - 1
Nota: 6.5 / 6.3 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Tim Burton
Elenco: Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Helena Bonham Carter, Jonny Lee Miller, Jackie Earle Haley, Eva Green, Bella Heathcote, Gulliver McGrath, Chloe Grace Moretz, Thomas McDonell, Ray Shirley, Christopher Lee, Alice Cooper, Ivan Kaye, Susanna Cappellaro, Raffey Cassidy

Crítica
Sombras da Noite é mais um filme que conta com a parceria entre Jonhnny Depp e Tim Burton. Sempre que Burton trabalha com personagens excêntricos, Deep aparece, trazendo suas multifacetas para compor essas figuras.

[SPOILERS] A história é centrada em Barnabes da família Collins. Tudo começa quando uma bruxa, Angelique Bouchard, apaixonada por Barnabes, resolve amaldiçoá-lo por não conseguir seduzi-lo. Mata sua pretendente e o transforma num vampiro, aprisionando-o em um caixão, que só é encontrado, por 120 anos depois,  com as escavações de uma empreiteira. Ao sair do sono, descobre que tudo mudou e sua mansão agora é ocupada por remanescentes de sua família. Tentando se adaptar às modernidades, e convivendo com seus novos parentes, Barnabes se apaixona novamente, Victoria Winters, a governanta da mansão. Mas logo Angelique aparece, dona de um dos maiores empreendimentos da região, ela volta para atormentar Barnabes, e terminar sua maldição.


Dessa vez Burton deixou a desejar, o princípio da história é convincente, mostra os personagens com características bem definidas. Mas a segunda metade ficou sem enredo Barnabes não tem objetivos, Angelique é uma vilã sem muitas aspirações, quer somente o amor de Barnabes, mas desde o início sabemos que não vai corresponder. Por isso, acho que o roteiro poderia ser mais elaborado, a trama mais convincente e a vilã mais cruel, afinal de contas, ela é uma bruxa.

A atuação de Johnny, como sempre, foi perfeita. É o “camaleão” do cinema, suas atuações são sempre surpreendentes e originais.

Gosto dessa parceria e sempre vou assistir aos filmes de Tim Burton e Johnny Depp, mesmo sabendo que nem todos serão excelentes.