domingo, 9 de fevereiro de 2014

Questão de Tempo (About Time) - 2013


13/01/2014
Nota: 9.0 / 7.9 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Richard Curtis
Roteiro: Richard Curtis
Elenco: Domhnall Gleeson (Tim Lake), Rachel McAdams (Mary), Bill Nighy (James Lake, Tim's father), Lydia Wilson (Kit Kat, Tim's sister), Lindsay Duncan (Mary Lake, Tim's mother), Tom Hollander (Harry), Vanessa Kirby (Joanna), Margot Robbie (Charlotte), Tom Hughes (Jimmy), Catherine Steadman (Tina), Matt Butcher (Courtroom Observer), Lisa Eichhorn (Mary's Mum), Richard Cordery (Uncle Desmond), Will Merrick (Jay), Joshua McGuire (Rory), Jon Boden and Sam Sweeney (Buskers), Richard Griffiths (Sir Tom), Richard E. Grant (Actor), Matthew C Martino (Commuter)

Crítica:
Depois de Simplesmente Amor (Love Actually) - 2003, Richard Curtis ganhou créditos infinitos comigo. Sua carreira começou com várias comédias-românticas bem acima do padrão estadunidense, mas ainda assim, com roteiros tradicionais para o gênero: homem ou mulher que vive uma vida ruim, quando acha o seu amor perfeito, vem os conflitos e brigas por vários motivos, logo depois, o arrependimento e o reatar, para no final, viverem felizes para sempre. Normalmente as comédias inglesas são infinitamente melhores que as hollywoodianas, mas eles precisam vender seus filmes, e muitas vezes caem na mesmice. Em Simplesmente Amor, Curtis, conseguiu sair desse padrão e criou um dos melhores filmes romance que assisti. Seis anos depois, mudando um pouco de gênero, fez o excelente Piratas do Rock (The Boat That Rocked) - 2009, ganhou mais uns bons créditos, e agora, esse sensacional Questão de Tempo. Importante dizer que seus melhores filmes, são, justamente, os que dirigiu. Coincidência ou não, é um diferencial. Hoje assisto qualquer filme que ele dirigir.

Além de Richard Curtis, o roteiro tem algo que chamou minha atenção: viagem no tempo. Qualquer filme que trabalhe bem o tema atrai meu olhar. Numa primeira impressão fez-me lembrar do Te Amarei Para Sempre (The Time Traveler's Wife) - 2009, que trata dos mesmos temas e gênero, mais dramático e menos romântico, mas igualmente excelente. E coincidentemente, com Rachel McAdams como protagonista feminina do casal.


[SPOILERS...] Questão de Tempo começa nos apresentando Tim, um jovem inglês, que em sua casa, participa da tradicional festa familiar de virada de ano junto com seus pais, sua irmã Kit Kat e o seu tio D, que parece sofrer de algum tipo de esquizofrenia. É então que o pai de Tim, James Lake, resolve lhe contar o segredo da família. Com simplicidade, ele informa-o que os homens da família têm a capacidade de viajar no tempo, mas com restrições, a viagem acontece apenas para o passado. Após duvidar e experimentar, Tim passa tentar resolver seus pequenos problemas pessoais, o principal deles: arrumar uma namorada.

Interessante como o roteiro faz distinção entre felicidade e ganância logo de início. Tim escuta o histórico familiar de seu pai, dizendo que vários tentaram ficar ricos, outros trapacearam e viveram na luxúria, mas nenhum deles foi feliz de verdade. O principal conselho era buscar de seus sonhos, e ser feliz ao conquistá-los.

Assim, Tim parte para Londres. Vai estudar na faculdade de direito e morar com Harry, um produtor de teatro amigo do seu pai. Lá conhece Mary, numa das melhores cenas do filme. Ele e um amigo vão a um bar de encontros anônimos, ou algo do gênero. O bar recebe as pessoas num lugar escuro, sem visibilidade nenhuma, um atendente os encaminha para uma mesa onde estão duas mulheres, ali a conversa se desenrola. O mais interessante é que a tela para os espectadores também fica preta, e acompanhamos os diálogos super concentrados. O sentimento romântico é explorado ao máximo, somente ao sair os dois se conhecem visualmente. Tim apaixona instantaneamente por Mary.

Chegando a casa encontra Harry arrasado, a estréia de sua peça foi um fracasso, pois o ator principal esqueceu as falas. Nesse momento é que Tim passa a entender melhor os riscos que é viajar e alterar o passado. Para ajudar Harry, ele volta momentos antes da peça começar e sugere ao ator revisar suas falas, tudo funciona bem e a peça é um sucesso, mas como a peça e seu encontro com Mary aconteceram no mesmo momento, Mary não o conhece mais.

Agora Tim precisará encontrar Mary e conquistá-la novamente. As sequências até conquistá-la novamente é algo excepcional, romântico, cômico e verdadeiro. Muito bem desenvolvido. Algo diferente do que costumamos ver no cinema. E são essas cenas que os protagonistas mostram como atuações perfeitas fazem o filme ser diferenciado.  Domhnall Gleeson, que interpreta Tim, começa o filme razoável, parecendo ser uma interpretação adolescente demais para o personagem. Mas vemos que não, a insistência de Tim, com criatividade, para conquistar Mary, revela um grande ator. Percebemos em seus olhos e suas expressões, o quão está apaixonado. Rachel McAdams, só confirma a grande a atriz que é. O seu pouco caso com um cara qualquer que tenta conquistá-la, até o momento em que se entrega à conquista, apenas por algumas palavras sobre Kate Moss, é de uma veracidade apaixonante. Atuação impecável.


Com os dois juntos, acompanhamos mais uma cena sensacional que acontece dentro da estão do metrô. Para demonstrar o amadurecimento dos dois como casal, vemos a rotina diária deles, pegando o metrô para trabalhar, indo para festas, com mudanças de roupas para nos contextualizar da estação do ano. Tudo isso acompanhado pela música How Long Will I Love You, da banda escocesa, The Waterboys, executada por: Jon Boden, Sam Sweeney e Ben Coleman, como se fossem de uma banda que toca nas estações de metrô.
No casamento, entre idas e vindas ao passado, Tim e seu Pai proporcionam uma emocionante sequências, na escolha de quem fará o discurso e seu pai procurando o discurso perfeito para o momento.

Agora acompanhamos a vida do casal, que é bem semelhante a de qualquer outro. Passando pelos mesmos problemas e dificuldades. Até que os filhos vem, e começamos a perceber que Tim está conseguindo ser feliz, sem precisar utilizar seus "poderes" para fins gananciosos. E a principal mensagem do filme começa a ser passada. A parte mais dramática acontece quando ele descobre mais uma regra da viagem no tempo. Sua irmã problemática acaba sofrendo um acidente de carro quase fatal, assim, Tim volta ao passado para mudar os fatos que culminaram no acidente. Quando volta e entra em casa, sua filha não existe mais, se transformou num filho. Imediatamente vai questionar seu pai, que lhe explica as regras: o nascimento de filhos é um marco na viagem no tempo, pois todas as vezes que voltar para antes do seu nascimento, um filho diferente vai ter. Assim, Tim desiste de evitar o acidente da irmã, passa a apoiá-la na recuperação, física e psicológica.

Interessante que as regras para viagem no tempo são simples e diretas, sem precisar de maiores explicações. O porquê não é necessário, é assim porque é.


Partimos para o terceiro ato. Lake pai está bastante doente e confidencia a Tim uma última dica, um jeito de viver seus dias com mais prazer e tranquilidade, basta vivê-lo duas vezes. Uma vez naturalmente, e outra, voltando no início do dia, sem alterar nada, vivenciar os acontecimentos já sabendo o que irá acontecer, apenas sentindo o quão prazeroso é a vida, mesmo em momentos tristes. Seu pai vem a falecer, mas Tim não sente tanto, pois ainda tem suas viagens para matar saudades. Mary acaba engravidando pela terceira vez, isso implica que Tim não poderá mais ver seu pai. E após nove meses faz uma última viagem para despedir-se.

Ao fim, a crítica do filme à nossa sociedade, vem nas palavras de Tim, ao perceber que não era preciso mais viver os dias duas vezes, bastava sempre vivê-lo com se fosse a segunda vez. E essa é a principal mensagem do filme: "Carpe diem". [FIM SPOILERS]

Bill Nighy, que faz o pai de Tim, tem uma participação discreta, mas todas as vezes que aparece mostra sua força como ator. Desenvolve um pai com perfil exemplar, aquele pai que todos desejam, participativo, amigo e presente em todos os momentos.

Destaque também para trilha sonora, que faz cada cena ser mais impactante, e sem dúvida vale escutá-la.

Curtis acertou mais uma vez, faz um tema complicado, ser simples, uma história emocionante do início ao fim. É um filme que agradará a todos, pois são lições que gostaríamos de trazer para nossas vidas. Assistirei novamente com certeza.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger) - 2013


12/01/2014
Nota: 6.5 / 6.6 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Gore Verbinski
Roteiro: Justin Haythe, Ted Elliott, Terry Rossio
Elenco: Johnny Depp, Armie Hammer, William Fichtner, Tom Wilkinson, Ruth Wilson, Helena Bonham Carter, James Badge Dale, Bryant Prince, Barry Pepper, Mason Cook, J D Cullum, Saginaw Grant, Harry Treadaway, James Frain, Joaquín Cosío, Damon Herriman, Lew Temple, Leon Rippy, Stephen Root, Jason E. Hill


Crítica:
O Cavaleiro Solitário foi um fracasso de bilheteira, isso mostra que o público sempre quer algo diferente e surpreendente. A grande dificuldade dos cineastas de hoje, é conseguir reinventar o cinema a cada filme, mesmo sendo algo trabalhado anteriormente, é preciso trazer alguma novidade para a identificação com os espectadores.

Esse filme nasceu com todos sabendo da semelhança com a trilogia Piratas do Caribe: Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra (The Curse of the Black Pearl) - 2003, Piratas do Caribe: O Baú da Morte (Dead Man's Chest) - 2006 e Piratas do Caribe: No Fim do Mundo (At World's End) - 2007, pois tanto o diretor, Gore Verbinski, quanto o ator principal, Johnny Depp, estiveram nessa trilogia no mesmo posto. Qualquer um sabe que os críticos iriam detonar o filme, caso a semelhança se tornasse verdade. Para grande público, talvez isso não importasses, se o filme fosse bem trabalhado e mesmo com semelhanças, houvesse algo de novo no filme. Mas é difícil apostar em algo novo, quando se tem certeza de outra que funcionou, assim, provavelmente, os envolvidos nesse filme resolveram trazer Jack Sparrow para o velho oeste. É bem lógico, se Piratas do Caribe foi um sucesso, uma aventura no velho oeste, nos mesmos moldes, não teria erro. Ledo engano, infelizmente, Tonto Sparrow naufragou no oeste.
  

O filme é baseado numa antiga série americana que passou por rádio, televisão e cinema. O Cavaleiro Solitário, John Reid, é um herói que pretende se vingar de criminosos que assassinaram seus companheiros, e usa uma máscara para os vilões não o identificar, e continuassem achando que estava morto. John Reid é um "ranger" despreparado, mas em sua jornada acaba por conhecer Tonto, um índio apache que tem o mesmo objetivo, vingar-se do vilão, Butch Cavendish, um bandido cruel, matador de rangers, que Tonto acredita ser um "wendigo".

A aventura se desenrola nesse contexto, misturando cenas cômicas e dramáticas. Para  um filme da Disney, muitas mortes são mostradas, inclusive uma em que o vilão enfia a faca na barriga de um dos rangers, com bastante crueldade. Mesmo sem mostrar sangue, a cena é bem forte.


O roteiro é muito grande e repetitivo, são 2h30 de projeção, onde poderiam ser retiradas várias cenas desnecessárias, principalmente as cômicas. Como a do cavalo morrendo no deserto. Sem graça e previsível.

Johnny Deep está no piloto automático, sua interpretação não acrescentou nada de novo comparado aos Piratas do Caribe. Quem gostou de uma, vai gostar da outra, a não ser que queira algo novo. Armie Hammer, que faz o Cavaleiro, não convence com um herói desengonçado, não causa empatia, e se confunde com seu companheiro Tonto, pois são personagens semelhantes.

Talvez, se não existisse Piratas do Caribe, esse filme funcionasse melhor, mas ainda assim, deixaria a desejar.

Aventura é sempre bom assistir, é divertido, mas nesse caso, é preferível rever a trilogia Piratas do Caribe. O quarto filme, Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas (On Stranger Tides) - 2011, não incluí, pois não é tão bom assim.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Wolverine Imortal (The Wolverine) - 2013


06/01/2014
Nota: 6.5 / 6.8 (IMDB)
Formato: HD 3D

Direção: James Mangold
Roteiro: Christopher McQuarrie, Mark Bomback
Elenco: Hugh Jackman, Famke Janssen, Hiroyuki Sanada, Hal Yamanouchi, Tao Okamoto, Rila Fukushima, Will Yun Lee, Brian Tee, Svetlana Khodchenkova, Ian McKellen, Patrick Stewart


Crítica:
Wolverine Imortal é o segundo filme solo do personagem, mas que dá continuidade ao terceiro filme da série X-Men. Sua história se passa alguns dias após os acontecimentos de X-Men - O Confronto Final.

[SPOILERS...] Wolverine encontra-se em auto-reclusão após ter matado sua amada, Jean Gray, para salvar o mundo. Vivendo numa floresta, apenas se envolvendo em pequenos atritos locais. Quando é encontrar por  Yukio, uma japonesa com a capacidade de prever a morte das pessoas. Vem em nome de Yashida, dono de uma grande empresa japonesa no ramo de pesquisa científica e tecnológica. Yashida está no leito de morte por causa de um câncer, e quer que Logan vá até o Japão para de se despedir, pois foi salvo por ele durante a segunda guerra mundial, exatamente quando a bomba atômica explode.

Chegando lá descobre que Yashida não quer só se despedir, na verdade pretende dar à Logan o que supõe ser seu maior desejo, tornar-se mortal, ou seja, poder envelhecer como qualquer humano, e assim, ter uma vida normal. Mas para isso, seus poderes de cura serão repassados para Yashida, que consequentemente não morrerá.


Logan recusa e Yashida morre. É aí que começa os problemas para Wolverine. A médica, Dr. Green, que cuida de Yashida, é na verdade a mutante Viper, e introduz no seu coração um algo que deixa seu poder de cura enfraquecido. Além disso, os descendentes de Yashida pretendem se apossar de seu império empresarial, mas ele deixou um testamento dando tudo a sua neta. E já em seu funeral, ninjas da máfia japonesa tentam matá-la, e é nesse momento que Wolverine se envolve, para defendê-la tem que lutar contra vários oponentes, mas dessa vez sem seu poder de cura funcionando perfeitamente.

Assim, a história se desenrola com muita ação e vários confrontos entre Wolverine e seus oponentes. Com destaque para luta em cima de um trem bala. No confronto final Wolverine enfrente o Samurai de Prata, que sem muitas explicações aparece apenas para cena final, é nele que está a, nem tanto surpreendente, reviravolta da história. [FIM SPOILERS]


Wolverine Imortal conseguiu, pelo menos, manter o nível dos três filmes da super equipe de mutantes: X-Men - 2000, X-Men 2 (X2) - 2003, X-Men 3 - O Confronto Final (X-Men: The Last Stand) - 2006. Isso mostra que é muito superior ao seu primeiro filme solo X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine) - 2009.

Ainda temos algumas falhas, personagens mal desenvolvidos, como Yukio e Mariko. Yukio ajuda Logan e vários confrontos, mas em nenhum momento a personagem mais explorada. Mariko é o par romântico do protagonista, que fica em perigo o tempo inteiro, mas nada além disso.


O ponto forte do roteiro foi Wolverine, pois pela primeira vez conseguiram explorar os dramas vividos por ele, por ser um mutante e por ser imortal. Conseguimos entrar em sua mente e perceber o quão complexo é ser Wolverine. Mas ainda assim, há um ponto falho, o exagero em suas lembranças por ter assassino Jean. Poderiam ter explorado melhor essa sua fraqueza. Outro ponto forte são as cenas das lutas, os efeitos estão excelentes. Hugh Jackman está no piloto automático, mas para o lado bom, pois está com esse personagem há 13 anos, ele é o Wolverine.

O filme nos dá esperança de que, se continuarem nessa evolução, num eventual terceiro filme do Wolverine, teremos um dos melhores filmes de super-herói.


Minha Estatística de Filmes Assistidos - 2013


Caros leitores,


Estas são minhas estatísticas de 2013:

ANO
TOTAL DE FILMES
TOTAL NO CINEMA
NÚMERO DE DIAS
2003
56
13
192
2004
194
65
365
2005
198
74
365
2006
187
56
365
2007
178
33
365
2008
109
26
365
2009
108
23
365
2010
120
35
365
2011
78
5
365
2012
80
10
365
2013
33
8
365
TOTAL
1341
348
3842
MÉDIA POR DIA
0.35
0.09
349
MÉDIA ANUAL
127
33

Conclusões:
1- Desde de julho de 2003 assisti  1341.
2- Em média, assisto 127 filmes por ano.
3- Em média, assisto 1 filme a cada 3 dias, 10 filmes por mês.
4- Em média, vou ao cinema  33 vezes por ano.
5- Em média, vou ao cinema a cada 10 dias, 3 vezes por mês.
6- Em 2005 assisti 198 filmes, isso dá 1 filme a cada 2 dias.
7- Em 2005 fui ao cinema 74 vezes, isso dá 1 filme a cada 5 dias. Assim, fui ao cinema 6 vezes por mês.

Pelas minhas notas, os melhores filmes que assisti em 2013 foram:

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Marte Precisa de Mães (Mars Needs Moms) - 2011


08/12/2013
Nota: 8.5 / 5.3 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Simon Wells
Roteiro: Simon Wells, Wendy Wells
Elenco: Seth Green, Joan Cusack, Tom Everett Scott, Elisabeth Harnois, Dan Fogler, Mindy Sterling, Ryan Ochoa, Robert Ochoa, Raymond Ochoa, Liam Wells, Edgar Wells, Dee Bradley Baker

Crítica:
Depois de assistir esse filme três vezes no mesmo dia, comecei adorá-lo. Sua história é simples, roteiro tradicional com os requisitos básicos para todo espectador gostar. Além disso, o filme agrada criança e adultos.

[SPOILERS...] A base da história gira em torno de Milo, um pré-adolescente normal, que tem uma vida tranquila, até sua mãe ser abduzida para o planeta marte. A vida familiar em Marte não existe mais, as mulheres dominaram o planeta. E tem uma a supervisora como o ditador do planeta. Os homens são exilados para uma espécie de lixão, e as mulheres controlam tudo, até o exército. Mas não tem mais conhecimentos para cuidar das suas crianças, por isso precisam das mães humanas, para pegarem seus conhecimentos e transferir para as marcianas.


A mãe de Milo é selecionada, e levada à Marte, mas Milo consegue se adentrar à nave espacial. Em Marte, desesperado, ele precisa achar sua mãe e voltar para Terra. Logo se depara com os primeiros habitantes do planeta, parecendo índios, tenta comunicação, mas não consegue. Um residente humano o localiza, e leva-o para sua base secreta. É Gribble, um homem que também teve sua mãe raptada, mas não conseguiu salvá-la, e mora ali desde então. Gribble perdeu um pouco do senso da realidade, parece meio maluco, e isso torna o personagem sensacional. Os dois se juntam na missão de salvar a mãe de Milo e fugir de Marte.

Em meio a essa missão, eles conhecem a marciana Ki, que por ter acessos aos arquivos de terráqueos, passa a falar a nossa língua e nosso cultura da época hippie. Por isso ela está disposta a ajudar Milo encontrar sua mãe. [FIM SPOILERS]


Esses são os três personagens principais, e nesse contexto a aventura se desenvolve tradicionalmente, com clichês e dramas emocionais que estamos acostumados a ver em outros filmes. Mas não vejo isso como uma coisa que denigre o filme, e na verdade ajuda bastante, pois é tudo que esperamos, ver Milo salvar sua mãe.

Mas de tudo, o mais interessante do filme é a mensagem por trás da história. A importância das nossas mães na vida de cada um. Ela é tudo, sem ela não estaríamos aqui. Para ilustrar isso, existe um texto que circula na Internet, que não sei o autor, mas é simplesmente perfeito. Recebi com o nome de "Mães más". Leia abaixo:


“Um dia quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães, eu hei de dizer-lhes: - Eu os amei o suficiente para ter perguntado aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão.

Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.

Eu os amei o suficiente para fazê-los pagar as balas que tiraram do supermercado ou revistas do jornaleiro, e os fazer dizer ao dono: Nós pegamos isto ontem e queríamos pagar.

Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé, junto de vocês, duas horas, enquanto limpavam o seu quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.

Eu os amei o suficiente para deixá-los ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.

Eu os amei o suficiente para deixá-los assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.

Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes NÃO, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso (e em alguns momentos até odiaram). 

Essas eram as mais difíceis batalhas de todas. Estou contente, venci... Porque no final vocês venceram também! E em qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães; quando eles lhes perguntarem se sua mãe era má, meus filhos vão lhes dizer: Sim, nossa mãe era má. Era a mãe mais má do mundo. As outras crianças comiam doces no café e nós só tínhamos que comer cereais, ovos, torradas. As outras crianças bebiam refrigerantes e comiam batatas fritas e sorvetes no almoço e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas. Mamãe tinha que saber quem eram nossos amigos e o que nós fazíamos com eles.

Insistia que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos. Ela insistia sempre conosco para que lhe disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade.
E quando éramos adolescentes, ela conseguia até ler os nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata!

Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos; tinham que subir, bater à porta, para ela os conhecer.

Enquanto todos podiam voltar tarde da noite com 12 anos, tivemos que esperar pelos menos 16 para chegar um pouco mais tarde, e aquela chata levantava para saber se o passeio foi bom (só para ver como estávamos ao voltar).

Por causa de nossa mãe, nós perdemos imensas experiências na adolescência: nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo, em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.

FOI TUDO POR CAUSA DELA!

Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos nos esforçando e pedindo a Deus que nos ajude a sermos “PAIS MAUS”, como minha mãe foi. 

EU ACHO QUE ESTE DEVE SER UM DOS GRANDES MALES DO MUNDO DE HOJE: A INSUFICIÊNCIA DE MÃES MÁS!

Aquelas que já são mães, que não se culpem, e aquelas que serão, que isso sirva de alerta!"


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no Kamikakushi) - 2001


24/11/2013
Nota: 7.5 / 8.6 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Hayao Miyazaki
Roteiro: Hayao Miyazaki
Elenco: Rumi Hiragi, Miyu Irino, Mari Natsuki

Crítica:
Toda criança tem uma imaginação fértil, nos sonhos, mais ainda. Nesse sentido, podemos trazer um pouco A Viagem de Chihiro para nossa realidade, pois é uma aventura bem próxima dos nossos sonhos, com criaturas completamente diferentes e mais malucas que podemos imaginar. Mas tudo é uma máscara para críticas.

[SPOILERS...] O filme inicia mostrando a família de Chihiro, uma menina de 10 anos, viajando de carro para a nova cidade onde vão morar. Seus pais estão bastante empolgados, mas ela ainda está resistente, por deixar seus amigos para trás. Chegando próximo à nova casa, seu pai se perde e acaba entrando num caminho errado. Passando por um caminho dentro de uma floresta, acabam se deparando com um túnel estranho. Seus pais ficam curiosos, largam o carro e se adentram ao túnel. Chihiro, com muito medo, tenta convencê-los de que era melhor voltar. Ao chegar do outro lado, se deparam com uma cidade abandonada. Já na cidade, encontram um estabelecimento com um banquete preparado, tudo fresquinho, recém preparado. O pai e mãe de Chihiro resolvem experimentar e começam a devorar a comida, mas Chihiro resolve explorar a cidade e acaba se encontrando com um garoto, Haku, que a orienta sair da cidade antes do anoitecer. Mas quando Chihiro volta para encontrar seus pais, leva um susto, eles foram transformados em porcos. Assim, inicia-se a aventura de Chihiro, que agora precisa sobreviver nessa cidade misteriosa e cheia de criaturas horríveis, além de achar uma maneira de salvar seus pais.


Seu primeiro objetivo agora é seguir a instruções de Haku, que a orienta seguir para as caldeiras, e arrumar uma forma de trabalhar, pois é o único jeito de um humano não ser morto. Chegando na caldeira depara-se com Kamaji, um forma humana com vários braços. Ele a aconselha procurar Yubaba, a bruxa dona do estabelecimento, que depois descobrimos se tratar de uma casa de banhos. Sua aparência é humana, mas é gigante, e com uma cabeça maior ainda. Depois de muita insistência, Yubaba concede a Chihiro um trabalho, deverá ser ajudante de Lin, na limpeza da banheira.

No dia a dia da casa de banhos Chihiro conhece o Sem Rosto, um fantasma negro, que usa uma máscara indígena como rosto. Para entrar na casa de banhos, Chihiro deixa a porta aberta, e ao se adentrar, Sem Rosto para a ser tratado com hospede, sendo idolatrado por todos os funcionários, pois sua gorjeta é em pepitas de ouro. Mas Sem Rosto não é tão gentil, pois sua personalidade se transforma de acordo com o comportamento das pessoas em sua volta, e a ganância dos funcionários, o faz se transformar numa criatura ruim e assustadora. Sem Rosto passa a comer alguns funcionários, e passa a modificar seu corpo. Como comeu um sapo, suas pernas passam a ser iguais a de sapo.


Em paralelo a isso, Chihiro descobre que Haku é na verdade um dragão, e que está extremamente ferido, pois foi enfeitiçado. A partir disso, Chihiro precisa salvá-lo, ao mesmo tempo em que Yubaba a obriga dar um jeito em Sem Rosto, pois passou a comer tudo que encontra pela frente.
Chihiro consegue fazer Sem Rosto comer um remédio de ervas, e só assim ele vomita tudo que comeu e volta a sua forma original. Agora Chihiro precisa chegar até a casa de Zeniba, irmã de Yubaba, feiticeira e vive num pântano distante da casa de banhos. Durante o trajeto, Haku melhora e vai ao encontro de Chihiro. Com os conselhos de Zeniba, os dois voltam e conseguem derrotar Yubaba. Chihiro salva seus pais, e todos retornam pelo túnel.

No fim, fica a dúvida, foi tudo um sonho/imaginação, ou tudo realmente aconteceu? Detalhes nas últimas cenas dão a resposta. [FIM SPOILERS]

Hayao Miyazaki é de uma imaginação incomum, esse é o seu primeiro filme que assisto, mas sei que seus outros filmes são tão criativos quanto esse. A história parece sem pé, nem cabeça, mas é linear e se analisar bem, é cheia de analogias, e mensagens subliminares.


No início os personagens nos mostram características que percebemos em todos os seres humanos: curiosidade, ao mostrar os pais de Chihiro querendo ver o que há além do túnel; medo, de Chihiro ao perceber o túnel escuro e o temor pelo que pode estar do outro lado; e certa ganância externada pela gula, quando os pais de Chihiro encontram a comida e sem qualquer dúvida começa a comer sem parar. Temos uma crítica à escravidão, pois todos os funcionários da casa de banhos são escravos; e ao totalitarismo com a bruxa Yubaba, dona do estabelecimento.

E pra mim, o principal, que no meio de tantas coisas ruins ainda há possibilidade de ser bom, de procurar fazer as coisas certas, ajudar o próximo. Mostra que devemos fazer nossa parte por um mundo melhor, que se cada um de nós fizer um pouco, poderemos mudar as pessoas, ou pelo menos mostrar que há outras possibilidades.

Filme genial.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Jack, o Caçador de Gigantes (Jack the Giant Slayer) - 2013

17/08/2013
Nota: 7.5 / 6.3 (IMDB)
Formato: HD

Direção: Bryan Singer
Roteiro: Darren Lemke, Christopher McQuarrie e Dan Studney
Elenco: Nicholas Hoult, Ewan McGregor, Eleanor Tomlinson, Stanley Tucci, Ian McShane, Bill Nighy, Ewen Bremner, Warwick Davis, John Kassir, Eddie Marsan

Crítica:
Hollywood está aproveitando a tecnologia cinematográfica para realizar todos os filmes impossíveis de se fazer antigamente. Todas as aventuras de heróis, contos de fada, infantil ou não, estão indo parar na “telona”. 

Jack, o Caçador de Gigantes, pra gente seria melhor, João e o Pé de Feijão, é mais uma das aventuras infantis a chegar ao cinema. E outra vez, levando a sério a história e tornando-a bastante adulta. Algo parecido foi realizado com o fraco João e Maria: Caçadores de Bruxas (Hansel and Gretel: Witch Hunters) - 2013. Mas dessa vez eles souberam dosar a violência e os exageros para mostra que o filme é adulto.


Mortes acontecem, e não é nada igual Disney, morrem e nós somos informados como morreram, mas sem espirrar sangue na tela. A história é bem tradicional a que conhecemos, Jack entra em uma aventura na terra de gigantes que moram nas núvens para salvar a princesa. Não há nada

demais na história, é apenas a aventura que faz o filme ficar bom, além de podermos ver nossos contos de fada tornar-se realidade.


Há vários clichês, que os críticos odeiam, mas que nós adoramos, faz parte da diversão. Mas o ponto forte do filme são os efeitos especiais, os gigantes ficaram perfeitos, mesmo quando há o contato com humanos. Em momento algum duvidamos ou percebemos que eles são digitais, algo semelhante ao Hobbit - Uma Jornada Inesperada (2013). 

Considerei uma aventura muito boa de ver, e até para rever.